Família entra na Justiça para buscar cirurgia cardíaca em bebê; há dois anos eles perderam filha pelo mesmo problema

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Pais que têm bebês com cardiopatia vivem um drama para conseguir cirurgias no Tocantins. Defensoria e Ministério Público conseguiram decisão que obriga procedimentos. Famílias tentam na Justiça a realização de cirurgias de cardíacas em bebês; entenda
A família do pequeno Levi, de apenas cinco dias de vida, está revivendo o medo de perder um filho pela falta de cirurgia cardíaca para bebês no Tocantins. O menino nasceu com cardiopatia congênita e precisa ser operado de forma urgente. Em 2019 a história foi a mesma, mas os pais acabaram perdendo a Laura depois de uma longa espera e uma batalha judicial para conseguir o procedimento.
O Levi está internado no UTI do Hospital Dona Regina. Segundo a família o procedimento não é feito aqui no estado e o caso dele é grave. “O medo é que esse procedimento demore porque a gente ficar esperando leito em outros estados, ter vaga em outros estados. De acordo com o cardiologista, se demorar muito o bebê pode apresentar o óbito”, disse o pai Mizael Nascimento Pereira.
Em 2019, a primeira filha deles também nasceu com cardiopatia congênita e não resistiu.
“Apresentar o mesmo problema em outro filho é duro para a gente, é triste, não é fácil. Não sei se vamos aguentar passar pelo mesmo procedimento, a mesma dor duas vezes. A família, eu e minha mulher, estamos desesperados. Não sabemos o que fazer”, disse o pai.
No início desse mês a Justiça determinou que o estado do Tocantins regularize a realização de cirurgias pediátricas em bebês que sofrem com problemas de coração. A ação é do Ministério Público e da Defensoria.
“Saiu sentença favorável, determinando ao estado que proceda todas as cirurgias e disponibilize UTI, quer seja pela rede pública, particular ou municipal em qualquer lugar da federação que tenha convênio. Caso haja alguma criança necessitando deve procurar a Defensoria Pública de forma imediata para que possamos realizar a execução”, disse, o defensor Freddy Alejandro.
Na época, a Secretaria de Saúde do Estado disse que desde 2019 estão em funcionamento os serviços de cirurgias cardíacas pediátricas no Tocantins. Apesar disso, outros casos vêm sendo registrados.
Essa é a situação do pequeno Kauã, que nasceu em setembro do ano passado com um problema no coração. Há um ano ele estava internado no Dona Regina e a família precisou procurar o Ministério público, que entrou entrar na Justiça duas vezes.
A cirurgia só foi feita depois que a justiça bloqueou mais de R$ 200 mil do estado. Hoje, com 1 ano e um mês, o pequeno Kauã trava outra batalha contra o tempo e também, novamente, na Justiça para conseguir outra cirurgia.
“Eu entrei judicialmente, mais uma vez, pelo Ministério Público. Já tenho um pedido e eles não dão saída, deixam para a hora. Fica naquela: joga para um, joga para outro”, lamentou a mãe Laise Sousa.
O que diz o governo
A Secretaria Estadual da Saúde (SES) disse que o caso de Kauã está na central nacional de alta complexidade, do Ministério da Saúde, aguardando agendamento. Por causa da complexidade, esse procedimento não é feito no Tocantins.
Ainda segundo a SES, a cirurgia estava agendada para o último dia 19, mas foi cancelada pelo próprio hospital, em São Paulo.
Em relação ao bebê Levi, informou que ele está na UTI neonatal do hospital e maternidade Dona Regina, aguardando condições clínicas para que o procedimento seja feito.
Hospital Maternidade Dona Regina, em Palmas
Reprodução/TV Anhanguera
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Fonte: G1 Tocantins