Mecânicos são condenados a prisão e a devolver R$ 13 milhões por adaptar aviões para tráfico internacional

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Todos os réus poderão recorrer em liberdade. Esta é a primeira condenação relacionada a Operação Flak, da Polícia Federal do Tocantins. Imagem dos aviões no dia em que foram apreendidos durante a 1ª fase da operação Flak, em 2019
Divulgação
A Justiça Federal condenou seis mecânicos de avião que foram alvo da Operação Flak, da Polícia Federal por darem suporte a uma quadrilha de tráfico internacional de cocaína. Ele teriam adaptado aeronaves para que pudessem ser reabastecidas em voo. O objetivo era que conseguissem realizar grandes deslocamentos de drogas sem precisar pousar em aeroportos ou aeródromos onde há fiscalização.
Foram condenados
Jurandir de Jesus de Sousa
Antônio Carlos Ramos
Iron Ribeiro Ferreira
Flavio Martins Ferreira
Hamilton Gouveia Alberto
Francisco Silva Ferreira Filho
Veja no fim da reportagem os posicionamentos das defesas dos citados
Os cinco primeiros foram condenados a pena de 8 anos e 8 meses de prisão cada. Já Francisco Silva Ferreira Filho foi condenado a 7 anos, dois meses e 20 dias de prisão. Ele foi beneficiado pela chamada ‘atenuante etária’, por ter mais de 70 anos de idade.
Todos ainda terão que ressarcir valores que somam R$ 13.430.000,00. Este valor é a estimativa de quanto o grupo criminoso arrecadou com o transporte de drogas no período da investigação.
A decisão da condenação é do juiz federal substituto João Paulo Abe. Se trata da primeira sentença relacionada a operação Flak, uma das maiores da história da Polícia Federal no Tocantins. Como se trata de uma decisão da primeira instância e nenhum dos condenados está sob prisão preventiva, eles poderão recorrer em liberdade.
A operação Flak mirou um grupo que usaria aviões modificados e até um submarino improvisado para levar cocaína produzida na América do Sul para a Europa, América do Norte e África. O caso foi descoberto após a PF do Tocantins identificar pistas de pouso no estado sendo usadas de forma irregular como pontos de apoio para a quadrilha.
Na primeira fase da operação, a PF conseguiu mandados para a apreensão de mais de 40 aeronaves de pequeno porte. Na época, mais de 30 pessoas foram presas, mas a maioria delas responde ao processo em liberdade. Em 2021, o Ministério da Justiça e Segurança Pública realizou leilões de nove das aeronaves que foram apreendidas. (Veja no vídeo abaixo)
Operação Flak: Ministério da Segurança leiloa aviões aprendidos pela PF
O que dizem os citados
O advogado de Jurandir de Jesus de Sousa disse que a sentença deixou de considerar alguns elementos dos autos. Afirmou que respeita a decisão proferida, mas que vai recorrer e que está confiante de que conseguirá reverter a sentença nas próximas instâncias.
A defesa de Antônio Carlos Ramos disse que não concorda com a decisão e que vai recorrer. Afirmou que a sentença leva em consideração apenas os argumentos do Ministério Público e da Polícia Federal e que as evidência apresentadas pela defesa não foram levados em conta. Afirmou ainda que o conjunto de provas relacionado a Antônio Carlos Ramos é precário.
A defesa de Iron Ribeiro Ferreira preferiu não comentar sobre o processo. Em juízo, o réu disse que tudo se tratou de um mal entendido e que nunca se envolvei com clonagem ou adulteração de aeronaves.
O advogado que representa Flavio Martins Ferreira e Francisco Silva Ferreira Filho não atendeu as ligações. Nos autos, os dois reconheceram ter feito serviços nos aviões do suposto chefe da quadrilha, mas negaram ter adulterado o sistema de abastecimento ou ter conhecimento do esquema de tráfico de drogas.
O g1 não conseguiu localizar a defesa de Hamilton Gouveia Alberto. No processo, ele declarou que nunca adulterou a autonomia dos aviões e que a condenação anterior que possuía por tráfico de drogas se tratou de um mal entendido.
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Fonte: G1 Tocantins