Shinzo Abe: mortes por armas de fogo são raras no Japão; atirador usou artefato de fabricação caseira

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Abe foi baleado duas vezes enquanto fazia um discurso na cidade de Nara, região central do Japão. De acordo com a emissora pública NHK, o suspeito usou uma arma artesanal, que parecia ser uma espingarda de cano duplo improvisada ou caseira.
Ex-premiê japonês Shinzo Abe é baleado durante discurso
A morte do ex-primeiro-ministro japonês Shinzo Abe, que morreu após o ataque a tiros nesta sexta-feira (8), choca um país onde é muito difícil de se obter armas de fogo e a violência política é extremamente rara.
Abe foi baleado duas vezes na cidade de Nara, na região central do Japão, enquanto fazia um discurso. O atirador foi identificado como Tetsuya Yamagami, de 41 anos, e está preso.
O suspeito teria usado uma arma artesanal, que parecia ser uma espingarda de cano duplo improvisada ou caseira, segundo a emissora pública NHK. Reportagens da imprensa local dizem que o atirador seria um ex-integrante da Força de Autodefesa Marítima do Japão, o equivalente japonês da Marinha.
As restrições de posse de armas do Japão não permitem que cidadãos comuns tenham revólveres, e caçadores licenciados podem adquirir apenas rifles. Os donos de armas devem assistir às aulas, passar por um teste , por uma avaliação de saúde mental e uma verificação de antecedentes criminais.
Para se ter uma ideia, em 2014, houve apenas seis incidentes de mortes por armas de fogo no Japão, em comparação com 33.599 nos EUA.
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Ataques a políticos também são incomuns. Um recente e mais notável aconteceu em 2007, quando o prefeito de Nagasaki foi baleado e morto por um criminoso – o incidente que resultou em um endurecimento ainda maior das regulamentações sobre armas.
A última vez que um ex-primeiro-ministro foi morto foi em 1936, durante o militarismo radical do Japão antes da Segunda Guerra Mundial.
“Estou muito chocada”, disse a governadora de Tóquio, Yuriko Koike, em uma coletiva de imprensa antes do anúncio da morte de Abe, lutando contra as lágrimas. “Não importa o motivo, um ato tão hediondo é absolutamente imperdoável. É uma afronta à democracia”, lamentou Yuriko.
BBC: Equipes de emergência na praça da estação Kintetsu Yamato-Saidaiji após o ataque a Abe
GETTY IMAGES
Abe estava acompanhado por uma equipe de segurança, mas parece que o atirador conseguiu chegar a poucos metros do político sem nenhum tipo de impedimento.
O ataque a tiros contra uma figura tão proeminente é profundamente chocante em um país que se orgulha de ser seguro.
*Com Reuters .

Fonte: G1 Mundo