Seu José Gomes mora em Gurupi e se apaixonou pelo trabalho do rei Roberto Carlos aos 8 anos. O tocantinense tem mais de 80 CDs, DVDs, discos de vinil e até fitas com filmes antigos. Fã de Roberto Carlos, seu José coleciona vários objetos ligados ao rei
José era um menino de apenas oito anos, quando escutou ‘Splish Splash’, pela primeira vez. A música envolvente de Roberto Carlos fazia a juventude da década de 60 cair na pista. Mesmo novinho, ele se apaixonou pelas canções e hoje, aos 66 anos, é um megafã do artista. Só para se ter uma ideia, seu José Gomes da Silva, tem as coleções repetidas de todos os CDS e fez homenagem ao ídolo quando os dois filhos nasceram. Os nomes? Roberto Carlos e Erasmo Carlos.
“Quando eu era rapaz, pensava: ‘Se um dia, eu for pai, meu filho vai se chamar Roberto Carlos’. Eu casei e por incrível que pareça, a minha mulher teve o primeiro filho homem e eu falei: ‘Não vou perder essa chance’. Botei Roberto Carlos. Tive outro homem e botei Erasmo Carlos. Muitos gostaram, alguns acharam loucura. A esposa não achou ruim”.
No dia 16 de setembro, o cantor fará um show em Palmas. O Roberto Carlos, de Gurupi, não esperou nem cinco minutos depois que a bilheteria foi aberta. Comprou os ingressos e vai proporcionar ao pai a experiência de assistir o ídolo, ao vivo, pela primeira vez.
Seu José batizou os filhos de Roberto Carlos [à esq.] e Erasmo Carlos [à dir.]
Arquivo Pessoal
Seu José mora em Gurupi e foi um dos primeiros vendedores de disco de vinil. Na época, ele saía de porta em porta oferecendo os produtos em cidades da região sul do Tocantins. O ambulante sempre gostou dos cantores da Jovem Guarda, mas o Rei tem um espaço no coração do tocantinense. Nas paredes e nas prateleiras da casa também.
Quem entra na residência já tem ideia da paixão que o tocantinense nutre pelo artista. Há quadros de Roberto espalhados pelos cômodos. As coleções de discos, CDs, fitas e filmes estão bem guardadinhas e conservadas nas prateleiras.
“Entre CDs e vinis, eu tenho mais de 80. O mais antigo ‘Splish splash’, ‘Proibido fumar’. Eu tenho um compacto com ‘João e Maria’, ‘Fora de Tom’, que foi um dos primeiros e não teve sucesso. Não é todo mundo que tem esse CD”, diz orgulhoso.
Seu José é megafã de Roberto Carlos e coleciona discos de vinil e CDs do cantor
Roberto Carlos/Arquivo Pessoal
Praticamente todos os dias, seu José escuta as músicas do ídolo, canta, se diverte e emociona. Ele sabe todas as composições e curiosidades sobre o cantor.
“Eu não abuso de escutar. Para mim, é uma terapia. E eu sei muita coisa, eu sei quando ele nasceu, foi no dia 19 de abril de 1941. Eu sei as superstições que ele tem, ele não gosta que falem a palavra ‘azar’ perto dele. Se ele tiver uma conta [que vence] dia 13, ele te paga no dia 12 ou no dia 14. Ele gosta muito de azul, quando ele se veste de azul, até a cueca é azul”, descreveu.
Seu José tem mais de 80 CDs e DVDs de Roberto Carlos
Roberto Carlos/Divulgação
Todo fim de ano é a mesma cena. O tocantinense senta no sofá e assiste, do início ao fim, o especial de Roberto Carlos na Globo. Esse hábito já virou até piada na cidade.
“Nunca perdi um especial de Roberto na Globo. Tem gente que faz até piada: ‘Eu vou lá desligar o padrão da tua casa para você não assistir’. Mas eu nunca perdi um”.
No próximo mês, não haverá tela e nem uma longa distância. Seu José estará na plateia para acompanhar Roberto. O fato de assistir a um show pela primeira vez já deixa o coração do tocantinense pulando de alegria, imagine se ele visse e conversasse com o Rei? “Eu não saberia o que dizer”, diz ele.
