Jogador de futsal do RS diz que foi deixado para trás por outros brasileiros após ficar 40h em bunker na Ucrânia

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Atletas do futebol do Shakhtar deixaram o hotel com familiares em direção à fronteira e pegaram trem para a Romênia. Matheus Ramires ficou com outro colega e um estudante. Jogador brasileiro aguarda em bunker de hotel na Ucrânia
Se os jogadores do Shakhtar Donetsk e sua famílias conseguiram pegar um trem rumo à Romênia, o atleta de futsal Matheus Ramires e outros brasileiros, que estavam no mesmo hotel, permanecem em Kiev, capital da Ucrânia. Ele diz que foi deixado para trás pelos outros atletas com quem dividiu um bunker por mais de 40 horas.
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“Depois do almoço, a gente foi tomar um banho nos nossos quartos, porque estava mais calmo, falei com meus familiares e, quando voltei, os brasileiros do futebol já não estavam mais. Resolveram ir, e que bom que estão bem. Parece que estão no trem, estão com filhos, a gente sabe da situação deles e torce para que cheguem na divisa para que consigam entrar no país para que estão indo. Mas a gente tá aqui, continua no hotel e aguardando”, revelou em entrevista à Globo News.
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Reprodução/Instagram @mramires95
Apesar de torcer para o sucesso dos colegas na saída do país, Ramires estranha a atitude. Ele participou do vídeo divulgado em redes sociais pelos jogadores no qual pedem ajuda à Embaixada Brasileira para deixar a Ucrânia após o início dos conflitos.
“A Embaixada manda diversas notícias a cada 10 ou 15 minutos. A gente está em um toque de recolher das 17h até a segunda-feira, que o presidente ucraniano decretou. A gente vinha conversando até pouco tempo, porque estava todo mundo junto no bunker do hotel. Quando a gente saiu para tomar o banho, simplesmente juntaram suas famílias. Não sei se receberam alguma notícia exclusiva, porque sabe que são pessoas famosas, e simplesmente foram embora. A gente fica feliz por eles, não tem problema nenhum, mas foi algo inexplicável”, avalia.
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Conforme o atleta nascido em Rio Grande, no Sul do RS, haviam, entre familiares e jogadores, 50 pessoas. Ele confirma que a Embaixada informou sobre a possibilidade de disponibilizar um trem para que deixassem a cidade. Contudo, a avaliação inicial seria permanecer.
“Os brasileiros foram na frente do hotel. Inclusive, um dos jogadores assistiu isso e falou que não tem como ir embora. Barulhos de tiro, de bala, de bomba, não teria como sair. A gente está longe. Quando deu essa acalmada, acho que eles olharam, eles têm carros aqui dentro da garagem, pegaram os carros com suas famílias e foram até o trem. Claro que foi muito mais rápido, acredito eu. Mas a gente vinha conversando, tomando decisões. No vídeo que postaram, eu estava junto, é só acompanhar. A gente sempre conversava em sair juntos, decidir juntos, nos reunimos ontem. Mas foi tudo muito rápido. Eles simplesmente foram”, relata.
Segundo Ramires, um companheiro de Skyup, clube de Kiev, e ele fizeram esforços para que um estudante brasileiro, que está sozinho na capital ucraniana, ficasse no mesmo hotel com eles para que pudessem sair todos juntos.
“Nunca, jamais eu, como brasileiro, como qualquer outra pessoa deixaria um brasileiro para trás. […] Acho que neste momento não importa se tu joga, se é de algum esporte ou se não é. Somos todos brasileiros e queria se ajudar. Simplesmente, com suas famílias, eles foram. Daqui a pouco estavam desesperados, tinham alguma notícia que teria alguma coisa esperando eles lá. Não sabemos. Não escolhi ficar aqui. Quero ir embora para a minha casa. Isso todo mundo sabe”, diz Ramires.
Matheus Ramires concedeu entrevista à Globo News
Globo News/Reprodução
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Fonte: G1 Mundo