Ourivesaria e tradição são destaque de exposição fotográfica em tecidos: ‘caminhada de preservação’

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Exposição deve rodar por toda a cidade. Obras podem ser apreciadas nas janelas e bandeirolas espalhadas pela cidade. Obras retratam as joias e população de Natividade
Reprodução/Daniel dos Santos
Com tantas belezas, tradições e histórias, a ourivesaria feita em Natividade ganha destaque na exposição fotográfica “Aqui tecemos hoje os tesouros de ontem”. As imagens, impressas em tecidos produzidos pela própria comunidade nativitana, são expostas nas janelas das edificações que fazem parte do conjunto arquitetônico, considerado patrimônio cultural brasileiro.
As obras devem circular por toda cidade, principalmente pelas escolas. A pesquisadora, Renata Ferreira, que trabalhou na produção dos materiais apresentados, conta que o projeto foi bem recebido pela comunidade.
“A reação foi muito positiva, eles gostaram de se reconhecer nas imagens. Tiraram muitas fotos, partiparam da inauguração, falaram sobre o reconhecimento. E a gente percebe que a ourivesaria já é um patrimônio cultural para eles, a gente só precisa reconhecer para o Brasil”, contou.
Exposição é realizada em ambientes abertos, em janelas e praça
Reprodução/Daniel dos Santos
A ideia da exposição surgiu durante a execução da pesquisa. A proposta é para que as obras circulem pela cidade. São 54 fotos produzidas pelos fotógrafos Daniel dos Santos e Rafael Trapp, que trazem olhares diferentes sobre o que as joias representam para os nativitanos.
Dividida em duas séries fotográficas, a primeira retrata as joias como parte da identidade da comunidade e é exposta nas janelas. Já a segunda mostra as joias em um contexto devocional e festivo, nos momentos em que são utilizadas pelos moradores durante a Festa do Divino Espírito Santo, e são expostas em bandeirola.
Roberta e Dona Marcolina participaram da exposição em Natividade
Divulgação/Daniel dos Santos
Uma das participantes do projeto é a professora Roberta Tavares. Morou em Chapada da Natividade durante 17 anos com o esposo nativitano. E durante esse período criou uma conexão forte com cultura do município. Atualmente mora em Dianópolis, mas recentemente visitou a cidade para prestigiar a exposição.
“Fiquei muito feliz de me ver representada junto com Dona Marcolina que é da comunidade de quilombo de Chapada de Natividade. Chapada é bem próximo de onde muitos ourives sempre buscavam ouro para fazer essas joias. E a gente se sente muito feliz de ser convidada para representar essa região”, disse.
Joias produzidas em Natividade
Reprodução/Arquivo Pessoal
As joias de Natividade
A ourivesaria é uma arte realizada desde o período colonial, em que são feitas joias e ornamentos com ouro e prata. José Leal Pereira, de 44 anos, nascido e criado em Natividade é um dos ourives que mantêm a tradição na cidade. Atua na profissão há mais de 20 anos e hoje ensina jovens a arte que é considerada patrimônio cultural do município.
Ao contar sobre a história da ourivesaria, o nativitano destaca a importância que mestres ourives tiveram ao longo dos anos. “Quem trabalhava aqui era o mestre Juvenal. Então a sobrinha e afilhada dele tiveram a preocupação de não deixar acabar essa arte da joalheria, principalmente o trabalho da filigrana. Mestres Val e mestre Bisa foram convidados para ensinar outras pessoas sobre a ourivesaria”.
José Leal trabalha como ourives há mais de 20 anos.
Reprodução/Arquivo Pessoal
Na época foram realizados alguns cursos para que o conhecimento dos mestres ourives fossem passados para outras gerações. José foi aluno da segunda turma. Hoje, o município conta cerca de 20 ourives, mestres e aprendizes.
“É uma arte muito forte aqui. A gente tem essa preocupação de não acabar com essa arte. Nós estamos aqui nessa caminhada de preservação, porque pelo que conhecemos onde se trabalha forte essa arte é na região de Natividade mesmo”, contou o nativitano.
São produzidos brincos, anéis, braceletes, pingentes, e diversas outras joias. O trabalho da filigrana é minucioso, feito a mão e com muito cuidado. O tempo de produção varia de acordo com a peça. Um brinco, por exemplo, é produzido em três dias. Já outras peças levam cerca de uma semana à 15 dias. Todas feitas por agendamento.
Exposição será realizada até o dia 7 de outubro
Divulgação/Daniel dos Santos
A pesquisa deve finalizar no primeiro semestre de 2024 e encaminhada para o Instituto do Património Histórico e Artístico Nacional (Iphan). Ainda neste ano outros projetos sobre a cultura em Natividade devem ser iniciados.
“É um trabalho de parcerias, que é o que a gente sempre tem que buscar nas pesquisas com as comunidades. Então a gente tá aprendendo muito com esse trabalho. É complexo e a gente pretende fazer mais exposições para que mais pessoas sejam vistas e se reconheçam como parte da ourivesaria, que entrelaça muitos sentidos e significados”. explicou a pesquisa Renata.
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Fonte: G1 Tocantins