Maria Irene divide a casa com o irmão e devido às dores fortes tem que dormir em uma rede. Ela é do Maranhão e se mudou para Palmas na esperança de se curar. Paciente aguarda há dois meses por exame para iniciar tratamento contra câncer de colo de útero
Diagnosticada com câncer de colo de útero em maio deste ano, a lavradora Maria Irene saiu do Maranhão para o Tocantins em busca de tratamento. Só que a paciente não pode iniciar as sessões sem antes fazer alguns exames, sendo um deles uma tomografia. O problema é que a máquina da rede pública de Palmas estaria quebrada e ela não tem condições de pagar na rede particular.
“Eu ia fazer no hospital, mas a máquina de lá quebrou e não tem previsão de arrumar. Eu me preocupo porque essa doença é muita séria. E cada dia que passa vai ficando mais difícil e pode se espalhar”, lamentou.
A lavradora está desempregada e não tem condições de pagar pelo exame na rede privada. Em Palmas, ela mora de aluguel junto com o irmão em uma kitnet. Durante a noite tem que dividir a cama com sua sobrinha, mas quando as dores aumentam ela vai para uma rede do lado de fora da casa.
“Assim que cheguei aqui era deitada direto dentro de uma rede chorando de dor. Não dormia. Amanhecia fraca e ficava me segurando nas coisas para poder levantar e andar”, disse.
Em Palmas, quem precisa fazer o tratamento contra o câncer e não tem condições de se manter na cidade pode receber apoio da casa Vera Lúcia. O local pode hospedar até 120 pacientes, mas devido a pandemia o número reduziu e hoje tem cerca de 45 hóspedes.
Maria Irene aguarda há dois meses por exame de tomografia na rede pública de saúde de Palmas
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A gerente da casa, Elisângela Sardinha, explica que o paciente deve ser indicado por algum hospital de Palmas para ter acesso a uma vaga.
“Chegando ao hospital as pessoas procuram a assistente social daquele departamento que ela está fazendo tratamento. Lá vai ter uma triagem social e eles vão informar pra gente. Havendo a vaga, nós recebemos e fazemos a acolhida com amor”, explica.
A médica mastologista, Evelling Lorena, afirma que o câncer de colo de útero é uma doença recorrente no Tocantins. “Está intimamente ligado as infecções pelo HPV. Dessa forma forma o seu tratamento precoce é realizado através da prevenção. Então toda mulher deve fazer a sua prevenção anualmente de rotina para poder diagnosticar essa lesão antes que ela se transforme em um câncer”.
O oncologista Ricardo Rodrigues destaca que além da prevenção feita pelas mulheres é necessário vacinar meninos e meninas contra o HPV.
“Meninas 9 a 14 e meninos de 10 a 14 podem tomar a vacina contra HPV. Temos que vacinar os meninos sim, porque eles vão ser os transmissores desse vírus. Outro tipo de prevenção é o papanicolau, que faz também a prevenção primária e secundária”.
O que diz o município
A Secretaria Municipal de Saúde de Palmas informou que todos os pedidos de tomografia solicitados pela paciente Maria Irene foram atendidos pela Central Estadual de Regulação. Segundo a Semus, a última autorização foi no dia 16 de outubro.
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Fonte: G1 Tocantins
