COP26: diplomata dos EUA diz esperar que Brasil colabore para ‘consenso’ no mercado de carbono

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Encarregado de negócios dos EUA no país, Douglas Koneff elogiou anúncios feitos pelo Brasil em Glasgow. Países tentam regulamentar na COP artigo do Acordo de Paris sobre carbono. O encarregado de negócios da Embaixada dos Estados Unidos no Brasil, Douglas Koneff, declarou nesta sexta-feira (5) que espera a ajuda do governo brasileiro para encontrar “consensos” sobre o mercado de carbono durante a Conferência sobre o Clima da Organização das Nações Unidas (ONU), a COP 26.
Koneff, que responde de forma interina pela embaixada, conversou com jornalistas nesta sexta-feira (5) em Brasília, enquanto a conferência ocorre em Glasgow, na Escócia. O combate às mudanças climáticas é uma das prioridades do atual presidente do EUA, Joe Biden.
O diplomata americano elogiou o desempenho do governo brasileiro na COP26 até o momento e destacou que espera, na próxima semana, avanços nas negociações entre os países em torno da regulamentação do artigo 6 do Acordo de Paris assinado em 2015.
Esse artigo trata do estabelecimento do chamado mercado de carbono, mas parte das regras ainda está pendente.
Os governos na COP26 tentam avançar na regulamentação que permitirá que países emissores de gases do efeito estufa possam comprar créditos de carbono – ou seja, enviar dinheiro para entidades ou países para financiar ações ambientais e, com isso, “compensar” o dano dos gases emitidos. Entenda no vídeo abaixo:
Entenda o que é o crédito de carbono
“Acho que, até agora, o papel do Brasil na COP 26 tem sido muito bom. Vamos ver o que acontece na próxima semana”, disse Koneff.
“Acredito que o Brasil vai ser parte, que, com a ajuda do Brasil, podemos chegar a consenso sobre o Artigo 6. E por quê? Quais países vão aproveitar o Artigo 6? Vai ser o Brasil, vão ser as comunidades indígenas da Amazônia, vão ser outras comunidades marginalizadas. Então, vários países vão aproveitar um consenso sobre o Artigo 6, e o Brasil vai ser um deles”, acrescentou.
Na conversa com jornalistas, Koneff não detalhou como o Brasil poderá auxiliar nesse consenso, na visão dele, e não disse qual modelo os Estados Unidos defendem para o mercado de carbono.
O governo do presidente Jair Bolsonaro defende que o mercado de carbono global seja regulamentado e entende que o Brasil poderá receber recursos para auxiliar na preservação de florestas, em especial da Amazônia – a região registra recorde de desmatamento no atual governo.
Brasil na COP26
Koneff elogiou os anúncios feitos pelo governo brasileiro na COP26, realizada em Glasgow, na Escócia. O presidente Jair Bolsonaro esteve na Itália para reunião dos líderes do G20, mas retornou ao Brasil sem comparecer à conferência do clima.
Logo no início da COP, o ministro do Meio Ambiente, Joaquim Leite, anunciou uma nova meta climática com redução “mais ambiciosa” das emissões de carbono já para 2030, com o objetivo de alcançar a neutralidade de carbono até 2050.
O Brasil também aderiu a um compromisso junto com cerca de 100 países para reduzir emissões de metano em 30% até 2030. O metano é um gás que acelera a elevação da temperatura na Terra. Ele é produzido no aparelho digestivo do gado e em processos naturais, porém mais da metade do gás tem origem em uma série de atividades humanas, como os resíduos de aterros e a produção de óleo e gás.
O Brasil ainda também anunciou que pretende zerar o desmatamento ilegal em 2028. A meta anterior era 2030.
O diplomata americano afirmou que os anúncios fazem parte do combate às mudanças climáticas e que também é importante acompanhar a execução dos planos.
“Acreditamos que países como EUA e Brasil têm uma responsabilidade especial para combater a crise climática, para demonstrar liderança e ações. Os compromissos são importantes. O acompanhamento também é importante, mas eu diria o seguinte: o trabalho de cumprir os compromissos começa agora”, disse.
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Fonte: G1 Mundo