Prontuários mostram a linha do tempo com sintomas de Briner Bitencourt, que morreu no dia que seria liberado de presídio

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O jovem foi preso por tráfico de drogas e passou um ano tentando provar inocência. Ele foi inocentado dois dias antes de morrer, mas o alvará de soltura chegou ao presídio horas após a morte. Briner de Cesar Bitencourt tinha 23 anos e morreu enquanto estava preso
Arquivo pessoal
Foram menos de duas semanas entre os primeiros sintomas e a morte do motoboy Briner de César Bitencourt, de 22 anos. Ele estava preso há um ano na Casa de Prisão Provisória de Palmas (CPP) tentando provar a inocência e morreu no dia em que seria liberado, dois dias após ser absolvido pela Justiça. Os registros internos da unidade relatam como foi o atendimento ao jovem antes da morte.
O que se sabe sobre o caso de Briner de César Bitencourt
Os boletins foram publicados pelo Jornal do Tocantins. Em nota a Secretaria de Cidadania e Justiça afirmou que prestou toda assistência necessária ao jovem. Veja abaixo como foi o atendimento a Briner:
3 de outubro
Briner foi atendido pela primeira vez na enfermaria da Casa de Prisão Provisória de Palmas (CPP). Uma enfermeira registrou queixa de náuseas e vômito há quatro dias, ou seja, teria começado a apresentar sintomas no dia 29 de setembro.
4 de outubro
Ele voltou à enfermaria queixando-se de dor na região anal, constipação intestinal, vômito e falta de apetite.
6 de outubro
Briner volta à enfermaria da prisão queixando-se de náuseas e vômito associada dor na região do estômago. Ele permanecia com constipação intestinal e apresentava fraqueza.
9 de outubro
Briner passou mal às 20h55. A equipe de plantão foi chamada ao pavilhão onde encontrou o jovem reclamando de dores abdominais e náuseas. Ele foi levado à enfermaria e a triagem identificou que ele estava com pressão baixa.
O Samu foi chamado e prestou atendimento na própria ambulância com medicação endovenosa – o documento não diz qual medicação foi utilizada.
Ele permaneceu na enfermaria sendo monitorado até 23h50, quando sua pressão arterial caiu bruscamente para 79/40. O Samu voltou a ser chamado e chegou dez minutos depois.
O jovem foi levado para a Unidade de Pronto Atendimento Sul, onde morreu às 4h15 da manhã do dia 10 de outubro.
10 de outubro – Atendimento na UPA
O prontuário de atendimento na UPA Sul diz que o jovem apresentava dor abdominal intensa, vômitos, pressão baixa, melena – termo médico utilizado para descrever fezes muito escuras, com mal cheiro e presença de sangue.
Também foi relatado falta de apetite e fraqueza progressivas, “com início dos sintomas há 14 dias de piora progressiva”.
Na UPA ele apresentou falta de ar, queda de saturação de oxigênio e dor abdominal. Ele foi intubado, mas teve uma parada cardiorrespiratória com sangramento oral. A equipe tentou manobras de ressuscitação, mas ele morreu às 4h15. O documento não diz a causa da morte, e ainda não há um prazo para que o laudo com essa informação fique pronto.
Entenda o caso
Briner de César Bitencourt tinha 23 anos
Arquivo pessoal
Briner de César Bitencourt foi preso em outubro de 2021 durante uma operação da Polícia Militar (PM) em que foi encontrada uma estufa utilizada para o cultivo de maconha em Palmas. Ele não tinha passagens pela polícia e há um ano negava envolvimento com o crime.
Próximo a data de seu julgamento, Briner começou a ter dores pelo corpo. Segundo a Secretaria de Estado da Cidadania e Justiça (Seciju), responsável pelos presídios e detentos do Tocantins, o quadro de saúde piorou na noite de domingo (9) para segunda (10), quando morreu.
Durante todo o tempo que esteve preso, a família de Briner não foi informada sobre a situação dele. Em nota a Seciju disse que seguiu o protocolo ao deixar de falar para a família sobre o estado de saúde dele e comunicar apenas o óbito.
Absolvido, mas não solto
Jovem preso passa um ano lutando pra provar inocência, é absolvido, mas morre antes de chegar alvará de soltura
A sentença que absolveu Briner pelo crime de tráfico de drogas saiu na última sexta-feira (7). A defesa do jovem disse que quando o juiz publicou a sentença com a absolvição, não tinha mais ninguém para dar andamento e expedir o alvará de soltura.
A autorização para a soltura de Briner só chegou ao presídio dois dias depois. A Seciju informou que a Central de Alvarás de Soltura recebeu o alvará autorizando a liberação de Briner na segunda-feira (10) às 15h40, quando o jovem já estava morto.
O Tribunal de Justiça foi questionado sobre o atraso na liberação do alvará de soltura e por nota informou que o processo obedeceu ao trâmite normal, ‘sem qualquer evento capaz de macular ou atrasar o andamento do feito’.
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Fonte: G1 Tocantins