Menor investimento e machismo podem ser as causas da falta de empolgação da torcida com a copa feminina, diz especialista

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Comércio até investiram em itens para a Copa do Mundo Feminina, mas as vendas estão tímidas na capital em comparação com o mundial masculino. Futebol: em Palmas, mobilização para torcer pela Seleção Brasileira Feminina é pequena
Algumas lojas enfeitaram as vitrines com as cores verde e amarelo para atrair os clientes que vão torcer para a seleção brasileira na Copa do Mundo Feminina. Mas diferente do mundial masculino, realizado entre novembro e dezembro de 2022, a procura por itens ainda é baixa. Entre os motivos podem estar a pouca divulgação, menor investimento e até o machismo estrutural.
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A estreia do Brasil na competição foi nesta segunda-feira (24) e a seleção venceu o Panamá por 4 a 0. Mesmo assim, para os comerciantes, as vendas seguem em baixa.
“A feminina realmente e a logística ficou muito complicado, não estão conseguindo entregar esse produto. Há demanda também, mas infelizmente não tem estrega para esse público”, disse o gerente de uma loja de artigos esportivos de Palmas, Ronaldo Mores.
Procura não é tão grande quando no mundial masculino
TV Anhangeura/Reprodução
Justamente pela baixa procura, os lojistas não investiram tanto para o mundial feminino como no masculino. Em uma loja com produtos de decoração, até que tem várias opções em verde e amarelo como bandeirolas e cornetas. Mas os itens continuam no estoque mesmo com a competição já em andamento.
“Infelizmente é bem diferente a procura para decoração da Copa de Futebol feminina do que da masculina. A gente não tem muita procura, o movimento relacionado a isso é bem pouco e particularmente gostaria que tivesse muito mais movimento. Acho que nossas meninas são tão boas, merecem tanto quanto o futebol masculino. Mas, infelizmente, sendo realista, a procura não é a mesma coisa, não chega a ser nem um terço”, lamentou a operadora de caixa Érica Nascimento.
Apesar de ter grandes nomes na seleção brasileira, como a atacante Marta, o time ainda não ganhou nenhum mundial. Esse pode ser um dos fatores para a falta de empolgação dos torcedores. Até da divulgação diferente também, já que muitas pessoas nem estavam sabendo da copa, apesar do talento das jogadoras brasileiras.
Nas ruas, as pessoas confirmam essa possibilidade. “Eu estou por fora mesmo. Mas acho que a gente tem que melhorar muito, começar a incentivar, voltar a torcer, acreditar pelo menos na seleção feminina”, deu o recado o produtor rural Renê dos Santos.
Itens da copa estão parados nas prateleiras
TV Anhanguera/Reprodução
Fatores culturais e históricos
De acordo com o sociólogo Ygor Leite, a falta de interesse para a Copa feminina tem fatores culturais e históricos.
“Você tem a seleção masculina de futebol como uma marca muito maior do que só o futebol, é uma identidade nacional. Quanto ao futebol feminino, apesar de conquistas e de boas jogadoras que estão pelo mundo afora, a gente não tem ainda esse apelo porque é recente a prática do futebol aqui no Brasil. O investimento feito por clubes e pela CBF [Confederação Brasileira de Futebol] ainda e muito pequeno comparado ao futebol masculino. As empresas não veem nelas algo para investir e ter um retorno em relação a marketing e dificulta muito essa questão de transformar essa seleção feminina de futebol em algo que possa levantar a animação da torcida, do comércio e de outras instituições”, pontuou.
Além das questões de divulgação e investimentos, a competição para as mulheres esbarra no machismo estrutural.
“É um esporte praticado dentro da sociedade que vai copiar as estruturas da sociedade. Se a sociedade é machista, vai ter machismo. Se a sociedade é racista, vai ter racismo. É muito errado, mas o esporte é a continuação da sociedade, vai replicar tudo aquilo que a sociedade tem”, afirmou ainda o especialista.
Para as mulheres é preciso mudar esse quadro, com mais investimentos e visibilidade. Nas ruas de Palmas, elas dão o recado: “O homem ele é muito machista, acha que só ele que tem direito, mas é o direito de todos nós. Então acredito que elas estão lá, vão buscar e quem sabe trazem o título. E que as mulheres não deixem o direito delas e que possam fortalecer mais para nós, mulheres”, disse a dona de casa Zoraide Pugas.
“Indiretamente o machismo existe muito até em questões que a gente não quer ser machista direto. Porém acontece, tanto é que não vejo essa divulgação tão forte quanto a do futebol masculino, a da copa masculina”, completou a estagiária Ana Vitória de Lima.
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Fonte: G1 Tocantins