‘Estou no carro, forte explosão’, diz ex-malabarista do Cirque du Soleil em Kiev, capital da Ucrânia

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Seu irmão, que mora em Contagem, na Grande BH, relata preocupação com família que ficou na terra natal em meio à guerra com a Rússia. Andrii registra pessoas aguardando possível ataque em Kien, capital Ucraniana.
“Estou no carro. Indo embora. Porque houve forte explosão”. Com essas palavras, o ucraniano Andrii Kolesnikov disse ao g1 Minas às 16h30 desta sexta-feira (25), ou 21h30 do horário local, que estava deixando a capital da Ucrânia, Kiev, depois que ela passou a virar um dos principais alvos dos russos.
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“Estou no carro. Partindo. Porque houve forte explosão”, escreveu ucraniano ao g1 às 16h30 desta sexta-feira.
Reprodução
Apenas uma hora antes, ele tinha dito que ele e sua família estavam apreensivos à espera de um ataque iminente – que ainda não tinha começado. E continuavam, naquele momento, em Troenchina, bairro da capital.
“Nós ouvimos algumas explosões, e eu estou incerto sobre a internet agora, pois pode ser que eles cortem toda a comunicação”, disse Andrii às 15h30, quando enviou o vídeo que abre esta reportagem, mostrando a movimentação.
Bastou uma hora para que o cenário mudasse. Ele já estava na estrada, ainda que preso em um grande congestionamento.
“Eu estou bem. Estou com um amigo. Há engarrafamento na saída de Kiev e, provavelmente, vamos ficar presos por 2 horas”, disse.
O restante de sua família foi para outro local, que ele achou mais seguro não informar onde fica.
“Eles estão mais seguros onde estão. Eu não posso dizer onde estão, mesmo que soubesse”, disse.
Bombeiros trabalham em um prédio danificado após um ataque com míssil na cidade de Kiev, capital da Ucrânia, nesta sexta-feira (25)
Serviço de Imprensa do Departamento de Polícia da Ucrânia via AP
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Irmão preocupado no Brasil
Irmão de Andrii, o artista ucraniano Sergii Kolesnikov, de 34 anos, que hoje mora em Contagem, na região metropolitana de Belo Horizonte, divide seu tempo entre os noticiários sobre a guerra com a Rússia e o contato com a família, que continua em Kiev, capital da Ucrânia, desde o início dos ataques, na madrugada de quinta-feira (24).
Na manhã desta sexta-feira (25), Sergii contou que sua família viveu momentos de tensão durante ataques que ocorreram perto do apartamento de seus pais, onde parte a família estava reunida.
“Estou estressado. Minha família teve que ir para o porão do prédio nesta noite e de manhã. Ninguém conseguiu dormir”, conta ele.
Ele vive no Brasil há cerca de cinco anos e é casado há quatro com uma brasileira. Na Ucrânia, ainda vivem seus pais, uma irmã, que é casada e tem dois filhos, além do irmão.
Os dois irmãos foram parceiros no malabarismo no Cirque du Soleil durante dez anos, que são motivo de orgulho para Sergii.
Sergii (à direita) se apresenta com o irmão Andrii durante espetáculo do Cirque du Soleil.
Arquivo pessoal
Por nove anos eles viajaram o mundo com o espetáculo “Corteo”, que esteve no Brasil em 2013, ano em que conheceu o país em que decidiu viver definitivamente.
“Comecei a trabalhar no Cirque du Soleil quando tinha 19 anos, quando eles foram para a Ucrânia e convidaram eu e meu irmão. Viajamos por todo o mundo. Conheci pessoas famosas. Foi bom!”, lembra, nostálgico.
‘Não levamos ataque a sério’
Sergii disse que, quando soube dos primeiro ataques, enfrentou dificuldades para falar com os pais, e que eles ainda não sabiam como deixar o país, com tantos congestionamentos, além de passagens de ônibus e trens esgotadas. Mesmo assim, estavam preparados para tudo:
“Meus pais não dormem. Um dorme e o outro fica vigiando. Eles já têm todos os documentos importantes e mala pronta para sair a qualquer momento”.
Sergii durante sua viagem à Ucrânia, em agosto de 2021. “Eu escutei um rumor de que eles iriam invadir, mas não levamos muito a sério’.
Arquivo pessoal
Segundo ele, as pessoas não acreditavam que a Rússia realmente faria um ataque. Ele esteve na Ucrânia em agosto de 2021 e ficou no país por três meses.
“Havia tensão há muito tempo, e na quarta eu escutei um rumor de que eles iriam invadir, mas não levamos muito a sério. Agora, se eu não estou conversando com meus pais, eu estou assistindo noticiário para saber o que que acontece. Estou estressado, mas quando eu ligo para eles, vendo que eles estão bem, me sinto um pouco melhor”, disse.
Mapa mostra locais da Ucrânia que foram atacados pela Rússia
Arte g1
*Estagiária com supervisão de Cristina Moreno de Castro
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Fonte: G1 Mundo