Ucrânia tentou evitar pânico, mas informou sobre riscos a civis antes da guerra, diz diplomata

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Nesta quinta, em audiência no Senado, ministro das Relações Exteriores, Carlos França, disse que Itamaraty não orientou brasileiros a deixar o país a pedido da Ucrânia. Senado debate o posicionamento do Brasil sobre a guerra na Ucrânia
O encarregado da Embaixada da Ucrânia no Brasil, Anatoliy Tkach, afirmou nesta quinta-feira (24) que o governo ucraniano tentou evitar pânico, mas divulgou informações sobre riscos a civis antes do início da guerra provocada pela invasão russa.
Anatoliy Tkach deu a declaração após ter sido questionado sobre uma fala do ministro das Relações Exteriores do Brasil, Carlos França. Em audiência nesta quinta no Senado, França afirmou que o Itamaraty levou em consideração um pedido do governo da Ucrânia ao não orientar brasileiros a deixarem o país antes da deflagração do conflito.
“No momento antes do início da guerra, a Ucrânia estava tentando que não acontecesse um pânico. No entanto, as informações sobre todos os riscos, sobre riscos para população civil, foram divulgadas”, disse Tkach.
No Senado, Carlos França disse que a Ucrânia entendia que pedidos para residentes deixarem o país poderiam alastrar o pânico dentro e fora do país. A Rússia invadiu a Ucrânia em 24 de fevereiro. Mas semanas antes, já havia movimentação de tropas russas na fronteira.
Em 13 de fevereiro, o embaixador brasileiro na Ucrânia, Norton Rapesta, disse em entrevista à GloboNews que “não havia nenhum motivo para se alarmar ou sair fugido daqui”. Naquele mesmo período, vários países já aconselhavam os seus cidadãos a deixarem a região da Ucrânia, entre eles: Estados Unidos, Reino Unido, Holanda, Canadá, Japão, Bélgica, Estônia, Lituânia, Austrália, Itália, Israel e a própria Rússia.
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“O Itamaraty levou em consideração pedidos feitos reiteradamente pelo governo ucraniano a toda comunidade internacional antes do início do conflito, no sentido de evitar recomendações de partida de residentes na Ucrânia. Autoridades ucranianas declaravam ostensivamente nas semanas anteriores ao conflito que recomendações de partida eram ‘prematuras’, uma demonstração de ‘cautela excessiva’ e contribuíram para ‘espalhar pânico’ entre ucranianos e estrangeiros”, afirmou o ministro aos senadores.

Fonte: G1 Mundo