Justiça britânica aprova pedido de recurso dos EUA para a extradição de Julian Assange, fundador do WikiLeaks

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Fundador do Wikileaks poderá ser extraditado para os EUA para enfrentar acusações criminais, incluindo violação da lei de espionagem e conspiração para hackear computadores do governo americano. O fundador do WikiLeaks, Julian Assange, deixa a Corte de Magistrados de Westminster, em Londres, em 13 de janeiro
Reuters/Simon Dawson
A Justiça do Reino Unido aprovou, nesta sexta-feira (10), um pedido de recurso dos Estados Unidos para a extradição de Julian Assange, fundador do WikiLeaks.
O australiano de 50 anos enfrenta, no país americano, ao menos 18 acusações criminais, incluindo uma violação da lei de espionagem, e conspiração para invadir computadores do governo.
“O tribunal permite o recurso”, disse o juiz Timothy Holroyde.
Os Estados Unidos vinham tentando dar garantias à Justiça britânica sobre o tratamento que Julian Assange receberia caso fosse entregue ao governo americano.
O advogado que representa o governo americano, James Lewis, insistiu nas garantias dadas por Washington de que Julian Assange não será submetido a medidas especiais nem ficará detido no temido centro penitenciário de altíssima segurança ADX Florence, no Colorado, conhecido como “Alcatraz das Montanhas Rochosas”.
Os Estados Unidos pediam a extradição de Julian Assange por um vazamento em massa de documentos confidenciais.
O advogado James Lewis afirmou que a Justiça americana vai garantir que Assange receba os cuidados clínicos e psicológicos necessários e que poderá solicitar cumprir sua pena na Austrália, seu país de origem.
Depois de passar sete anos na embaixada do Equador em Londres e dois anos e meio na penitenciária de segurança máxima de Belmarsh, o australiano, considerado por seus simpatizantes uma vítima de ataques contra a liberdade de expressão, deu um grande passo para sua liberdade em janeiro.
Na ocasião, a juíza britânica Baraitser rejeitou o pedido de extradição de Washington, alegando que existia a risco de Assange cometer suicídio. Nos Estados Unidos, ele pode enfrentar uma pena de 175 anos de prisão.
Em seu recurso, Washington questiona a confiabilidade de um especialista que testemunhou a favor de Assange sobre a fragilidade de sua saúde mental atual.
De fato, o psiquiatra Michael Kopelman reconheceu que enganou a Justiça ao “ocultar” o fato de que seu cliente se tornou pai durante seu confinamento na embaixada do Equador em Londres.
O australiano, que conta com o apoio de várias organizações de defesa da liberdade de imprensa, é procurado pelos Estados Unidos por espionagem, após a publicação de cerca de 700.000 documentos militares e diplomáticos confidenciais.
Ele foi detido pela polícia britânica em abril de 2019, depois de passar sete anos na embaixada do Equador em Londres, onde se refugiou quando estava em liberdade sob fiança. Ele temia a extradição para os Estados Unidos, ou para a Suécia, cuja Justiça denunciou-o por estupro. Desde então, estas acusações foram retiradas.

Fonte: G1 Mundo