No dia Internacional da Mulher, representante assinou o pedido de desculpas alegando que elas foram mortas “apenas por serem mulheres”. Nicola Sturgeon, primeira-ministra da Escócia, durante evento em Edimburgo
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A Escócia apresentou nesta terça-feira (8) seu pedido oficial de desculpas pelas milhares de mulheres condenadas por bruxaria e executadas “apenas por serem mulheres”, segundo a chefe do governo dessa região britânica, Nicola Sturgeon.
Entre os séculos XVI e XVIII, cerca de 4.000 pessoas foram acusadas de bruxaria na Escócia, e 84% delas eram mulheres. Mais de 2.500 pessoas foram executadas, a maioria estrangulada e depois queimada, após serem torturadas para confessar a prática.
Na terça-feira, por ocasião do Dia Internacional da Mulher, Nicola Sturgeon disse ao Parlamento escocês que “reconhece essa injustiça histórica”.
Uma bruxa controlada remotamente voa em uma vassoura sobre um bairro do sul da Califórnia após o pôr-do-sol na noite de Halloween em Encinitas, nos EUA
Mike Blake/Reuters
Ela apresentou “desculpas póstumas oficiais a todas as pessoas acusadas, condenadas, caluniadas ou executadas sob a lei sobre bruxaria de 1563”. Esta lei, que sentenciava à morte as pessoas consideradas culpadas de bruxaria, vigorou até 1736.
“Numa época em que as mulheres nem sequer podiam testemunhar no tribunal, elas eram acusadas e mortas porque eram pobres, diferentes, vulneráveis ou, em muitos casos, apenas porque eram mulheres”, disse Sturgeon, chefe do partido independente SNP.
A organização “Witches of Scotland” (Bruxas da Escócia), criada há dois anos, está em campanha por um perdão histórico, clemência aos condenados por bruxaria e um monumento em sua homenagem.
Sturgeon enfatizou que “há regiões do mundo hoje onde as mulheres correm o risco de serem perseguidas e às vezes morrem porque foram acusadas de bruxaria”.
A caça às bruxas na Escócia foi obra do Estado, de uma elite que acreditava que “o diabo estava tentando fazer todo o mal que podia e que as bruxas eram suas aliadas”, diz Julian Goodare, professor emérito de história da Universidade de Edimburgo.
Fonte: G1 Mundo
