Caso Briner: Parentes e amigos fazem luau na praia da Graciosa para pedir justiça por motoboy que morreu no dia em que sairia da prisão

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A irmã da vítima disse ao g1 que o objetivo foi reunir os amigos sete dias após o enterro e renovar o pedido de justiça. Familiares e amigos de Briner fazem luau para pedir justiça pelo jovem
Na praia da Graciosa, em frente ao lago de Palmas, cerca de 150 pessoas pediram por justiça, na noite desta terça-feira (18). Eram parentes e amigos do motoboy Briner de Cesar Bitencourt, de 22 anos, que morreu em 10 de outubro, no dia em que ganharia o alvará de soltura. Ele estava preso na Casa de Prisão Provisória de Palmas por suspeita de tráfico de drogas, mas foi inocentado dois dias antes da morte.
Vídeos feitos no local mostram dezenas de pessoas de mãos dadas, na areia da praia. A maioria usava camisetas com a foto de Briner e a seguinte frase: ‘Alegria pede justiça’, se referindo ao bom humor do jovem, que arrancava sorrisos de quem estava próximo.
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Durante o ato, os amigos contaram quando e como conheceram o jovem. Eles falaram sobre histórias engraçadas e sorriram ao se lembrar dos momentos felizes.
Segundo a irmã, Belyza Bitencourt, o luau foi feito para “reunir os amigos sete dias depois do enterro e renovar o pedido de justiça”.
Parentes e amigos de Briner Bitencourt fazem luau na praia da Graciosa para pedir Justiça
Divulgação
Relembre o caso
Briner foi preso em outubro de 2021 pela acusação de tráfico de drogas durante uma batida policial na casa onde alugava um quarto. Todo o tempo em que ficou preso, tentou provar sua inocência.
Antes de ir para a prisão injustamente, ele trabalhava como entregador por aplicativo e fazia vídeos engraçados nas redes sociais sobre rua rotina como como motoboy.
Há pelo menos 15 dias, ele passou a sentir dores pelo corpo e segundo a Secretaria de Estado da Cidadania e Justiça (Seciju), responsável pelos presídios e detentos do Tocantins, o quadro de saúde piorou na noite de domingo (9) para segunda-feira (10). Ele foi levado para uma UPA da capital, mas não resistiu.
A Secretaria Municipal de Saúde de Palmas (Semus) deu mais detalhes sobre a madrugada em que o detento foi atendido na UPA Sul, em Taquaralto. A pasta informou que a equipe chegou a pedir transferência para o Hospital Geral de Palmas (HGP) via regulação, mas que não havia vaga. Sobre essa declaração, a Secretaria Estadual de Saúde (SES) disse que a unidade estava providenciando a vaga, mas que a UPA cancelou o pedido após a morte do jovem.
A sentença que determinou a inocência do jovem saiu na sexta-feira (7), mas ele ainda estava na Unidade Penal de Palmas (UPP) porque ainda não tinha um alvará de soltura. O documento só saiu na segunda-feira, mas Briner já estava morto.
O Tribunal de Justiça Tocantins assumiu que houve falha no processo de Briner de César Bitencourt. “Houve falha. […] Houve um erro terrível e isso é incompatível com a mais elementar ideia de justiça. A expectativa é que o estado tocantinense, como um todo, assuma isso perante a família”, disse o juiz auxiliar do Tribunal de Justiça do Tocantins, Océlio Nobre da Silva.
Uma semana após a morte de Briner, o chefe da unidade prisional Thiago Oliveira Sabino de Lima que pediu dispensa da função. Nesta terça-feira (18), o governo nomeou o policial penal Cícero Alexandre de Lacerda para assumir o cargo.
Representantes da Comissão de Direitos Humanos da Ordem dos Advogados do Brasil – seccional Tocantins (OAB-TO) estiveram na Unidade Penal de Palmas (UPP) para ver as condições do local e conversaram com detentos, inclusive os que dividiam a cela com o jovem que morreu no dia que seria solto.
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Fonte: G1 Tocantins