Motoboy Briner Bitencourt ficou um ano preso tentando provar inocência e chegou a ser absolvido, mas morreu horas antes do alvará de soltura chegar ao presídio. Ele passou as últimas duas semanas de vida reclamando de dores pelo corpo. Briner de César Bitencourt tinha 22 anos
Arquivo pessoal
A Justiça determinou que a direção da Unidade Penal de Palmas entregue as imagens das câmeras de segurança das áreas em que o jovem Briner de César Bitencourt, de 22 anos, frequentou dentro do presídio dias antes de morrer. Ele ficou um ano preso tentando provar inocência e chegou a ser absolvido, mas o alvará de soltura só saiu horas depois da morte.
O que se sabe sobre o caso de Briner de César Bitencourt
O pedido foi feito pela mãe de Briner, Élida Pereira da Cruz Dutra, como forma de produção antecipada de provas em processo de indenização que a família deve propor contra o Estado do Tocantins.
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O objetivo do pedido é verificar se o motoboy recebeu o devido atendimento médico necessário pela unidade prisional. A Secretaria de Cidadania e Justiça (Seciju), responsável pelas unidades prisionais do estado, informou que atenderá prontamente a todas as solicitações judiciais.
Briner começou a passar mal há duas semanas. Ele foi absolvido da acusação de tráfico de drogas na sexta-feira (7) e morreu na madrugada de segunda-feira (10) após ficar duas semanas passando mal dentro da unidade.
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A família de Briner pediu em especial imagens das câmeras que dão acesso à enfermaria, à cela que ele estava em prisão preventiva e ao pátio do banho de sol, bem como dos corredores que interligam estes ambientes, no período entre os dias 6 e 10 de outubro.
O juiz plantonista Zilmar dos Santos Pires deu prazo de 24 horas para que as imagens fossem entregues. A urgência ocorre porque as filmagens do presídio, em tese, ficam armazenadas por apenas sete dias.
Mãe de Briner lamenta morte
Reprodução/TV Anhanguera
Entenda o caso
Briner de César Bitencourt era motoboy e estava preso preventivamente na Unidade Penal de Palmas (UPP) desde outubro de 2021, respondendo a processo por tráfico de drogas.
O jovem, que adoeceu na unidade prisional, foi absolvido, mas morreu horas antes de o presídio receber o alvará de soltura. A defesa cobra explicações ao governo do estado.
Briner foi preso durante uma operação da Polícia Militar (PM) em que foi encontrada uma estufa utilizada para o cultivo de maconha em Palmas. Ele não tinha passagens pela polícia e há um ano negava envolvimento com o crime.
Próximo a data de seu julgamento, Briner começou a ter dores pelo corpo. Segundo a Secretaria de Estado da Cidadania e Justiça (Seciju), responsável pelos presídios e detentos do Tocantins, o quadro de saúde piorou na noite de domingo (9) para segunda (10), quando morreu.
Durante todo o tempo que esteve preso, a família de Briner não foi informada sobre a situação dele. Em nota a Seciju disse que seguiu o protocolo ao deixar de falar para a família sobre o estado de saúde dele e comunicar apenas o óbito.
Absolvido, mas não solto
A sentença que absolveu Briner pelo crime de tráfico de drogas saiu na última sexta-feira (7). A defesa do jovem disse que quando o juiz publicou a sentença com a absolvição, não tinha mais ninguém para dar andamento e expedir o alvará de soltura.
A autorização para a soltura de Briner só chegou ao presídio dois dias depois. A Seciju informou que a Central de Alvarás de Soltura recebeu o alvará autorizando a liberação de Briner na segunda-feira (10) às 15h40, quando o jovem já estava morto.
O Tribunal de Justiça foi questionado sobre o atraso na liberação do alvará de soltura e por nota informou que o processo obedeceu ao trâmite normal, ‘sem qualquer evento capaz de macular ou atrasar o andamento do feito’.
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Fonte: G1 Tocantins
