Mais de 200 indígenas ficam sem estudar no TO por falta de transporte e material escolar e lideranças fazem protesto; VÍDEO

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Ato foi realizado na sede da Diretoria Regional de Educação (DRE) de Tocantinópolis. Indígenas fazem protesto para pedir transporte e material escolar para estudantes
Indígenas Javaés de várias aldeias em Tocantinópolis, no norte do estado, fizeram um protesto nesta quinta-feira (24) para cobrar acesso à educação. Segundo o Conselho Indigenista Missionário (Cime), 240 alunos da região estão sem estudar por falta de transporte e de material escolar. O ano letivo na rede estadual começou há 10 dias.
O protesto aconteceu na sede da Diretoria Regional de Educação (DRE) de Tocantinópolis. Famílias ocuparam o prédio e pediram condições para que crianças e jovens pudessem frequentar as escolas na cidade. Um vídeo mostra as lideranças cantando e erguendo cartazes durante o ato. (Assista acima)
O g1 entrou em contato com a Secretaria Estadual de Educação (Seduc), mas a pasta não se manifestou até a última atualização desta reportagem.
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Segundo as lideranças indígenas, um dos problemas é a falta de material escolar. Eliane Franco, coordenadora do Cime, diz que muitas famílias vivem em vulnerabilidade e não têm condições financeiras para comprar os itens. Neste ano os indígenas não receberam materiais básicos, como cadernos, lápis e canetas.
“Estão pedindo que a Diretoria Regional de Ensino compre e entregue o material para os alunos, poque eles sempre fizeram isso, mas esse ano estão negando esse direito aos jovens e crianças do povo Apinajé. São 240 alunos perdendo aulas por falta de material”, disse Eliane Franco.
Indígenas fizeram ato em Diretoria de Educação em Tocantinópolis
Divulgação/Cime
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Outra questão está relacionada com a mobilidade. Eliane Franco informou que antes da pandemia o transporte escolar era de responsabilidade do governo do estado, mas o serviço passou a ser feito pela prefeitura de Tocantinópolis. A mudança prejudicou estudantes que vivem em aldeias que pertencem a municípios vizinhos.
Segundo ela, cerca de 70 alunos não contam com transporte atualmente e estão perdendo aulas.
“Eles foram surpreendidos na volta às aulas, no dia 14 de fevereiro. O transporte escolar das aldeias foi transferido para o município de Tocantinópolis. Houve uma municipalização do transporte escolar sem consulta prévia ao povo Apinajé. Ela [prefeitura de Tocantinópolis] pegou a responsabilidade do transporte, mas se recusou a pegar os 58 alunos que pertencem ao município de Maurilândia”, explicou Eliane.
Indígenas pedem transporte escolar no interior do Tocantins
Divulgação/Cime
Indígenas fazem ato por educação em Tocantinópolis
Divulgação/Cime
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Fonte: G1 Tocantins