Mais de 4 mil amostras humanas apreendidas em laboratórios do TO são catalogadas pelo Lacen após operação da polícia

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Empresas tinham contrato com o Governo do Tocantins e analisavam amostras de pacientes do SUS. Durante investigação em Palmas a polícia encontrou membros humanos armazenados em potes de doces; dias depois materiais biológicos foram achados em uma rua de Araguaína. Amostras eram guardadas dentro de vários tipos de potes de plástico
SSP/Divulgação
O Laboratório Central do Tocantins (Lacen) catalogou mais de 4 mil amostras de pacientes para realisar análises clínicas. Os materiais foram apreendidos em dois laboratórios, em Palmas e Araguaína, após uma operação policial. As unidades faziam exames de pacientes de hospitais públicos em condições precárias. Uma delas armazenava membros humanos em potes reutilizados.
Conforme o SES, o trabalho minucioso de catalogação das amostras terminou nesta quarta-feira (25), mais de duas semanas após a operação. Outras empresas serão contratadas para realizar novas análises. O prazo para entrega de resultados não foi informado.
As unidades que foram interditadas por irregularidades prestavam serviços para o governo do estado. Segundo a polícia, o Sincar Laboratórios, que funcionava na capital, atendia principalmente pacientes com suspeita ou em tratamento de câncer. No local eram feitas análises de exames de anatomia patológica e imunohistoquimica.
No local foram apreendidas 1.590 amostras para exames anatomopatológicos e de imunohistoquímica. Imagens impressionantes feitas nos fundos da unidade mostram que as os materiais ficavam em uma área sem refrigeração e dentro de potes de doces, manteiga e achocolatado.
A empresa também não tinha alvará de funcionamento. As investigações apontam que o laboratório recebeu mais de R$ 3 milhões do governo entre 2017 e 2020. A defesa dos empresários nega irregularidades.
Operação apreendeu amostras humanas em potes de plástico
Divulgação/Polícia Civil
Conforme a Secretaria de Saúde, o trabalho realizado pelo Lacen resultou em identificação nominal dos pacientes, mineração dos casos em que o processo analítico havia sido iniciado, tipo de amostra recolhida, classificação para as prioridades, identificação das unidades de origem e organização das amostras a serem destinadas aos prestadores que irão assumir as análises e emissão dos respectivos laudos.
O governo informou que a SES já realiza busca por empresas com perfis e capacidade técnica assumir o trabalho de analisar as amostras.
“Estas equipes compõem técnicos com capacidade para análise estrutural, capaz de realizar o trabalho dentro do prazo e com a qualidade necessária. Vale destacar que os contratos a partir de agora também terão fiscalização múltipla, para que possamos evitar situações como as que estamos passando. As empresas precisam de capacidade técnica especializada”, disse o secretário de saúde, Afonso Piva.
Amostras apreendidas em Araguaína
Também foram catalogadas 2.762 amostras de exames de rastreamento do câncer de colo de útero recolhidos do IPC laboratórios, em Araguaína. A polícia encontrou amostras biológicas em uma rua da cidade um dia após a operação interditar laboratório de Palmas.
O material será analisado pela equipe técnica do laboratório estadual.
“Já vínhamos nos preparando para realizar os exames citopatológicos, com previsão inicial para atender parte das demandas dos 119 municípios pactuados para serviços terceirizados pela SES, a partir de agosto deste ano. Devido o ocorrido, agilizamos os processos e a partir da próxima semana iniciaremos as análises das amostras relacionadas ao rastreamento do câncer de colo de útero, dos 57 municípios que eram atendidos pelo IPC”, afirmou a diretora do Lacen, Jucimária Dantas.
Entenda
As investigações que levaram a Polícia Civil à sede do laboratório Sicar, em uma casa de Palmas, inicialmente apuravam um grupo suspeito criar empresas de fachada para praticar fraudes e estelionato. O delegado responsável pelo caso disse que foi uma surpresa encontrar centenas de amostras humanas em potes plásticos de forma improvisada e irregular. Duas pessoas foram presas em flagrante, mas pagaram fiança e foram liberadas.
Secretário Estadual da Saúde fala sobre investigação do falso laboratório
“Para a nossa surpresa, a gente encontrou realmente muito material biológico, coletas, vísceras humanas, não estavam com a devida destinação, não era feito o cuidado necessário, até como forma de respeito ao material que foi coletado. Isso nos causou surpresa”, comentou o delegado Evaldo de Oliveira Gomes.
O advogado do laboratório Sicar negou que existissem irregularidades e disse que os potes encontrados eram dos próprios hospitais públicos.
Durante a operação no Laboratório Sicar os agentes encontraram centenas de amostras e até órgãos humanos, como úteros, estavam sendo armazenados em todo tipo de potes de plástico espalhados de forma improvisada nos cômodos da casa. Alguns estavam até na área externa do imóvel dentro de caixas.
Também foram encontrados recipientes de coleta de urina e fezes mergulhados em um balde para serem lavados e posteriormente reaproveitados. Além disso, os papéis de pedido dos exames estavam submersos dentro das próprias amostras. O local foi interditado pela Vigilância Sanitária e pelo Conselho de Medicina.
Algumas amostras estavam em caixas a céu aberto
SSP/Divulgação
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Fonte: G1 Tocantins