Advocacia-geral da União pediu bloqueio de R$ 6,5 milhões em bens de 52 pessoas e sete empresas em todo país. Vândalos atacaram prédios do Planalto, do Congresso e do STF no último domingo. Bolsonaristas durante atos terroristas em Brasília
Marcelo Camargo/Agência Brasil
Uma empresa de ônibus de Araguaína, no norte do Tocantins, foi citada pela Advocacia-Geral da União (AGU) nesta quinta-feira (12). O nome consta em um pedido feito à Justiça Federal do Distrito Federal para bloquear R$ 6,5 milhões de empresas e pessoas que supostamente tenham financiado o transporte dos envolvidos nos atos de terrorismo na Esplanada dos Ministérios, no último domingo (8).
Jean Rycardo Alves Cordeiro, proprietário da Transviagens – que foi citada no documento -, disse ao g1 por telefone que sua empresa apenas foi contratada para fazer o transporte de passageiros. Ele afirmou que não tem nenhum vínculo com os manifestantes e que o veículo chegou a ser detido pela polícia, mas foi liberado horas depois. Também disse que ficou sabendo do pedido de bloqueio durante o contato da reportagem e vai procurar um advogado para apresentar defesa.
Já ao ser procurado por uma equipe da TV Anhanguera, Jean Rycardo afirmou que o veículo na verdade tinha sido arrendado de outra pessoa e toda a responsabilidade seria do dono do veículo.
Veja lista de pessoas e empresas apontadas pela AGU como financiadoras dos atos golpistas
O pedido de bloqueio de bens foi apresentado nesta quarta-feira (11) pelo procurador-geral da União, Marcelo Eugenio Feitosa Almeida. O documento a que o g1 teve acesso traz o nome de 52 pessoas e sete empresas.
No ataque de domingo, golpistas invadiram as sedes do Congresso Nacional, do Supremo Tribunal Federal (STF) e da Presidência da República, o Palácio do Planalto. Nos locais, eles quebraram vidraças e móveis, vandalizaram obras de arte, objetos históricos e gabinetes de autoridades, rasgaram documentos e roubaram armas.
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Para a AGU, o grupo de financiadores do transporte teve “papel decisivo no desenrolar fático” dos ataques às sedes dos Poderes da República e, por isso, “devem responder pelos danos causados ao patrimônio público federal e derivados”.
Por isso a quantia bloqueada seria usada para ressarcir o poder público pelos danos causados aos prédios – quando houver condenação judicial nesse sentido.
Denúncias
Além desta empresa do Tocantins denunciada pela AGU, pelo menos dois tocantinenses estariam envolvidos nos ataques e foram presos em flagrante pela polícia em Brasília – entre eles um servidor público do governo do estadual.
Também há duas servidoras da Prefeitura de Palmas que postaram imagens no local dos ataques e devem ser investigadas pelo município.
Denúncias sobre pessoas que participaram do ato golpista que invadiu prédio dos três poderes em Brasília podem ser feitos no portal da Controladoria Geral da União. No Tocantins, o estado criou um canal para denúncia da participação de servidores públicos.
A prefeitura de Palmas também vai investigar a participação de servidores nos atos golpistas, sendo que pelo menos duas servidoras foram identificadas nas redes sociais.
Resumo dos ataques
Radical segura bandeira do Brasil durante invasão ao Congresso em Brasília
REUTERS/Adriano Machado
Bolsonaristas terroristas invadiram e depredaram Palácio do Planalto, Congresso e STF. Veja fotos da destruição.
A PM do DF não conteve a ação dos terroristas e foi criticada e acusada de omissão.
Obras de arte e móveis foram quebrados no palácio presidencial. O plenário do STF ficou destruído. Veja FOTOS e VÍDEOS da barbárie.
Lula decretou intervenção federal para assumir a segurança do DF.
O ministro do STF Alexandre de Moraes determinou o afastamento do governador Ibaneis Rocha (MDB) por, pelo menos, 90 dias. Quem assume o cargo é a vice, Celina Leão (PP).
Segundo a Polícia Civil, em dados atualizados, mais de 700 pessoas foram presas após os ataques.
O coronel que chefiava a PM durante ataques em Brasília, Fábio Augusto, foi preso após determinação de Moraes.
Moraes também ordenou a prisão do ex-secretário de Segurança Pública do DF e ex-ministro da Justiça de Bolsonaro, Anderson Torres.
Veja mais notícias da região no g1 Tocantins.
Fonte: G1 Tocantins
