Ex-presidente americano descreveu o general de 4 estrelas, que trabalhou com Bush e Reagan, como um republicano desleal que apoiou a invasão ao Iraque com base em evidências falsas. Imagem de Donald Trump em 12 de janeiro de 2021
Carlos Barria/Reuters
O ex-presidente americano Donald Trump atacou nesta terça-feira (19) o general Colin Powell, ex-chefe da diplomacia dos Estados Unidos, descrevendo-o como um republicano desleal que apoiou a invasão ao Iraque em 2003 com base em evidências falsas.
O ataque foi feito no dia seguinte à morte de Powell, um herói da guerra do Vietnã que se tornou o primeiro negro a ser secretário de Estado dos EUA (o responsável pela diplomacia americana), no governo do também republicano George W. Bush.
O general de quatro estrelas também foi conselheiro de Segurança Nacional de Ronald Reagan e chefe do Estado-Maior Conjunto das Forças Armadas de George H.W. Bush, pai de George W. Bush, e morreu de complicações ligadas à Covid-19 (veja no vídeo abaixo).
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Powell foi um crítico ferrenho de Trump e inclusive pediu sua renúncia após o ataque ao Capitólio feito por apoiadores do então presidente americano.
“É maravilhoso ver Colin Powell, que cometeu grandes erros no Iraque e nas famosas chamadas armas de destruição em massa, ser tratado na morte com tanta beleza pelos veículos de notícias falsas. Espero que isso aconteça comigo algum dia”, afirmou Trump em um comunicado.
“Era um RINO clássico, sempre o primeiro a atacar outros republicanos. Cometeu muitos erros, mas de qualquer maneira, que descanse em paz!”, escreveu Trump. RINO é a sigla de “Republican In Name Only” (“republicano só de nome” em tradução livre).
Apesar de ter trabalhado apenas em governos republicanos, Powell apoiou apenas candidatos democratas à Casa Branca desde 2008: duas vezes Barack Obama e depois Hillary Clinton e Joe Biden.
Colin Powell ao lado de George W. Bush em foto de agosto de 2004
Larry Downing/Reuters
Powell admitiu em vida que seu discurso de fevereiro de 2003 no Conselho de Segurança da ONU, no qual defendeu a suposta existência de armas de destruição em massa no Iraque, foi “uma mancha” em sua carreira. A alegação depois se mostrou falsa.
Ataque a John McCain
Não é a primeira vez que Trump ataca uma personalidade pública que tinha acabado de morrer. Ele fez isso com John McCain, senador do Arizona que morreu de um tumor no cérebro em 2018.
John McCain durante coletiva de imprensa no Capitólio dos EUA
Aaron P. Bernstein/Reuters
McCain também era um crítico do ex-presidente e chegou a dizer em vida que não o queria em seu funeral — desejo que foi atendido (veja no vídeo abaixo).
Após críticas, Trump expressou “respeito” por McCain, que assim como Powell também era um veterano da Guerra do Vietnã, e determinou que as bandeiras fossem hasteadas a meio mastro.
“Apreciamos verdadeiramente tudo o que o senador McCain fez por nosso país”, disse Trump posteriormente durante um jantar na Casa Branca para líderes evangélicos.
Sete meses depois, o ex-presidente americano disse que deu ao senador “o funeral que queria e não recebeu nem um ‘obrigado’”.
Antes de morrer, John Mccain declarou não querer Donald Trump em seu funeral
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Fonte: G1 Mundo
