‘ninguém pode afirmar que o regime ucraniano, desde o golpe de Estado de 2014, representa todas as pessoas que vivem no território do Estado ucraniano’, afirmou Sergei Lavrov, chanceler da Rússia. Tensão no mundo: Putin reconhece áreas separatistas na Ucrânia e envia tropas russas
O ministro das Relações Exteriores da Rússia, Sergei Lavrov, questionou nesta terça-feira (22) se a Ucrânia tem direito a soberania ao argumentar que o governo de Kiev não representa as partes constituintes do país, informou a agência de notícias Interfax
“Se falamos do princípio de soberania e integridade territorial, um dos documentos-chave… é a Declaração sobre Princípios de Direito Internacional relativos às Relações Amistosas entre os Povos”, disse ele, segundo a agência.
Sergei Lavrov, ministro de Relações Exteriores da Rússia, em imagem de 18 de fevereiro de 2022
Maxim Shemetov / Pool / AFP
Ele acusou a Ucrânia de estar em desacordo com isso desde 2014, quando um presidente apoiado por Moscou foi derrubado em Kiev e substituído por um líder pró-ocidental, levando a Rússia a anexar a península ucraniana da Crimeia e a apoiar uma insurgência no leste ucraniano.
“Acho que ninguém pode afirmar que o regime ucraniano, desde o golpe de Estado de 2014, representa todas as pessoas que vivem no território do Estado ucraniano”, afirmou Lavrov, ainda de acordo com a agência.
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Sanções do Ocidente
Lavrov minimizou a ameaça de sanções contra o país, dizendo que o Ocidente as imporia independentemente dos eventos e descrevendo como previsível a resposta ao reconhecimento pela Rússia de duas regiões separatistas da Ucrânia.
“Nossos colegas europeus, americanos e britânicos não vão parar e não vão se acalmar até que tenham esgotado todas as suas possibilidades para a chamada ‘punição da Rússia’. Eles já estão nos ameaçando com todo tipo de sanções ou, como dizem agora, ‘a mãe de todas as sanções’”, disse Lavrov.
“Bem, estamos acostumados a isso. Sabemos que as sanções serão impostas de qualquer forma, em qualquer caso. Com ou sem razão”, acrescentou.
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O presidente da Rússia, Vladimir Putin, autorizou o envio de militares russos para “manter a paz” nas regiões separatistas da Ucrânia em um decreto assinado na segunda-feira (21).
O documento, divulgado pela agência estatal RIA, foi assinado no mesmo momento em que Putin oficializava o reconhecimento da independência de Donetsk e Luhansk.
“Após apelo do líder da República Popular de Donetsk, ordeno que o Ministério de Defesa da Federação Russa […] implemente, com suas Forças Armadas, no território de Donetsk a função de manutenção da paz”.
O mesmo decreto foi assinado também para Luhansk.
Com a decisão de Putin, o processo de paz no leste da Ucrânia, onde um conflito entre forças do governo e separatistas apoiados por Moscou já matou pelo menos 15 mil pessoas, poderá ser minado.
Fonte: G1 Mundo
