Ômicron: governo diz que espera ‘mais esclarecimentos’ antes de ampliar restrição de voos

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Anvisa recomendou que Brasil bloqueie viajantes em voos saídos de Angola, Malawi, Moçambique e Zâmbia. Portaria já proíbe pouso de aviões saídos de outras seis nações do sul da África. O governo federal informou nesta terça-feira (30), em nota oficial, que aguarda “mais esclarecimentos” sobre a situação epidemiológica da variante ômicron do coronavírus em Angola, Malawi, Moçambique e Zâmbia antes de definir se bloqueará voos saídos desses países em direção ao Brasil.
“O monitoramento da situação epidemiológica no mundo, em especial nos países com casos confirmados da nova variante, continuará sendo feito pelo Ministério da Saúde, por meio da Secretaria de Vigilância em Saúde, que coordena uma sala de situação para acompanhar a evolução da pandemia no Brasil e no mundo”, diz o comunicado (veja íntegra abaixo).
No sábado (27), a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) emitiu nota técnica para recomendar que o Brasil ampliasse a lista de países do sul da África incluídos nessa restrição de voos, e passasse também a vetar aviões saídos de Angola, Malawi, Moçambique e Zâmbia.
Horas antes, o governo havia publicado uma portaria que proíbe, temporariamente, voos que tenham origem ou passagem, nos últimos 14 dias, por outros seis países africanos: África do Sul — onde a variante foi identificada pela primeira vez —, Botsuana, Eswatini, Lesoto, Namíbia e Zimbábue.
A restrição passou a valer a partir de segunda-feira (29). Assinaram a portaria Ciro Nogueira (Casa Civil), Anderson Torres (Justiça e Segurança Pública), Marcelo Queiroga (Saúde) e Tarcísio Gomes de Freitas (Infraestrutura).
Nesta terça, compareceram à reunião com a Anvisa representantes das mesmas pastas e do Ministério das Relações Exteriores – os ministros não foram ao local. O governo não informou quando será a próxima reunião para tratar dessas restrições.
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A nova variante
Todos os continentes já registram casos da variante ômicron do novo coronavírus. No domingo (28), o Canadá se tornou o primeiro país das Américas a confirmar a infecção, foram 2 casos na província de Ontário.
A variante, inicialmente chamada de B.1.1.529, foi identificada primeiro na África do Sul pelo virologista Tulio de Oliveira, diretor do Centro para Resposta Epidêmica e Inovação do país, que anunciou a descoberta na quinta-feira (25).
A variante preocupa pois tem 50 mutações – algo nunca visto antes –, sendo mais de 30 na proteína “spike” (a “chave” que o vírus usa para entrar nas células e que é o alvo da maioria das vacinas contra a Covid-19).
Íntegra
Leia abaixo a íntegra da nota divulgada pela Casa Civil:
Em reunião nesta terça-feira (30), no Palácio do Planalto, representantes da Casa Civil e dos ministérios da Saúde; Justiça e Segurança Pública; Infraestrutura; Relações Exteriores e da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) decidiram que há necessidade de mais esclarecimentos sobre a situação epidemiológica em Angola, Malawi, Moçambique e Zâmbia, em relação à nova variante do coronavírus, denominada Ômicron, antes da tomada de decisão sobre as restrições recomendadas em nota técnica da Anvisa.
O monitoramento da situação epidemiológica no mundo, em especial nos países com casos confirmados da nova variante, continuará sendo feito pelo Ministério da Saúde, por meio da Secretaria de Vigilância em Saúde, que coordena uma sala de situação para acompanhar a evolução da pandemia no Brasil e no mundo.
O Governo Federal também permanece atento a qualquer modificação no perfil epidemiológico junto aos estados, municípios e ao Distrito Federal, e seguirá atualizando as restrições excepcionais e temporárias de entrada no Brasil com base em estudos e pareceres técnicos de todos os órgãos envolvidos, respeitando os princípios da oportunidade, conveniência e precaução.

Fonte: G1 Mundo