‘Preocupação é com aumento do custo de vida’, diz brasileiro que mora na Rússia, a 300 quilômetros da fronteira com a Ucrânia

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O pernambucano André Vieira, de 29 anos, estuda medicina na cidade de Krasnodar. Apesar da guerra na Ucrânia, clima é de tranquilidade na Rússia, de acordo com ele. Brasileiro que mora em cidade russa a 300 quilômetros da fronteira com a Ucrânia diz ter medo de aumento de preços
A guerra entre a Ucrânia e a Rússia provocou a imposição de uma série de sanções econômicas em reação à invasão de cidades ucranianas. O pernambucano André Vieira, de 29 anos, mora na cidade russa de Krasnodar, a cerca de 300 quilômetros da fronteira com o país invadido e está preocupado com os efeitos das sanções econômicas impostas à Rússia devido ao conflito (veja vídeo acima).
“A preocupação é com aumento do custo de vida. Com algum tipo de sanção econômica e que isso venha afetar a gente no dia a dia, em relação ao aumento no preço de produtos, do próprio custo de vida em si, no território russo, e com o aumento do dólar”, afirmou.
André se mudou há cinco anos para estudar medicina na universidade da cidade russa. A distância entre Krasnodar e a fronteira com a Ucrânia é pouco maior que a distância entre o Recife e a cidade de Arcoverde, no Sertão de Pernambuco, por exemplo.
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Apesar disso, segundo André, o clima é de tranquilidade no local, mesmo com ondas migratórias de pessoas que, para fugir da guerra, decidiram pedir asilo em outros países, inclusive na Rússia, que invadiu a Ucrânia.
Na quinta-feira (23), a Ucrânia fechou seu espaço aéreo para voos civis, depois que a Rússia decidiu atacar o país. Perto da fronteira, a Rússia também fechou o próprio espaço aéreo, inclusive na cidade onde mora o estudante pernambucano.
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“Foi um dos 12 aeroportos russos que fecharam justamente por precaução, por medida de segurança para evitar qualquer tipo de problema no espaço aéreo russo. No entanto, a vida aqui segue normal, as pessoas seguem normais, fazendo todas as suas obrigações diárias”, disse.
André Vieira contou que decidiu morar na Rússia devido à qualidade do ensino, ao preço pelo curso e, também, por causa da segurança. No país europeu, o curso de medicina dura sete anos, sendo um deles para um curso intensivo da língua russa.
André Vieira mora na Rússia, a 300 quilômetros da fronteira com a Ucrânia
Reprodução/WhatsApp
“Eu, como estudante, tenho ido todos os dias para a universidade, frequentado todas as aulas, fazendo tudo o que devo fazer durante o dia a dia. As pessoas também, no trânsito, nas lojas, nas feiras, nos postos de gasolina. O clima também se encontra normal, não há nenhum indício de qualquer tipo de transtorno, muito menos princípio ou motivo para criar algum tipo de pânico”, declarou.
O estudante também disse que, mesmo se a guerra chegar mais perto da cidade onde ele mora, não pretende sair da Rússia. Ele tem planos de continuar morando no país e de, após concluir o curso de medicina, fazer uma especialização.
“Por parte das autoridades brasileiras, não há nenhuma orientação para deixar as casas nem nada disso. Só foi feito um cadastro por parte da Embaixada Brasileira, do Consulado Brasileiro. Para a cidade em que eu vivo, para a minha rotina, para a rotina das demais pessoas da minha região, o clima é de tranquilidade”, disse.
Outro lado
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Do outro lado da fronteira, em Kiev, a capital ucraniana, morava o recifense Gabriel Melo, de 31 anos (veja vídeo acima). Devido ao alto fluxo de pessoas tentando sair da cidade, localizada perto do centro do país, ele passou dias sem conseguir sair do local, onde os russos também chegaram.
Nesta sexta-feira (25), o pernambucano embarcou em um trem em direção a uma cidade no oeste do país. De lá, Gabriel deve decidir, com amigos que também conseguiram sair, para onde vão para seguir fugindo da guerra.
Na quinta-feira (24), ele disse que as pessoas sequer conseguiam sacar dinheiro nos bancos. Para quem não teve a chance de sair da capital ucraniana, a orientação era procurar bunkers, para se proteger em caso de bombardeios e outros ataques.
O conflito
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O maior ataque de um país europeu contra outro do mesmo continente desde a Segunda Guerra Mundial foi iniciado na madrugada da quinta-feira (24), quando a Rússia invadiu a Ucrânia, realizando ataques por terra, ar e mar (veja vídeo acima).
O conflito começou dias após o presidente russo, Vladimir Putin, ter reconhecido a independência de duas províncias separatistas do leste ucraniano e fazer várias ameaças aos países que tentassem interferir.
Após cidades ucranianas serem atacadas com mísseis e bombas, cenário de caos se instalou, com filas em postos de combustíveis, corridas aos supermercados por mantimentos, engarrafamentos e estações de trens lotadas.
Segundo o governo da Ucrânia, a invasão russa foi “total”. O presidente ucraniano Volodymyr Zelensky afirmou que o país reagiu, matando soldados russos, destruindo tanques da Rússia e derrubando aeronaves, além de distribuir armas ao povo ucraniano.
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Daniel LEAL / AFP
Entre os reflexos do conflito para a economia mundial, estão a queda de bolsas de valores internacionais e o aumento do o preço do petróleo, que ultrapassou 100 dólares pela primeira vez desde 2014.
Líderes mundiais, como o presidente dos Estados Unidos, Joe Biden; o principal diplomata da União Europeia, Josep Borrell; Boris Johnson (Reino Unido), Emmanuel Macron (França) e Olaf Scholz (Alemanha) condenaram os ataques, além da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan).
Segundo a Embaixada do Brasil na Ucrânia, cerca de 500 brasileiros vivem no país, principalmente jogadores de futebol e profissionais de tecnologia da informação. Relatos deles descrevem a situação no território ucraniano como um pesadelo e contam com pedidos de ajuda para voltar para o Brasil.
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Fonte: G1 Mundo