Projeções estimam que margem de disputa será mais apertada desta vez. Conheça os programas dos candidatos. Uma tela mostra o presidente francês Emmanuel Macron e a candidata de extrema direita Marine Le Pen.
Francois Mori/AP
Com todas as projeções de institutos de pesquisas e dados parciais da apuração apontando Emmanuel Macron e Marine Le Pen no segundo, tudo caminha para uma reedição do segundo turno de 2017.
Le Pen, do partido Reagrumpamento Nacional, de extrema direita, está concorrendo pela terceira vez. Durante toda a campanha, ela ficou em segundo, atrás de Macron. A diferença entre os dois, no entanto, diminuiu durante os últimos dias.
Em 2017, quando Macron e Le Pen se enfrentaram no segundo turno, ele teve 66% dos votos, e ela, 34%.
As projeções apontam que desta vez as votações dos dois devem ser mais parecidas. A campanha dela deste ano foi em grande parte uma tentativa de parecer menos radical para agradar uma base maior de eleitores.
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Apesar disso, ela ainda insiste em temas como uma campanha política contra as manifestações do islamismo e uma diminuição da imigração para o país.
Macron afirma que sua adversária faz campanha com aquilo que as pessoas temem. “Quando vejo as opiniões da extrema direita, quem quer que seja o candidato, há muitas ligações com teorias da conspiração, e os dois anos da pandemia de Covid-19 tudo e o oposto disso foi dito”, afirmou ele.
Ele afirma que as propostas da extrema direita não fazem sentido financeiro e são demagógicas.
Nos últimos dias de campanha, Macron deu entrevistas para tentar promover suas políticas e citou o que fez no primeiro mandato (especialmente seus esforços durante a guerra da Ucrânia, que teria afastado da campanha).
Emmanuel Macron
Emmanuel Macron em campanha, em 5 de abril de 2022
Stephane Mahe/Reuters
Mais liberal do que em 2017, Macron quer uma França onde “cada um trabalhe mais”, com uma aposentadoria a partir dos 65 anos, mas promete em troca alcançar o pleno emprego.
O atual presidente de centro promete reduzir os impostos das empresas em 10 bilhões de euros (quase US$ 11 bilhões) se for reeleito, que estas intervenham em sessões de orientação nas escolas de ensino médio e recompensar os professores por méritos.
“Ao mesmo tempo”, defende uma série de medidas sociais, como permitir aos casais não casados realizar uma declaração conjunta de impostos e aumentar a 1.100 euros a pensão mínima por uma carreira completa.
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Embora uma de suas principais medidas seja impulsionar a energia nuclear para produzir eletricidade, também quer desenvolver as renováveis.
Confira a seguir as principais medidas de seu programa, cujo custo estimou em 50 bilhões de euros ao ano (cerca de 55 bilhões de dólares), sem contar as reduções de impostos:
EDUCAÇÃO
Meia hora de esporte diária e duas horas mais por semana no ensino médio.
Apresentar aos alunos de ensino médio ofícios técnicos e manuais e ensinar o código informático.
Reformar a formação profissional, aumentando atividades práticas em empresas.
Adaptar os locais de educação superior às necessidades de trabalho.
Garantir a substituição dos professores ausentes.
Matemática como matéria comum nas escolas.
SAÚDE
Fazer com que a França volte a produzir medicamentos.
Lutar para que regiões sem número suficiente de médicos.
Contratar enfermeiros e auxiliares nos hospitais.
APOSENTADORIA
Aumentar gradativamente a idade de aposentadoria de 62 para 65 anos.
Elevar a pensão mínima completa a 1.100 euros mensais.
Contratar 50.000 enfermeiros e auxiliares de residências de idosos até 2027.
Facilitar que os aposentados possam exercer uma atividade profissional.
Subvencionar em até 70% o custo de adaptar as residências.
Lançar uma convenção cidadã para refletir sobre o fim da vida.
EMPREGO E TRIBUTAÇÃO
Condicionar a renda mínima vital a 15 ou 20 horas de atividades de inserção ou formação.
Eliminar a cotação do valor agregado das empresas, ou seja, 10 bilhões de euros anuais no total.
Triplicar o limite do “bônus Macron”, que as empresas podem abonar a seus trabalhadores sem pagar impostos.
Uma empresa que paga dividendos terá que recompensar seus funcionários.
Suprimir o imposto audiovisual.
Isenção de imposto de sucessões até 150.000 euros por filho e 100.000 euros para os demais membros da família.
Universalizar uma conta que permita guardar dias de ferias ou cobrá-los ao invés de desfrutá-los.
ECOLOGIA
Construir seis reatores nucleares de nova geração, estudar a possibilidade de outros oito.
Multiplicar por dez a potência solar, implantar 50 parques eólicos marinhos até 2050, fabricar milhões de veículos elétricos e híbridos.
Condicionar a remuneração dos dirigentes de grandes empresas a respeito de metas ambientais e sociais.
Renovar 700 mil residências ao ano.
IMIGRAÇÃO
Reforçar os controles fronteiriços na União Europeia (UE) e na França.
Acelerar os procedimentos de asilo e expulsar de forma mais eficaz em caso de recusa.
