Ministério Público da Argentina acusa Cristina Kirchner de direcionar contratos em concessões

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Um dos processos contra a vice-presidente da Argentina, Cristina Kirchner, chegou à fase das alegações. O Ministério Público afirma que ela e Néstor direcionavam contratos na província de Santa Cruz, a base politica dos dois. Cristina Kirchner em maio de 2019
Juan Mabromata/ AFP
Na Argentina, começou a fase de alegações do julgamento contra a vice-presidente Cristina Kirchner por suspeita de corrupção quando foi presidente. Se ela for condenada, poderá perder seus direitos políticos.
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Segundo a exposição de segunda-feira (1º) do Ministério Público argentino, “está comprovado que existiu, entre 2003 e 2015, uma associação ilícita que teve no topo de seu funcionamento aqueles que foram chefes de Estado”. Para o promotor Diego Luciani, os supostos ilícitos começaram no governo de Néstor Kirchner, marido da ex-presidente e morto em 2010.
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Direcionamento de contratos
Há outros 12 envolvidos neste caso. A investigação procura determinar se houve um direcionamento de contratos para algumas empresas específicas na concessão de obras públicas na província de Santa Cruz, no sul do país, reduto político dos Kirchner. De acordo com a acusação, o empresário Lázaro Báez foi favorecido, e ele cobrou preços superfaturados do governo.
Segundo o promotor, “houve um acordo para manter uma armação entre todos os envolvidos” para a realização das obras que, garantiu, geraram “perdas incomensuráveis para o Estado” e “continuam sem conclusão”.
No entanto, uma auditoria realizada a pedido da Justiça pela Vialidad Nacional, uma entidade vinculada ao Ministério de Obras Públicas, determinou que os trabalhos foram finalizados.
A Unidade de Informação Financeira havia considerado “irresponsável avançar em uma acusação”, desestimando os argumentos da promotoria sobre a existência dos crimes de administração fraudulenta e associação ilícita.
Presidente testemunhou
O presidente argentino, Alberto Fernández, que foi chefe de gabinete nos governos Kirchner, depôs pessoalmente no caso em fevereiro passado e respaldou a vice-presidente ao afirmar que “nunca houve distribuição arbitrária de fundos”.
O Ministério Público vai expor as alegações em nove audiências programadas para as próximas três semanas e depois será a vez da defesa.
O julgamento começou em 21 de maio de 2019, contou com mais de uma centena de testemunhas e teve que ser suspenso temporariamente em 2020 pela pandemia de Covid-19.
Se for condenada, Kirchner ficará inabilitada politicamente.
Vários casos contra a vice-presidente de 69 anos por supostos crimes ocorridos em seus dois mandatos presidenciais foram arquivados, mas ela ainda é ré em cinco processos.
Em outubro do ano passado, foi arquivado o caso no qual Cristina Kirchner era acusada de acobertar os responsáveis pelo atentado contra a associação judaica AMIA, em Buenos Aires, ocorrido em 1994, e que deixou 85 mortos e 300 feridos.
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Fonte: G1 Mundo