Agressão aconteceu na última noite do Miracaxi 2023, em Miracema, em um camarote particular. Vítima registrou boletim de ocorrência e Polícia Civil está investigando o caso. Imagens mostram segurança dando ‘mata-leão’ em jovem e a retirando de banheiro de camarote
O último dia do Miracaxi 2023, micareta realizada em Miracema do Tocantins, era para ser um dia de lazer para uma vendedora de 20 anos, que estava dentro de um camarote da festa. Mas ao tentar usar o banheiro junto com a namorada, foi impedida de entrar. Um vídeo do momento da confusão mostra a jovem, que não quis se identificar, sendo expulsa do local. Ela registrou ocorrência e atribuiu a situação ao crime de homofobia. (Veja o vídeo)
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Nas imagens é possível ver que a jovem tenta entrar no banheiro, mas acaba levando um mata-leão – uma manobra de estrangulamento- de uma das seguranças da empresa Muralha G4. Depois é arrastada pra fora, mesmo diante de pessoas dizendo que ela não tinha feito nada.
A empresa de segurança nega a agressão e afirma que a jovem teria ameaçado a equipe de segurança. Os responsáveis pelo camarote repudiaram a ação em postagem nas redes sociais. Veja os posicionamentos completos no fim da reportagem.
A jovem, com o apoio da família, registrou um boletim de ocorrência na 10ª Central de Atendimento da Polícia Civil de Miracema na segunda-feira (17). No documento está o relato que ela foi vítima de preconceito sexual por parte de seguranças homens e mulheres.
Agressão ocorreu na madrugada de segunda-feira (17) em camarote do Miracaxi
Divulgação
Primeiro dois homens impediram a entrada dela no banheiro feminino. Ela citou que teria perguntado o porquê deles não a deixarem entrar, mas que os seguranças não deram nenhuma resposta. Enquanto isso, outras mulheres entravam no banheiro sem nenhum problema.
Incentivada por outras pessoas que estavam na fila, segundo o boletim, a jovem começou a filmar a situação e, nesse momento, um dos seguranças deu um tapa no braço para impedir a gravação. Logo depois eles a deixaram entrar. Mas antes mesmo de usar o banheiro, chegaram três seguranças mulheres e um homem e assim, começou a confusão.
Como mostra o vídeo, a segurança a arrasta para fora do banheiro alegando que ela tinha agredido o segurança. Fora do banheiro, um dos seguranças ainda teria jogado spray de pimenta na jovem, que passou mal e precisou ser atendida pelo Corpo de Bombeiros.
A mãe da vendedora, a consultora de vendas Thays Almeida de Freitas, conversou com o g1 e lamentou a situação aos prantos. Ela questionou o motivo de só a filha dela ter sido barrada no banheiro do camarote e quer que envolvidos sejam responsabilizados.
“Por que ela, se existiam várias pessoas na fila? Por que todo mundo que estava reclamando não foi expulso? Fico me questionando por que ela? Ela tem 1,58m, se pesar 48kg, 50kg é muito. As seguranças que foram pegar minha filha à força na porta do banheiro nem estavam na porta. Alguém passou o rádio para elas pegarem minha filha e fazer aquela coisa absurda, tudo no vídeo, que é monstruoso. Porque era a única menina que estava de tênis, de cabelo curto? Queria respostas para isso tudo. Era uma festa, ela podia estar bêbada? Mas isso não tem justificativa”, questionou Thays.
Quatro dias depois do ocorrido, a mãe contou que a filha ainda não se recuperou e que ela se culpa pela situação. “É como se ela estivesse só existindo, como se a ficha não tivesse caído por ela saber a pessoa que ela é, doce, amiga, companheira”, reforçou.
Após o registro do boletim de ocorrência, a Secretaria da Segurança Pública do Tocantins informou que o caso está sendo investigado pela 7ª Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher e Vulneráveis (7ª DEAMV – Miracema), que já iniciou as diligências para a identificação dos cinco supostos autores desconhecidos.
O que dizem os citados
O Miracaxi 2023 é uma festa realizada pela Prefeitura de Miracema, mas que permite a montagem de estruturas de camarotes com programações à parte. O caso aconteceu no Camarote Paradise e os responsáveis pela organização do espaço não respondeu aos questionamentos do g1 sobre o caso.
Pelas redes sociais, publicou uma postagem informando que “repudia quaisquer atos que firam com os princípios da diversidade e da representatividade” em trecho do texto. Mas não há qualquer menção sobre o ocorrido.
A Muralha G4, empresa de segurança das seguranças citadas pela vítima, se manifestou através de um representante, que não quis se identificar. Ele negou as denúncias e disse que na hora da confusão, uma empresa terceirizada estava fazendo a limpeza do banheiro e que pessoas que estavam na porta não quiseram esperar que fosse concluída.
“A empresa terceirizada solicitou a equipe de segurança feminina que ficasse na portaria controlando as entradas até finalizar o processamento da limpeza e elas estavam forçando a entrada. A equipe de segurança informou ás mulheres que esperava a finalização do banheiro para poder entrar. Elas não compreendendo começaram a ameaçar a equipe de segurança, pegando o celular, querendo fazer filmagem, agressão física e também verbal”, afirmou o representante.
Ele disse ainda que elas empurraram a equipe para entrar no banheiro e que possivelmente estariam sob efeito de alguma substância. Ele também afirmou que não houve agressão e que as seguranças deram apoio no banheiro feminino e que jovem foi retirada para fora porque estaria causando o tumulto.
O representante também afirmou que nenhum dos seguranças da empresa usa spray de pimenta. “Ficamos com o serviço de portaria e banheiro e nossa equipe foi contratada para esse tipo de serviço, ninguém usa spray de pimenta”.
Sobre a jovem estar sob efeito de substância, a mãe da vítima negou veementemente e rebateu a fala do representante da empresa dizendo que a jovem tinha acabado de chegar na festa. “Eles estão mentindo. Eu não estaria em busca da verdade se existisse alguma mentira. Não estaria expondo minha filha dessa forma. Eles não tem como provar. E mesmo que elas estivessem, isso não é postura de se tratar um ser humano”, reclamou Thays.
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Fonte: G1 Tocantins