Condicionar a permissão de residência de longa duração a passar em um exame de francês e a uma inserção profissional.
Expulsar os estrangeiros que alterarem a ordem pública.
SEGURANÇA
Concluir a duplicação da presença das forças de segurança nas ruas e mobilizar 200 novas brigadas de gendarmeria.
Aplicar multas fixas para as infrações cotidianas.
Contratar 8.500 magistrados e pessoal judiciário adicionais.
Dobrar o número de reservistas operacionais nas forças armadas.
Marine Le Pen
A candidata de extrema-direita, Marine Le Pen, discursa na sede do seu partido em Paris, neste domingo (10).
Francois Mori/AP
A candidata do Reagrupamento Nacional (RN, extrema direita), Marine Le Pen, quer frear a imigração, combater o islamismo e aumentar o poder aquisitivo com o objetivo de devolver aos franceses “seu dinheiro” e “seu país”.
Confira a seguir os principais pontos de seu programa para a eleição presidencial, que ela pretende adotar graças à emissão de um empréstimo nacional e 68,3 bilhões de euros (cerca de 74,3 bilhões de dólares) de receita.
IMIGRAÇÃO
Organizar um referendo sobre um projeto de lei para incluir na Constituição o “controle” da imigração, a “propriedade nacional” e a primazia do direito francês sobre o internacional e o europeu.
Restabelecer o delito de permanência ilegal e obrigar os funcionários a denunciarem a presença de clandestinos.
Reservar as ajudas sociais aos franceses e condicionar as prestações de solidariedade a cinco anos de trabalho.
Prioridade a franceses para o acesso às moradias sociais e ao emprego.
Suprimir a permissão de residência aos estrangeiros que não tenham trabalhado durante um ano.
Expulsar clandestinos, delinquentes e criminosos estrangeiros fichados como perigosos.
Eliminar o “direito de solo”; concessão da cidadania com base em critérios de mérito e assimilação.
Solicitações de direito de asilo em consulados e embaixadas no exterior.
ISLAMISMO
Proibir a “prática, a manifestação e a difusão pública”, tanto no cinema quanto na imprensa e nas escolas de “ideologias islamitas”.
Proibir que as mulheres usem o véu em público.
SEGURANÇA
Restabelecer penas mínimas.
Presunção de legítima defesa para as forças de segurança.
Dobrar o número de magistrados.
Inscrever os assediadores de rua na ficha de criminosos sexuais.
Criar 25 mil novas vagas prisionais em 2027.
Eliminar a possibilidade de reduzir ou atenuar penas de prisão.
PODER AQUISITIVO
Reduzir o IVA de combustíveis, gás e eletricidade de 20% a 5,5%.
Eximir das cotações empresariais as empresas que aumentarem os salários (até três salários mínimos) em 10%.
Renacionalizar as empresas de rodovias.
Privatizar a radiotelevisão pública.
Eximir do imposto de renda os menores de 30 anos.
Exonerar do imposto a sociedades empresários menores de 30 anos nos cinco primeiros anos.
Dobrar as ajudas às mães solteiras.
Criar um imposto com juros de 0% para famílias jovens.
Doações isentas de impostos de até 100.000 euros por filhos a cada dez anos.
INSTITUIÇÕES
Referendo de iniciativa cidadã.
Sistema de votação proporcional para as eleições legislativas.
APOSENTADORIA
Adiantar a idade de aposentadoria aos 60 anos com 40 anos trabalhados para os franceses que entraram na vida ativa antes dos 20 anos.
Aposentadoria entre os 60 anos e nove meses e os 62 anos para os franceses que começaram a trabalhar entre os 20 e os 24 anos e meio.
Reajustes das pensões com a inflação.
Aumentar para 1.000 euros a renda mínima para os franceses maiores de 65 anos com poucos recursos.
ENERGIA
Eliminar as subvenções às “energias intermitentes” (como solar e eólica).
Paralisar os projetos de eólicas e desmontar progressivamente os parques existentes.
Relançar os setores nuclear e hidrelétrico, e investir em hidrogênio.
AGRICULTURA E ALIMENTAÇÃO
Retirar a agricultura dos tratados de livre comércio.
Intervenção estatal na fixação de preços.
Proibir as importações que não respeitarem as normas francesas.
Obrigar as cantinas e refeitórios a usarem 80% de produtos franceses.
PEQUENAS E MÉDIAS EMPRESAS
Reduzir impostos de produção de pequenas e médias empresas.
Suprimir os impostos sobre a transferência de empresas.
Criar um imposto à fortuna financeira para taxar a especulação.
EMPRÉSTIMO NACIONAL
Lançar “um grande empréstimo nacional”, remunerado a 2%, para financiar os investimentos.
DEFESA
Aumentar o orçamento a 55 bilhões de euros até 2027.
Sair do comando integrado da Otan, órgão que define a estratégia militar da Aliança.
SAÚDE
Plano de 20 bilhões de euros em cinco anos, entre os quais 2 bilhões de euros para aumentar salário do pessoal.
Suprimir as Agências Regionais de Saúde.
EDUCAÇÃO
Punir faltas de alunos com suspensão de ajudas financeiras e bolsas.
Aumentar a escala salarial dos professores em 3% ao ano.
Fonte: G1 Mundo
