Chuvas intensas inundam ninhos de tartarugas da Amazônia no TO e força-tarefa é montada para salvar filhotes

0
207

Ovos em situação de risco são recolhidos e colocados em local seguro. Este ano o Projeto Quelônios catalogou pouco mais de 500 covas; no ano passado foram feitas mais de 2 mil marcações. Tartarugas da Amazônia enfrentam problemas de reprodução no Tocantins e ninhos correm o risco de ficar alagados
Dezenas de pessoas estão mobilizadas para salvar tartarugas da Amazônia no Tocantins. A força-tarefa do Projeto Quelônios acontece todos os anos, mas em 2021 os desafios são maiores. É que os animais estão enfrentando problemas de reprodução. As chuvas intensas inundam os ninhos e muitos filhotes morrem sem conseguir chegar à superfície. (Veja o vídeo)
Compartilhe esta notícia no WhatsApp
Compartilhe esta notícia no Telegram
As estacas enumeradas indicam onde estão os ninhos. Este ano o projeto que protege os animais catalogou pouco mais de 500 covas, bem menos que no ano passado quando foram feitas mais de 2 mil marcações.
Um dos trechos que era coberto por areia foi inundado pela água do rio Araguaia. Para proteger a espécie, técnicos do projeto recolhem os ovos que estão nos ninhos alagados. Depois eles são colocados em caixas com areia e vão para um local mais alto e mais seguro, até os filhotes nascerem.
Wilson Júnior, coordenador Projeto Quelônios, conta que é um desafio salvar os animais.
“O rio agora começa a encher, esse rio vai afogar as tartaruguinhas, a umidade vai subindo, a areia se compacta e eles não conseguem sair. O ano passado nós terminamos os trabalhos dia 22 de dezembro, a gente acredita que esse ano vamos até janeiro”, disse.
Tartarugas da Amazônia enfrentam problemas de reprodução no Tocantins
Reprodução/TV Anhanguera
Adailton Glória é supervisor do Parque Estadual do Cantão, acompanha o trabalho e notou a diferença. “Esse ano, foi um ano atípico né, a quantidade de quelônios diminuiu e a água veio muito cedo, as chuvas vieram muito cedo, então o rio tá enchendo muito rápido”, disse.
O período de reprodução das tartarugas da Amazônia geralmente é entre os meses de setembrom quando acontece a desova, e dezembro, que é quando os filhotes finalmente saem dos ninhos e ganham força para chegar na água.
Ninhos de tartarugas correm o risco de ficar alagados no Tocantins
Reprodução/TV Anhanguera
A pesquisadora da Universidade Federal do Tocantins (UFT) Adriana Malvario disse que as tartarugas acabaram atrasando a desova por causa das condições climáticas.
“Quando chega o limite, elas acabam escolhendo locais não tão, digamos assim, favoráveis ao ciclo reprodutivo. E quando elas desovam em praias mais baixas, aí essa subida mais súbita dos rios acaba inviabilizando o desenvolvimento dos embriões, dos filhotes, aí é autorizada a transferência. Se transferem os ninhos, ou translocam os ninhos, para áreas mais altas da praia”, explicou.
Camila Ferraza, especialista em quelônios da WCS, disse que as tartarugas têm um papel importante na natureza e precisam ser preservadas. “As tartarugas são os ‘urubus dos rios’, elas ajudam na limpeza dos rios. Toda aquela matéria morta, a tartaruga come, tanto animal, quanto vegetal. Então elas ajudam nessa limpeza, na ciclagem desses alimentos e na dispersão de sementes”, disse.
Ninhos são catalogados e ovos são retirados de áreas de risco
Reprodução/TV Anhanguera
Veja mais notícias da região no g1 Tocantins.

Fonte: G1 Tocantins