Advogado diz que cinco agentes teriam se negado a colaborar com possíveis casos de corrupção dentro da Polícia Civil. No dia da operação, mandados de busca foram cumpridos na sede da Denarc
PF/Divulgação
Após o Ministério Público Estadual (MPE) oferecer denúncia contra agentes de polícia civil suspeitos de integrarem suposto grupo de extermínio na capital, o advogado dos citados se posicionou alegando que o grupo é inocente e vítima perseguição por não colaborar com possíveis ilegalidades dentro da Polícia Civil. Também afirmou que mortes citadas na denúncia se tratam de ‘guerra de facções’.
Os agentes Antonio Martins Pereira Junior, Carlos Augusto Pereira Alves, Giomari dos Santos Junior, Callebe Pereira da Silva e Antônio Mendes Dias foram presos na Operação Caninana, em 22 de junho, que investiga um suposto grupo de extermínio que também teria o envolvimento de delegados.
No dia 15 de julho, a 1ª promotoria de Justiça da capital denunciou, além dos agente já citados, os delegados Ênio Walcacer de Oliveira Filho e Amaury Santos Marinho Junior. Eles não estão presos, mas foram afastados das funções.
Em entrevista coletiva realizada na tarde desta quarta-feira (20), Antonio Ianowich, que defende os agentes os cinco agentes, afirmou que eles foram vítimas de uma possível ‘conspiração’ e que na denúncia do MPE não há nenhuma ‘prova circunstancial’ que os incrimine.
A denúncia cita que o grupo de extermínio seria responsável por cinco mortes que ocorreram no mesmo dia, em março de 2020. Duas foram registradas no setor União Sul e três no Aureny I. A promotoria afirma que os assassinatos teriam sido cometidos com o possível objetivo de fazer uma ‘limpeza social’ em Palmas, já que as vítimas eram pessoas com antecedentes criminais.
Os policiais ainda teriam, segundo apuração do Ministério Público, utilizado os veículos da Polícia Civil para cometerem os crimes e cada um seria responsável por uma ação na organização.
Sobre essa acusação, Ianowich defendeu que as mortes se tratam de uma possível guerra de facção e que todos os policiais tinham acesso aos carros supostamente presentes nos crimes.
“Eles são acusados de uma prática que eles não cometeram e o pano de fundo para essas acusações são desacreditadas pelas provas que eles têm de tentativas e até mesmo ilícitos praticados por delegados de polícia com o objetivo de falsificar provas e produzir inquéritos falsificados”, defendeu.
A presidente do Sindicato dos Policiais Civis do Estado do Tocantins, Suzi Francisca, informou que a entidade também está em favor dos agentes investigados. “Os nossos advogados vão defender os nossos policiais, que são inocentes. os nosso policiais são inocentes”, disse.
A prisão preventiva dos cinco agentes de polícia foi decretada pela Justiça no mesmo dia em que a Operação Caninana foi deflagrada. Os delegados Ênio Walcacer e Amaury Santos não tiveram a prisão decretada apesar do pedido na denúncia do MPE.
Mandados foram cumpridos na sede da Delegacia de Narcóticos
Reprodução
LEIA TAMBÉM
Promotoria denuncia dois delegados e cinco agentes de polícia investigados por suposto grupo de extermínio
Justiça mantém prisão preventiva de policiais investigados pela PF por suposto envolvimento com grupo de extermínio
Investigação da PF aponta que grupo de extermínio usava veículos da própria delegacia em homicídios
Possíveis provas
O advogado ainda apresentou na coletiva um possível indício de corrupção dentro da Polícia Civil, em que delegados estariam forjando um suposto flagrante com a utilização de santinhos de políticos. Também teria ocorrido o vazamento de informações por parte de um delegado quanto à operação realizada pela Polícia Federal.
“Com isso trouxemos uma primeira prova, que já estamos tentando entrar em contato com o Ministério Público, disponibilizar a gama de elementos que meus clientes têm e que justificam e comprovam a tentativa e o objetivo de se criar um factoide em relação a eles para que não apresentem esses elementos de prova e essas ilicitudes praticadas por alguns delegados”, disse.
O que diz a SSP
A Secretaria da Segurança Pública do Tocantins (SSP) informou, em nota, que existe uma sindicância em andamento para apurar um um suposto vazamento de informações e que a denúncias de que delegados teriam forjado provas para inquéritos serão apuradas pela Corregedoria-Geral.
A nota também afirmou que o suposto envolvimento de agentes públicos da SSP em homicídios tramita em inquérito policial sigiloso e que o possível uso indevido de carros da instituição para os crimes será apurado, mas que os mesmos possuem utilização controlada.
Veja mais notícias da região no g1 Tocantins.
Fonte: G1 Tocantins
