Médica explica reação alérgica que deixou rosto de estudante deformado após procedimento nos lábios

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Dermatologista Camila Novak explica que reação pode causar morte, se o paciente não for atendido de imediato. Vídeo que mostra rosto de palmense super inchado viralizou nas redes sociais. Estudante de Palmas mostra rosto após reação alérgica causada por procedimento estético
A reação alérgica que deixou o rosto da estudante de psicologia, Ísis de Oliveira Almeida Pinheiro, de 20 anos, deformado, pode levar à morte caso não haja atendimento imediato. Para entender melhor o que aconteceu, o g1 conversou com a dermatologista Camila Novak, que não foi a responsável pelo procedimento.
O vídeo que mostra o rosto de Ísis, moradora de Palmas, super inchado viralizou na internet. (Veja acima) Ela relatou que sofreu a reação minutos após a aplicação da hialuronidase, usada durante procedimentos estéticos. Em questão de 30 minutos, a jovem sentiu fortes dores, obstrução das vias aéreas e muito desconforto. O rosto só voltou ao normal após quatro dias de tratamento.
Tudo aconteceu após um preenchimentos nos lábios que não deu certo. A dermatologista explicou que, em caso de complicação ou quando os pacientes não gostam do resultado de um preenchimento, é feita a hialuronidase, enzima usada para degradar o ácido hialurônico. No entanto, essa enzima é bastante alergência.
Veja o antes e depois do rosto da estudante
Divulgação
Em alguns casos, pacientes podem sofrer reação 30 segundos depois.
“Uma parcela importante da população pode ter o inchaço das mucosas, dos lábios, dos olhos, pode dar edema de glote, fechar a respiração, pode dar alergia no corpo todo. É relatado que quem tem alergia a hialuronidase é mais comum em quem tem alergia a picada de inseto, de abelha, marimbondo. Para essas pessoas é até contraindicado fazer a hialuronidase”.
A médica destacou que é essencial perguntar ao paciente se ele é alérgico, antes de aplicar a enzima. Mas, o problema pode acontecer até em pessoas que nunca apresentaram reações anafiláticas. Por isso, o uso da enzima precisa ser de realizado forma criteriosa, com muita perícia e em consultórios médicos.
“A pessoa que manejou ela [Ísis], fez da forma correta, tem que ser feita a adrenalina logo no começo dessa reação. Por isso que a hialuronidase deve ser feita só em consultório que tenha todo o aparato, se precisar colocar oxigênio no paciente, se precisar fazer a adrenalina, se precisar pegar a veia porque essa reação pode ser muito rápida, ela pode acontecer em 30 segundos”.
Outra recomendação é que o paciente fique em observação por no mínimo 24 horas.
“Se não for atendido prontamente pode levar até a morte e quando essa reação acontece, nas próximas 24 horas ela pode ficar recidivando. Por mais que controle nos primeiros minutos, esse paciente tem que ficar em observação porque a reação pode voltar”, concluiu.
Entenda o caso
Além dos lábios inchados, apareceram bolhas no rosto de Isis
Divulgação
O caso aconteceu no dia 1º de setembro deste ano. Ísis é estudante de psicologia e contou ao g1 que tudo começou quando ela resolveu fazer o procedimento de aplicação de ácido hialurônico. Como um lado do lábio havia ficado mais inchado que o outro, ela passou pela aplicação do hialuronidase, o que causou o episódio de alergia.
“Eu estava muito assustada porque foi muito rápido. E eu estava sentindo muita dor. Minha boca doía bastante, eu não estava enxergando porque meu olho fechou muito. Eu ficava pensando que eu ia acabar ficando com alguma sequela disso, que meu rosto ia acabar não voltando ao normal. Ficava muito assustada, pensando ‘meu Deus, o que que eu fiz?’ e com muito medo de acontecer coisa pior”, disse.
O vídeo publicado no Tik Tok rendeu cerca de 1,5 milhão de visualizações. O objetivo da jovem foi alertar outras pessoas quanto ao procedimento.
“Recebi mensagem de gente me pedindo para usar o vídeo em TCC, gente perguntando como que foi porque estava com procedimento marcado. Não esperava que desse tanto. Postei para alertar porque foi muito perigoso e não tinha visto nada sobre isso”, explicou.
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Fonte: G1 Tocantins