Irmã chora ao falar sobre morte de Briner em entrevista ao Encontro: ‘O Estado sequer entrou em contato’

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Beatriz conversou ao vivo com Patrícia Poeta e Manoel Soares sobre caso do motoboy que estava preso na CPP de Palmas e morreu horas antes de receber o alvará de soltura. Irmã de Briner é entrevistada pelos apresentadores do Encontro
Reprodução Globo
Visivelmente abalada, Beatriz Bitencourt se emocionou durante entrevista ao programa da Globo ‘Encontro’, na manhã desta segunda-feira (17), enquanto falava sobre o caso do irmão Briner de César Bitencourt. O motoboy, de 22 anos, morreu no dia em que sairia da prisão em Palmas.
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O jovem teve complicações por uma infecção que adquiriu na Unidade Prisional de Palmas (UPP). Quando já estava doente, foi absolvido mas, por atraso do judiciário, o alvará de soltura chegou depois de sua morte e Briner não chegou a ser liberado.
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Beatriz falou que a família recebeu a notícia da absolvição no mesmo dia em que soube sobre a morte.
“Foi pancada, porque era uma situação que a gente não esperava. Receber a notícia que ele veio a falecer foi muito duro, foi meio inacreditável. Em nenhum momento nós ficamos sabendo da situação que meu irmão estava passando, nós não soubemos que meu irmão tinha saído do presídio para ser levado para a UPA, não sabíamos o quão grave ele estava”.
Briner de Cesar Bitencourt tinha 22 anos e morreu enquanto estava preso
Arquivo pessoal
Quando questionada sobre a resposta dada pelo Estado, a irmã disse que o governo não entrou em contato com a família, sequer para prestar as condolências. O único posicionamento foi feito através de nota divulgada através da imprensa e posteriormente, para falar sobre o auxílio funeral, disse.
“Quando a minha mãe recebeu a noticia do falecimento foi de um jeito totalmente despreparado pelo serviço social. Quando eles vieram entrar em contato comigo para oferecer o auxílio funerário eles também conversaram de qualquer jeito comigo. Não é como se eu tivesse tendo que correr atrás de enterrar o meu irmão, como se aquele momento não fosse de sofrimento, conversaram de qualquer jeito comigo”.
A jovem destacou que o falecimento de Briner ‘foi inacreditável’. Segundo ela, na última visita feita pela mãe no presídio, o motoboy estava bem e não tinha se queixado de nenhum problema.
“As visitas estavam sendo mensais. E só minha mãe tinha direito de visitar ele, irmãos não podiam e era uma vez por mês. Como a próxima visita da minha mãe estaria agendada para o dia 22 desse mês, a gente não tinha nem como ficar sabendo, porque eles não avisam e a gente também não tinha como saber”.
Por ser o único filho homem, Briner era o ‘xodozinho’ da mãe, segundo Beatriz. O sentimento que toma conta da família é de dor e indignação. A esperança era de que o motoboy conseguiria provar a inocência e sairia do presídio para trabalhar, voltar a fazer vídeos com os amigos e retomar a vida.
“Nós tínhamos a certeza de que nós íamos provar a inocência dele, porque ele não devia nada. A gente sabia a todo momento que a gente ia conseguir isso e o que era para ser um dia de alegria para a gente se tornou tristeza. A gente estava esperando o momento em que ele ia voltar a gravar os vídeos dele, ia voltar a animar todo mundo”.
Entenda o caso
Briner de César Bitencourt tinha 23 anos
Arquivo pessoal
Briner de César Bitencourt foi preso em outubro de 2021 durante uma operação da Polícia Militar (PM) em que foi encontrada uma estufa utilizada para o cultivo de maconha em Palmas. Ele não tinha passagens pela polícia e há um ano negava envolvimento com o crime.
Próximo a data de seu julgamento, Briner começou a ter dores pelo corpo. Ele apresentou os sintomas 15 dias antes de morrer.
Segundo a Secretaria de Estado da Cidadania e Justiça (Seciju), responsável pelos presídios e detentos do Tocantins, o quadro de saúde piorou na noite de domingo (9) para segunda (10) e ele, que era tratado na própria unidade, teve de ser levado à Unidade de Pronto Atendimento (UPA) de Taquaralto, no sul de Palmas.
Ele chegou em estado crítico, foi intubado, teve parada cardíaca e não resistiu. A morte foi confirmada por volta de 4h15 de segunda-feira.
A sentença que absolveu Briner saiu na última sexta-feira (7). A defesa do jovem disse que, quando o juiz publicou a sentença com a inocência, não tinha mais ninguém para dar andamento e expedir o alvará de soltura.
O Tribunal de Justiça Tocantins assumiu que houve falha no processo de Briner de César Bitencourt. “Houve falha. […] Houve um erro terrível e isso é incompatível com a mais elementar ideia de justiça. A expectativa é que o estado tocantinense, como um todo, assuma isso perante a família”, disse o juiz auxiliar do Tribunal de Justiça do Tocantins, Océlio Nobre da Silva.
O corpo de Briner foi enterrado na quarta-feira (12). Familiares e amigos fizeram um protesto para cobrar respostas sobre a morte.
Familiares e amigos de Briner fizeram um protesto nesta quarta-feira (12), no dia em que o corpo do jovem foi enterrado.
Mãe de Briner lamenta morte
Reprodução/TV Anhanguera
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Fonte: G1 Tocantins