Filho reclama de tratamento desumano após família receber caixa com as pernas do pai: “como se fosse um pedaço de carne do supermercado”

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Samuel dos Reis Paixão e Enoc Batista de Souza, filho e irmão da vítima de acidente de moto, contaram como os servidores fizeram a entrega. Hospital Regional de Paraíso reconheceu erro. Família conta como recebeu pernas amputadas de parente e reclamam da situação
Após o susto de receber em uma caixa de papelão as pernas amputadas de Deonir Teixeira Paixão, seu filho Samuel dos Reis Paixão falou sobre o constrangimento e revolta que sentiu ao ter que passar pela situação. Ele estava com o tio Enoc Batista de Souza na hora que as equipes do Hospital Regional de Paraíso do Tocantins entregaram a caixa e disseram que se não levassem, jogariam no lixo.
“Ela veio me entregar a caixa como se fosse um presente. Eu não tive nem reação. Minhas pernas e meus nervos já não andam bem. Pedi para meu tio pegar porque já não tinha cabeça para isso”, contou Samuel. Mesmo sem conseguir pegar a caixa, ele teve que assinar um termo para ficar com o conteúdo.
Membros foram entregues em caixa de papelão
Reprodução
“É como se fosse um pedaço de carne do supermercado, você jogar no lixo assim. Como se fosse um qualquer. Não é coisa de ser humano não”, reclamou o filho.
Deonir é pedreiro, tem 46 anos e teve as pernas amputadas após um acidente de moto no domingo (9). Ele foi levado para a unidade hospitalar e os parentes foram chamados para receber a caixa com os membros amputados.
Para completar, os servidores ainda sugeriram que eles enterrassem o material fora de um cemitério.
“Eles falaram para colocar em um quintal, fazenda, não precisa nem cavar muito fundo. Na idade que eu estou nunca tinha passado por uma coisa dessa”, relembrou Enoc.
Por volta das 16h desta segunda-feira (10), os servidores ainda avisaram que a família teria que buscar um dos pés de Deonir, que não estava na caixa.
Sem saber o que fazer, eles tiveram que contratar os serviços de uma funerária. Tentaram enterrar no cemitério da cidade, mas era preciso um documento específico emitido pelo hospital. Como não conseguiram, resolveram enterrar em uma fazenda da família. Eles tiveram até que comprar um caixão infantil.
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Deonir foi transferido para o Hospital Geral de Palmas (HGP) em estado grave. Até a tarde a família informou que ele continuava sedado.
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Hospital reconhece erro
Em nota divulgada pela Secretaria de Estado da Saúde (SES), a pasta disse que houve uma ‘falha de comunicação’ da equipe do hospital para repassar as informações à família.
Dione Ribeiro, diretor administrativo do Hospital de Paraíso, reconheceu o erro. “Houve erro ao entregar essas peças anatômicas para a família. Isso não é algo comum dentro das unidades hospitalares como um todo. É algo que a gente pode afirmar que é desumano”, disse o diretor.
Na tarde desta segunda-feira, uma sobrinha de Deonir disse que a Saúde Estadual os procurou para que devolvessem as peças, mas eles decidiram realizar o enterro na fazenda. A pasta informou que irá ressarcir os valores gastos pela família.
Normas após amputação
Conforme a SES, todas as unidades hospitalares estaduais seguem um protocolo padrão dentro das resoluções da Agência Nacional de Vigilância Sanitária nº 306 (2004) e do Conselho Nacional do Meio Ambiente nº 358 de (2005).
“Em caso de amputações a equipe multiprofissional da unidade hospitalar informa aos familiares sobre a necessidade do procedimento para a manutenção da vida do paciente e no ato é dada à família a escolha de levar os membros ou deixar a cargo do serviço de saúde, o descarte dos mesmos”, informou a SES.
Quando o hospital é responsável pelo descarte, ele ocorre através de empresa especializada contratada para a realização do serviço, e o material não é tratado o material como lixo comum.
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Fonte: G1 Tocantins