Esposa de professor morto em acidente diz que viu marido vivo e pensou que seria apenas um susto: ‘Ele queria tanto viver’

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Vídeo mostra motocicleta presa em contêiner após batida em Araguaína, no último fim de semana. Em entrevista ao g1, Lorena Feitosa diz que local não era sinalizado e que batida poderia ter sido evitada. Vídeo mostra moto presa em contêiner após acidente que matou professor em Araguaína
Era 19h de sábado (16), quando Lorena Feitosa, de 37 anos, recebeu uma ligação informando que o marido, o professor universitário, Luciano Fernandes, de 44, tinha acabado de sofrer um acidente, em Araguaína. A analista jurídica foi ao local, viu o esposo vivo na ambulância do Samu e ficou mais calma, pensou que seria apenas um susto. Ela não imaginava que horas depois ele morreria. Luciano não resistiu depois das 23h em decorrência de uma lesão na traquéia.
Os dois ainda estavam em lua de mel, tinham se casado no dia 12 de agosto, 34 dias antes da colisão. Luciano era professor de zootecnia da Universidade Federal do Norte do Tocantins (UFNT).
“Ele queria tanto viver. Eu cheguei ao hospital com o meu marido bem e saí com as roupas dele em uma sacola e a aliança dele na mão”, disse em entrevista ao g1 nesta terça-feira (19).
Lorena e Luciano tinham se casado um mês antes do acidente, que provocou a morte do professor em Araguaína
Reprodução/Instagram
Segundo as informações, Luciano trafegava de motocicleta por uma rua de Araguaína, quando tentou se desviar de um carro e acabou batendo em um conteiner. Um vídeo mostra a moto presa no equipamento de concreto. Segundo Lorena, após a batida, o marido não caiu. “Ele bateu e deu um pulo da moto, ele parou em pé. Não bateu a cabeça, mas bateu o pescoço e machucou a traqueia”.
Moto de professor ficou presa em conteiner de concreto após acidente em Araguaína
Divulgação
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Lorena denunciou que o conteiner estava sem sinalização e que, se as regras para o uso do equipamento fossem seguidas, a tragédia poderia ter sido evitada.
“Eu vi o vídeo do acidente. Parou um carro, veio outro carro e não sobrou espaço, parece que o carro estava com a luz alta, deve ter cegado ele. O conteiner não era sinalizado, ele pensou que estava livre. Ele bateu de frente e não caiu da moto. A gente tinha tantos sonhos para realizar, se tivesse uma sinalização e ele estivesse desviado, seria uma coisa tão simples”.
Luciano e Lorena se casaram no dia 12 de agosto
Reprodução/Instagram
No dia da batida, Luciano e Lorena almoçaram juntos, algo raro de acontecer. Os dois se declararam um para o outro. Mais tarde, ele foi para a academia e ela foi até uma loja comprar um eletrodoméstico. Estava tudo bem, até ela receber uma ligação.
“Uma moça me ligou do celular dele, eu pensei que ele tinha perdido o celular, mas ela falou que ele tinha sofrido um acidente, mas que estava bem. Eu fui correndo, quando eu cheguei, ele estava lá, na ambulância do Samu. Ele não conseguia falar por causa do machucado. Ele olhou para mim com uma cara tão assustada, sabendo que eu iria brigar com ele. Eu fui para o hospital pensando: ‘Obrigada, meu Deus, por essa oportunidade, por esse susto. Eu tenho certeza que é para eu ter embasamento para o Luciano nunca mais andar de moto”, relatou.
Lorena não gostava que o esposo usasse motocicleta para se locomover na cidade. Ela lembra que o pai do marido “odiava moto” e também sofreu um acidente que quase lhe tirou a vida quando tinha a mesma idade de Luciano.
Deitado na ambulância do Samu, Luciano não conseguia falar. Ele chegou a escreveu no bloco de notas do celular uma mensagem para o médico: “Eu vi a mensagem, ele disse que estava ficando frio”.
Lorena disse que quando chegou ao hospital, tinha consciência de que não era nada grave, mas que horas depois, Luciano precisou ser reanimado.
“Eu fiquei sem acreditar e pensava: ‘Não é possível, não tem condições’. Fui falar com o médico para ele me dar a notícia, aí me joguei na parede. O que eu senti na hora, eu sinto toda a manhã de uma forma mais pesada. Eu acordo e por uns 5 segundos eu me sinto bem, depois a sensação que eu tenho é como se eu fosse pisar e não tivesse chão. Toda vez que lembro de todos os nossos planos, é como se eu não tivesse chão para pisar, era uma pessoa que queria tanto viver, que eu amava tanto”.
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Fonte: G1 Tocantins