Servidora de um Distrito de Saúde e caciques afirmam que faltam profissionais, medicamentos e até combustíveis para atender as aldeias. Ministério da Saúde irá investigar situação. Thamyrys Txiwenona Karaja morreu em um barco a caminho do hospital
Divulgação
Os povos indígenas do Tocantins estão enfrentando sérios problemas relacionados aos serviços de saúde. Crianças estão adoecendo e até morrendo por falta de encaminhamentos médicos para doenças como pneumonia ou infecção intestinal. Uma enfermeira que atua em unidade dos chamados Distritos de Saúde falou da real condição de trabalho nas unidades.
Thamyrys Txiwenona Karaja, de 3 anos, da Aldeia Fontoura, na Ilha do Bananal, e Filk Baywiru Karajá, de 1 ano e sete meses, da mesma região, são as últimas vítimas do descaso com os povos originários.
A menina foi diagnosticada com pneumonia e asma e morreu em um barco no Rio Araguaia, a caminho de uma unidade hospitalar. Já uma infecção intestinal tirou a vida de Filk há um mês.
Nos últimos meses, outras duas crianças morreram na mesma região. Utai Kureheru Iny, da Aldeia Macaúba, também tinha pneumonia. Em uma aldeia do povo Tapirape, João Miguel tinha hipoglicemia e precisava de tratamento contínuo. Ele também não resistiu.
Utai Kureheru Iny sofria de pneumonia e teve uma parada cardíaca
Arquivo pessoal
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Sem estrutura
A saúde indígena é administrada em Distritos Sanitários (Dseis). Uma enfermeira que trabalha em um deles e que pediu para não ser identificada denunciou as condições de trabalho.
“Nos últimos meses do último ano, a gente sofreu porque começou a ter cortes, a fracionar as aquisições, a não descentralizar recursos. Tem Dseis que estão, nessa altura de janeiro, sem salário. Tem Dsei sem energia, por conta de corte de orçamento do governo passado, então tudo isso é muito difícil”, relatou a profissional.
O cacique da aldeia São Domingo, Rafael Twe Karaja, disse que o serviço não atende o povo como deveria e que eles passam vários períodos sem a visita de profissionais. “A saúde indígena, que é especifico para indígena, está meio largado. Deixando de atender os nossos povos. Principalmente os mais velhos e as crianças. Já tem meses, semanas que não vem um doutor pra dar assistência né, atendimento, que é o básico”.
A dificuldade de acesso e as longas distâncias são os principais problemas na Ilha do Bananal. mas não são os únicos obstáculos pra garantir o direito dos povos indígenas ao atendimento de saúde. Mesmo nos territórios com boas estradas, as lideranças contam que faltam medicamentos, especialistas, exames e até combustível para as ambulâncias.
Em Tocantinópolis, uma criança do Povo Apinajé, conseguiu vaga em um hospital no dia 20 de janeiro. Mas, segundo a mãe, Marlucia Apinajé, até agora, nenhum exame foi feito para diagnosticar qual o problema de saúde o menino enfrenta. “Estou preocupada com meu filho, sofrendo junto com meu filho”, lamentou.
O que diz o Ministério de Saúde
Questionado, o Ministério da Saúde informou que tomou conhecimento dos óbitos e irá investigar os casos, assim como a assistência prestada à população indígena da região.
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Fonte: G1 Tocantins