Quando questionado sobre o porquê dessa grande paixão, o ambulante não pensa nem duas vezes para dizer: “Não tem outro igual a ele, não existe. Ele tem letra, tem conteúdo, tanto na música de embalo, quanto na música romântica, ele toca tudo e faz tudo”.
Apesar de não conhecer o ídolo pessoalmente, seu José deu um jeito. Fez uma montagem com a foto de Roberto Carlos na década de 90 e há relatos de que muita gente acredita que seja real.
Apesar de ser um grande fã, seu José nunca conheceu o ídolo, mas fez uma montagem dos dois na década de 90
Divulgação/Arquivo pessoal
O Roberto Carlos do cerrado tocantinense
Milhares de quilômetros separam o rei Roberto Carlos do professor de artes Roberto Carlos. Mas, apesar distância, o cantor sempre esteve presente na infância, na casa e nas histórias engraçadas vividas pelo tocantinense.
O menino Roberto cresceu vendo os quadros do cantor espalhados pela casa e ouvindo o pai a cantar as músicas do artista. Então, desde cedo, entendeu que o nome estava ligado a alguém muito famoso.
O gosto musical do pai influenciou o filho. Apesar de ter nascido em uma época diferente, com novos cantores ganhando relevância no cenário nacional, o Roberto tocantinense, aprendeu a apreciar as músicas do Rei.
Sendo um grande fã, seu José homenageou o cantor batizando o filho mais novo com Roberto Carlos
Divulgação/Arquivo pessoal
“Eu gosto demais do meu nome e, apesar de eu ter nascido em uma época bem depois do grande sucesso de Roberto Carlos, que ainda hoje é sucesso, sempre vi meu pai escutar Roberto Carlos e sempre escutei meu pai falar de histórias e curiosidades sobre o cantor e aprendi a gostar e a admirar”.
Não faltam histórias engraçadas vividas pelo morador de Gurupi. Com nome de gente famosa, é de esperar muitos olhares, piadas e até xingamentos. O g1 explica.
Na escola, as crianças já achavam o nome bem curioso.
“Toda vez que eu chegava à escola para estudar, no primeiro dia quando a professora fazia chamada: ‘Roberto Carlos’. Eu falava ‘presente’ e todo mundo olhava para mim, era engraçado”.
Por telefone, já houve até confusão.
“Na verdade, eu entrei em uma briga uma vez. Eu estava na casa do meu patrão, atendi telefone e a pessoa falou: ‘Quem fala?’. Eu falei: ‘Roberto Carlos’. A pessoa me xingou todinho, achando que eu estava fazendo uma piada. As pessoas sempre acharam legal e sempre perguntam o porquê, e eu faço questão de falar, conto a história do meu pai”.
Roberto Carlos se inspirou no pai e também cresceu admirando o cantor Roberto Carlos
Arquivo Pessoal
O professor Roberto também faz questão de passar o conhecimento sobre cantores da Jovem Guarda para os alunos. Com tanto conhecimento acumulado ao longo dos anos, ele dá um show quando o tema é música.
“No terceiro ano do ensino médio, tem um conteúdo que é a história da ‘Música Popular Brasileira’ e quando chega na parte da Jovem Guarda, eu faço questão de falar sobre a minha história, conto a história do meu pai e mostro fotos”.
Roberto Carlos sempre achou interessante a paixão que o pai tem pelo cantor. Mas, por outro lado, tem receio de como o pai reagiria em certas situações.
“Eu fico imaginando, no dia em que Deus levar Roberto Carlos, na hora que escutar a notícia nas redes sociais, na tv, eu vou correndo para o meu pai porque eu sei que ele vai sofrer muito. Ele é um amante da música, gosta da Jovem Guarda, eu sei que essa paixão que ele tem é algo massa de ver. Mas me dá medo, receio, se Roberto morrer primeiro”, enfatizou.
Mas nada de pensar em coisa ruim. No dia 16, o professor Roberto Carlos, a esposa e o seu José estarão na plateia vivendo um momento lindo. Se, por acaso, o tocantienense olhar para o pai e encontrar lágrimas, não importa. Afinal, se ele chorar ou se sorrir, o importante é que emoções o megafã vai viver.
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Fonte: G1 Tocantins
