Morre A.Q. Khan, pai da bomba atômica do Paquistão

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Cientista de 85 anos contraiu a Covid-19 em agosto e foi hospitalizado diversas vezes desde então. Ele é considerado herói nacional por ter tornado o país a primeira potência nuclear islâmica. Foto de 2009 mostra o cientista nuclear paquistanês Abdul Qadeer Khan em sua casa em Islamabad
Mian Khursheed/Reuters/Arquivo
Abdul Qadeer Khan, o pai da bomba atômica no Paquistão e herói nacional, morreu aos 85 anos depois de testar positivo para a Covid-19 e ter sido hospitalizado várias vezes desde agosto.
O cientista nuclear paquistanês, admirado por ter tornado o país a primeira potência nuclear islâmica morreu após ser transferido para o um hospital de Islamabad devido a problemas pulmonares, segundo a televisão pública PTV.
Khan já havia sido hospitalizado em agosto após testar positivo para a Covid. Sua condição piorou na manhã deste domingo, segundo a rede.
Herói nacional
Ele se tornou um herói nacional em maio de 1998, quando a República Islâmica do Paquistão entrou oficialmente na lista das potências militares atômicas – mas ele também foi acusado de ter espalhado ilegalmente tecnologia para Irã, Coreia do Norte e Líbia.
Muitas personalidades do Paquistão expressaram seu pesar pela morte do cientista. O premiê Imran Khan lamentou a morte do cientista e disse que “sua contribuição foi crucial” para que o país se firmasse como uma potência regional.
“Estou profundamente triste”, escreveu em uma rede social. “Para o povo paquistanês, ele era um ícone nacional.”
O corpo do cientista será enterrado na grande mesquita Faisal de Islamabad, atendendo a um antigo pedido de Khan e contará com a presença de altos funcionários “com todas as honras”, informou o ministro do Interior, Sheikh Rashid Ahmad.
O cientista nuclear do Paquistão Abdul Qadeer Khan acena para jornalistas da porta da frente de sua casa em Islamabad, em agosto de 2009.
REUTERS/Mian Khursheed/File Photo
Prisão domiciliar
Graças ao cientista nuclear, o Paquistão foi capaz de competir com a Índia no campo nuclear, dispondo de um meio de defesa difícil de competir. O herói, no entanto, foi colocado em prisão domiciliar em 2004 sob a acusação de distribuir a tecnologia ilegalmente durante a década de 1990.
No mesmo ano ele reconheceu a atitude – mas recebeu o perdão do então presidente, o general Pervez Musharraf. Apenas em 2009, no entanto, com uma decisão da Justiça, que o cientista pode, enfim, deixar a prisão domiciliar.
Sahibzada Yaqub Khan, (esq.) ex-ministro das Relações Exteriores do Paquistão, cumprimenta o cientista nuclear Abdul Qadeer Khan (dir.) em uma recepção em Islamabad, em 1998
REUTERS/Muzammil Pasha/File Photo
Vida polêmica
Khan se formou em ciências pela Universidade de Karachi em 1960 e completou sua formação em Berlim, Holanda e na Bélgica.
Sua principal contribuição para o programa nuclear do Paquistão foi o projeto de centrífugas, que enriqueciam o urânio a uma taxa de concentração adequada para armas.
Ele foi acusado de ter roubado essa tecnologia da Holanda, quando trabalhava no país para o consórcio Urenco.
Após seu retorno ao Paquistão, o então primeiro-ministro Zulfikar Ali Bhutto o nomeou chefe do programa nacional de enriquecimento de urânio.
Em 1978, sua equipe conseguiu enriquecê-lo e, em 1984, estavam preparados para detonar uma bomba atômica, revelou Khan mais tarde em uma entrevista.
Nenhuma das controvérsias nas quais se envolveu prejudicou sua grande popularidade no Paquistão, onde faculdades, universidades e hospitais levam seu nome.

Fonte: G1 Mundo