Foragido dos EUA: Perícia aponta que Danilo ‘continuou atirando’ mesmo após amigo estar caído e ‘praticamente morto’

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Documento faz parte do inquérito policial que investigou a morte do jovem Valter Júnior Moreira dos Reis, em 2017. Danilo fugiu de prisão nos Estados Unidos e está sendo procurado pela polícia. Irmã de jovem assassinado por brasileiro foragido nos EUA chora ao lembrar do crime
O laudo da morte do jovem Valter Júnior Moreira dos Reis, de 20 anos, aponta que ele foi baleado com seis disparos de arma de fogo. O principal suspeito do crime é Danilo Sousa Cavalcante, de 34 anos, que está sendo procurado pela polícia dos EUA. O laudo da perícia aponta que o autor do homicídio continuou atirando mesmo após a vítima estar caída e agonizando.
O que se sabe sobre o processo que acusa o foragido dos EUA de matar um homem no Brasil
A morte de Valter Júnior foi em novembro de 2017 na frente de uma lanchonete em Figueirópolis, no sul do Tocantins. Após esse crime, Danilo Souza fugiu para os EUA onde foi condenado a prisão perpétua por matar a ex-namorada em 2021. Ele fugiu de uma prisão norte-americana, há duas semanas, e tem mobilizado as autoridades do país
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Danilo Sousa (à esq.) e Valter Júnior (à dir.)
Foto: Chester County Government e Arquivo Pessoal
Apesar de a morte de Valter Júnior ter acontecido em 2017 e o paradeiro do suspeito ser conhecido desde o fim de 2021, o caso nunca foi julgado pela Justiça do Tocantins. A primeira audiência do caso só foi marcada na semana passada, durante um feriado estadual, depois que a morte voltou a ganhar repercussão.
O laudo da perícia do Instituto Médico Legal (IML) encontrou diversas perfurações pelo tórax, crânio e braço de Valter Júnior. O documento aponta que foram seis ferimentos de entrada e outros quatro de saída das balas.
“A intenção do autor era matar, sendo que a vítima praticamente morta, o autor continuou atirando, tanto que a mesma foi a óbito no local do crime”, diz trecho do documento.
Laudo da perícia aponta ferimentos de entrada e saída de balas em Valter Júnior
Reprodução
O inquérito sobre o caso foi concluído pela Polícia Civil menos de uma semana após o crime, depois de ouvir várias testemunhas que apontaram Danilo Sousa como autor do crime.
O crime teria acontecido por causa de uma dívida que Valter Júnior teria com Danilo, por conta do conserto de um carro. Eles eram considerados amigos e a vítima não acreditava que as ameaças fossem concretizadas. Em entrevista, a irmã e testemunhas relembraram a noite em que o assassinato de Valter Júnior aconteceu.
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Fuga do país
Uma semana depois da morte de Valter em Figueirópolis, a Justiça acatou um pedido de prisão feito pelo Ministério Público Estadual (MPE) e Danilo se tornou foragido no Brasil. Ele responde por homicídio duplamente qualificado.
Mesmo considerado foragido, em janeiro de 2018 ele conseguiu embarcar para os Estados Unidos pelo aeroporto de Brasília (DF). Isso porque o mandado de prisão do processo, que corre no Fórum de Gurupi, no sul do Tocantins, ainda não havia sido registrado no banco nacional de mandados. Ou seja, a informação sobre o crime ainda estava disponível somente para as autoridades tocantinenses.
Em nota o TJ informou que a prisão preventiva do acusado foi proferida no dia 13 de novembro de 2017 e na mesma data enviada à Polícia Civil para seu cumprimento, entretanto o acusado já tinha fugido do Tocantins. Sobre o registro do mandado no banco nacional de prisão, disse que a ferramenta, disponível desde 2011, só em 2018 foi oficializada. (Veja nota completa)
Em 4 de novembro de 2022, quase um ano após a justiça ser informada da prisão dele nos EUA, o juiz do caso pediu uma videoconferência com o réu inclusive designando a participação de um tradutor para acompanhar a audiência. Agora, a primeira audiência sobre o caso, mesmo sem a presença dele, foi marcada para o dia 11 de outubro deste ano.
Autoridades norte-americanas divulgaram foto de Danilo Sousa Cavalcante após a fuga
Chester County Government
Morte e condenação nos EUA
Danilo é natural do Maranhão. Mudou para o Tocantins com parentes para e chegou trabalhar como lavrador. Débora Brandão, ex-companheira do foragido, é do mesmo estado. Ela vivia regularmente no estado norte-americano da Pensilvânia, onde eles se conheceram. Ele estava ilegal nos EUA.
Débora foi esfaqueada 38 vezes por Danilo na frente dos dois filhos no dia 18 de abril de 2021. Segundo as investigações, ele não aceitava o fim do relacionamento e desde 2020, ameaçava a vítima.
Danilo foi preso quando estava no estado da Virgínia, uma hora depois de matar Débora. A condenação aconteceu uma semana antes da fuga da prisão no Condado de Chester, em West Chester.
A empresária Silvia Brandão, irmã da Débora que mora em São Luís (MA), falou da tristeza que o assassinato da irmã deixou na família.
“Nossa vida até hoje tem um vazio muito grande. Nós não estamos completos mais, e minha mãe… Uma mãe perder um filho não tem dor maior, né? Então nossa família está assim, tentando se reconstruir novamente, se reestruturar, mas incompletos. Ela faz muita falta, é uma dor imensa”, lamentou.
Os filhos de Débora, que na época do crime tinham 4 e sete anos, hoje são criados pro Sara Brandão, outra irmã da vítima, que ainda mora com as crianças nos EUA.
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Fonte: G1 Tocantins