Desejos, homenagem aos mortos e alegria de dançar o São João estão entre os temas das apresentações do Arraiá da Capital

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Juninas comemoram retorno à arena com a presença do público e falam da expectativa para o 30º Arraiá da Capital. Confira os preparativos dos grupos Arrasta Pé do Liberdade, Matutos da Noite e da Coronéis da Sucupira. Apresentação da Coronéis da Sucupira no Arraiá da Capital
Júnior Suzuki/Prefeitura de Palmas
Se a expectativa é grande para o retorno presencial do 30º Arraiá da Capital para o palmense, as quadrilhas juninas estão com os preparativos a todo vapor. Foram dois anos com apresentações somente online e sem a torcida do público por causa da pandemia. O evento totalmente presencial será realizado entre os dias 22 e 27 de junho no estacionamento do Estádio Nilton Santos, em Palmas, com transmissão ao vivo pelo g1.
Para dar boas vindas ao clima junino, o g1 conversou com representantes das nove quadrilhas que fazem parte do grupo especial do Arraiá da Capital. As entrevistas foram divididas em uma série de três reportagens para mostrar os desafios e como está sendo a preparação para esse retorno presencial.
Confira como estão os preparativos da Arrasta Pé do Liberdade, Matutos da Noite e da Coronéis da Sucupira.
Que venha o São João
Equipe do Arrasta Pé do Liberdade ensaia na região Norte de Palmas
Matheus Ferreira de Souza/ Divulgação
Uma das juninas que disputará o título do 30º Arraiá da Capital é a Arrasta Pé do Liberdade, que tem sede e local de ensaios na quadra 307 Norte. Cerca de 50 pessoas, fazem parte da produção do espetáculo, que será apresentado no dia 25.
Matheus Ferreira de Souza, figurinista do grupo, conta que o retorno está sendo preparado com cuidados, ensaios mais moderados e uma atenção especial à saúde e bem-estar dos integrantes. Tudo isso para evitar possíveis contaminações com novo coronavírus, causador da Covid-19.
O tema deste ano será ‘Não há tristeza que possa suportar tanta alegria. Que venha o São João!’, e segundo Souza, remete justamente ao período em que o mundo enfrentou a pandemia, mas mantendo a raiz da tradição e trazendo esperança aos espectadores. “A temática é bem refletida nos figurinos, que trarão a noite de São João em trabalhos com chitas e bandeirolas”.
Confecção dos figurinos da Arrasta Pé
Matheus Ferreira de Souza/ Divulgação
“As expectativas são altas porque a alegria maior é poder mostrar nosso espetáculo para o público o coração quase não se aguenta de tanta emoção por estar de volta ao tablado rodeado de pessoas”, comemora o figurinista.
Mas apesar da alegria em voltar à arena do Arraiá da Capital, o integrante da Arrasta Pé relata algumas dificuldades enfrentadas na pandemia que refletem diretamente no retorno. “A redução do número de componentes certamente foi uma das dificuldades que enfrentamos nesse período, e a falta de verba também nos afetou muito, por não podermos realizar eventos que nos ajudavam na produção do espetáculo”, comenta.
A junina nasceu em maio de 2003, após iniciativa de jovens da região norte de Palmas ligados à Associação Ação Social Jesus de Nazaré. De acordo com o Alexandro Ramos Queiroz, diretor administrativo, o grupo foi criado para manter os jovens próximos à comunidade católica.
“No mês de junho tínhamos de dificuldades de reunir os jovens na Igreja por que tinha a questão das juninas, e o pessoal saía muito para dançar. Conversando entre a coordenação, decidimos criar o grupo junino”, conta o diretor administrativo.
Queiroz afirma que as apresentações da junina não ficam apenas em Palmas, mas percorrem outras competições pelo estado e ainda explicou como surgiu o nome da quadrilha. “O grupo de jovens se chamava Liberdade, por isso a gente criou o grupo junino Arrasta Pé do Liberdade, que é oriundo desse grupo de jovens”.
Entre a conquistas da Arrasta Pé do Liberdade estão o 2° lugar no Arraiá de 2009 no grupo especial e foi campeã pelo grupo de acesso nos anos 2006 e 2013.
Desejos e ambições na arena
A junina Matutos da Noite, a terceira a se apresentar no dia 25 de junho, iniciou os preparativos para a apresentação deste ano em fevereiro, mesmo sem saber se o evento seria liberado pela Prefeitura de Palmas por causa da pandemia da Covid-19.
Com o tema “Desejos”, a Matutos quer tratar das ambições, do ego, da vaidade e no que essas características podem transformar as pessoas. Esta abordagem, segundo Marcos Soel Ferreira Lima, presidente da junina, este tema é o mesmo que seria apresentado em 2020, quando começaram as orientações para isolamento social. “Porém foram feitas muitas adaptações principalmente em repertório, que ainda mencionava o ano de 2020”, explica.
Para as adaptações para 2022, mudança no roteiro teatral e até em cumprimento à norma de redução dos dançarinos em arena, a equipe intensifica os ensaios para garantir preparo físico e resistência dos dançarinos.
Ensaio da Matutos da Noite
Marcos Soel/ Divulgação
Como a junina tem mais participantes que o número permitido, que são 16 casais, Lima também conta que haverá revezamento para que todos possam participar. “Procuramos tomar todos os cuidados e até por isso foi reduzido o número de participantes dentro de quadra. Antigamente tínhamos 30 ou 40 casais”, reforça.
“Apesar de tudo, trabalhamos com muita alegria por estar retornando e muita dedicação para que o público aproveite conosco essa volta das quadrilhas juninas. Nós estamos muito felizes com esse retorno”, comemora o presidente.
A Matutos da Noite tem 26 anos de história e nasceu na Jardim Aureny IV, região sul de Palmas.
Flores e homenagens aos mortos
Com uma equipe de cinco costureiras, três coreógrafos, cinco aderecistas, sete integrantes da equipe de apoio e ainda 32 dançarinos, a junina Coronéis da Sucupira se prepara intensamente para o retorno do Arraiá da Capital de forma presencial. A apresentação será a última do dia 25.
Segundo Erdilez Paiva, diretor geral da junina, que nasceu no Jardim Aureny III, em Palmas, há 13 anos, o recomeço está intenso, mas todos estão ansiosos por ter novamente as apresentações com público. “Está a maior correria, apesar de termos iniciados nossos trabalhos um pouco atrasados. Está um pouco diferente dos outros anos, mas todo recomeço é assim. Mas nós vamos em frente e vai dar tudo certo”, diz o diretor.
Maquiagem temática da Coronéis da Sucupira
Erdilez Paiva/ Divulgação
Para o Arraiá deste ano, o tema da apresentação falará sobre flores e os casais ainda vão homenagear as pessoas que já faleceram, tendo como inspiração um filme de animação que fala sobre o amor mesmo após a morte, lançado em 2017. “Sempre tivemos temas bem destacados e neste ano vamos falar sobre flores e homenagear as pessoas que já se foram. Vamos fazer uma livre adaptação do filme de animação ‘Viva – A Vida é uma festa’. Achamos a história muito bonita e vamos abordar esse tema”, conta Paiva.
Assim como as outras equipes, a junina entra na arena com 16 casais, número exigido pela Federação de Quadrilhas Juninas do Tocantins (Fequajuto) e Fundação Cultural de Palmas (FCP).
Casais que representam a Coronéis da Sucupira
Erdilez Paiva/ Divulgação
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Fonte: G1 Tocantins