País vem registrando um aumento no número de infecções, mas especialista afirma que novo surto não estaria ligado ao surgimento desta nova variante. Imagens de microscópio mostram partículas do coronavírus que causam a Covid-19 retiradas de um paciente nos EUA
NIAID-RML via AP
O governo britânico, que enfrenta um aumento significativo dos casos diários de covid-19, anunciou nesta terça-feira (19) que “monitora muito de perto” uma nova subvariante do coronavírus que está se propagando no Reino Unido, sem saber ainda se é mais contagiosa.
A nova mutação, denominada “AY4.2”, deriva da variante delta, altamente transmissível, detectada inicialmente na Índia e que provocou uma disparada de casos no Reino Unido no final da primavera boreal (outono no Brasil).
“Estamos monitorando muito de perto esta nova forma e não hesitaremos em tomar medidas caso seja necessário”, afirmou nesta terça-feira um porta-voz de Downing Street. No entanto, “não há nenhum motivo para acreditar que esteja se espalhando com mais facilidade”, afirmou.
O surgimento desta nova subvariante ocorre em um momento em que o país, um dos mais castigados da Europa com 138.000 mortes por covid-19, enfrenta um número crescente de casos positivos.
Há duas semanas, os novos casos diários oscilam entre 35.000 e 45.000, com uma taxa de incidência de 410 casos a cada 100.000 habitantes até 12 de outubro, muito maior que a do restante da Europa.
Alguns cientistas atribuem essa deterioração, que no momento afeta principalmente os adolescentes e adultos jovens, ao baixo nível da vacinação entre os mais novos, à redução da imunidade nos idosos que se vacinaram há muitos meses e ao levantamento da maioria das restrições em julho na Inglaterra, como o uso de máscara em lugares fechados.
Na opinião do diretor do Instituto de Genética da University College London, François Balloux, a nova variante “não é a causa do recente aumento do número de casos no Reino Unido”.
O cientista explicou que, com sua baixa frequência atual, até “10% mais de transmissibilidade só poderia ter causado um pequeno número de casos adicionais”.
O surgimento da AY4.2 “não é uma situação comparável à das cepas alfa e delta, que eram muito mais transmissíveis (50% ou mais) do que qualquer cepa que circulava naquele momento”, afirmou.
A nova variante AY4.2 é quase inexistente fora do Reino Unido, com exceção de três casos detectados nos Estados Unidos e alguns poucos na Dinamarca, que desde então quase desapareceram.
Sua reação diante das vacinas existentes está sendo investigada.
Fonte: G1 Mundo
