Guerra de Putin uniu o continente europeu

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Líderes da UE superam divisões internas e entraves burocráticos e infringem drásticas sanções para isolar o presidente russo. Até a neutra Suíça adere à onda de punições. União Europeia anuncia novas sanções à Rússia por guerra na Ucrânia
Stephanie Lecocq/Pool Photo via AP
A guerra de Putin na Ucrânia resultou em um feito considerado inviável até para os mais céticos: a união do continente europeu, sobretudo os que integram a UE, tradicionalmente engessados em divergências internas ou entraves burocráticos. Líderes venceram resistências e foram ágeis para determinar medidas drásticas contra a Rússia depois que ficaram claras as intenções do presidente russo de derrubar o governo de Volodymyr Zelensky.
O ineditismo também acompanhou a enxurrada de punições deflagradas no fim de semana para isolar o presidente russo. No intervalo de poucas horas, os europeus barraram alguns bancos suíços do sistema de pagamentos interbancários Swift e fecharam o espaço aéreo para aviões russos.
Quem acompanha o dia-a-dia de Bruxelas sabe como é moroso e desgastante o processo de tomada de decisões, muito em função de divisões internas dos membros do bloco europeu.
Sanções fazem russos correrem aos bancos
Desta vez, contudo, as dramáticas cenas de êxodo migratório para países vizinhos e de terror em estações de metrô e bunkers na Ucrânia, aliadas à pressão de manifestações gigantescas nas principais cidades europeias, aceleraram o que parecia improvável. Sem ter como minimizar as intenções de Putin, abandonaram a cautela para imprimir uma resposta contundente à invasão.
Uma chamada de vídeo de Zelensky, durante a reunião de líderes da UE, na quinta-feira passada, serviu para que os mais céticos mudassem de ideia. O presidente ucraniano fez um forte e emocionado apelo para que ampliassem sanções e medidas de dissuasão contra a Rússia. Despediu-se, dizendo que talvez fosse aquela a última vez que eles o veriam vivo.
Aliados do presidente russo, como o presidente tcheco Milos Zeman e o premiê húngaro Viktor Orbán, foram vencidos. A Alemanha anunciou uma mudança brusca de rumo, anulando a sua política de não enviar armas para zonas de conflito.
“A invasão russa da Ucrânia marca um ponto de virada e ameaça toda a nossa ordem pós-guerra. É nosso dever fazer o máximo para apoiar a Ucrânia contra o exército invasor de Vladimir Putin”, justificou o chanceler Olaf Scholz.
Isso significa transferir de seu próprio estoque, o quanto antes, para Kiev mil armas antitanque e 500 de sistemas de defesa antiaérea Stinger. Na última semana, Scholz cedeu em outras medidas para punir Putin: suspendeu o licenciamento do gasoduto Nord Stream 2, que liga Alemanha a Rússia, e, finalmente, autorizou o corte dos principais bancos russos da rede Swift, sabendo que seu país também sofrerá o impacto econômico dessas sanções.
O exemplo mais simbólico da onda de penalidades veio da Suíça, que abandonou a sua tradição de neutralidade para aderir às sanções aplicadas pelas nações ocidentais. O presidente Ignazio Cassis anunciou o congelamento de ativos financeiros russos no país.
As medidas incluem o presidente Putin, o premiê Mikhail Mishustin, o chanceler Sergey Lavrov e outros 367 indivíduos sancionados pela UE. O espaço aéreo suíço também foi fechado aos aviões russos. “É uma atitude sem paralelo da Suíça, que sempre se manteve neutra”, explicou Cassis. Mas a ação, no seu entender, se justifica: o ataque da Rússia é um ataque à liberdade, à democracia, à população civil e às instituições de um país livre.

Fonte: G1 Mundo