Invasão do Capitólio por seguidores de Trump ainda divide os republicanos

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Para 52% dos partidários, insurgentes envolvidos no motim estavam protegendo a democracia — um indício do poder que o ex-presidente dos EUA exerce sobre a legenda. Há um ano os americanos assistiram estarrecidos à invasão do Capitólio por uma multidão de simpatizantes do então presidente dos EUA, disposta a impedir a certificação de seu sucessor. Ato contínuo, Joe Biden tomou posse e Donald Trump se livrou de mais um impeachment, embora esteja permanentemente atrelado às cenas de horror no Congresso.
A percepção da população pouco mudou após o fatídico 6 de janeiro: para 72% dos entrevistados pela pesquisa Ipsos ABCNews, os invasores representavam uma ameaça à democracia, incitados pelo ex-presidente Donald Trump.
As imagens de vandalismo e violência na sede do Legislativo, entretanto, ainda dividem os republicanos: 52% dizem que os envolvidos no motim estavam protegendo a democracia, num indício do poder que o ex-presidente ainda exerce sobre o partido.
Dos 700 indiciados até agora pelo ataque, pelo menos 100 admitiram ter vínculos com organizações extremistas ou supremacistas, como o movimento QAnon, os Proud Boys, os Oath Keepers e os Three Percenters. Cerca de 70 foram condenados por crimes relacionados aos distúrbios. Mais de 220 são acusados de agredir ou impedir policiais no Capitólio. Mas a maior parte dos insurgentes não tinha laços com grupos radicais.
A maior sentença – prisão de cinco anos e três meses – foi para Robert Palmer, de 54 anos, morador da Flórida, que enfrentou a polícia com um extintor de incêndio e uma prancha de madeira. Numa carta à juíza Tanya S. Chutkan, ele se disse arrependido e reconheceu que Trump e seus aliados mentiram aos simpatizantes, “cuspindo a falsa narrativa sobre uma eleição roubada”.
Um pouco antes da invasão, o ex-presidente conclamou a turba a “lutar como no inferno” para defender a democracia. Os insurgentes pró-Trump deram ao ataque contornos de uma batalha medieval. Dentro do prédio, saíram à caça do vice-presidente Mike Pence, que presidia a sessão do Congresso, e da presidente da Câmara, Nancy Pelosi, forçando-os, assim como centenas de congressistas, a buscar refúgio em um esconderijo.
Paralelamente aos processos na Justiça, um comitê na Câmara dos Representantes investiga minuciosamente o que levou à invasão, para determinar também a participação e a conduta do ex-presidente.
O silêncio de Trump naquele dia diz mais do que as frases incendiárias pronunciadas pouco antes da insurreição. Enquanto o prédio era vandalizado e os policiais acuados, ele se calou por mais de três horas, o que, na ótica de seus seguidores, serviu de injeção de ânimo para que prosseguissem com a depredação.
Até agora, o ex-presidente teve sucesso para bloquear o acesso dos investigadores da Câmara aos registros da Casa Branca. Dois de seus principais assessores – o ex-estrategista Steve Bannon e o chefe de Gabinete, Mark Meadows, enfrentam acusações de desacato, por se recusarem a cooperar.
Com 40 integrantes que já examinaram 35 mil documentos, o comitê corre contra o tempo para terminar o trabalho até as eleições de novembro. Se os democratas perderem o controle da Câmara, como as pesquisas indicam, a investigação certamente cairá no vazio.

Fonte: G1 Mundo