Brasileiro que fugiu nos EUA já pulou muro de 4,5 metros para escapar de centro de internação: ‘Adestramento de saltar muros’

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Danilo Sousa foi internado em 2006, aos 17 anos, suspeito de tentativa de homicídio, em Paraíso do Tocantins, mas conseguiu fugir. Nos EUA, ele foi capturado após 14 dias. Danilo Sousa, o brasileiro condenado a prisão perpétua, que fugiu de uma cadeia nos Estados Unidos, já pulou um muro de 4,5 metros para escapar de um centro de internação no Tocantins. O caso aconteceu em 2006 quando, aos 17 anos, ele foi detido suspeito de praticar ato infracional análogo a tentativa de homicídio. Para o agente da Polícia Civil, Adriano Borges, ele era especialista em pular muros.
“Desde pequeno ele já tem esse adestramento de saltar muros altos e enfim, escalar, romper obstáculos”, disse o agente.
Nos EUA, ele foi condenado por esfaquear Débora Evangelista Brandão, de 34 anos, com quem tinha um relacionamento. O crime aconteceu na cidade de Phoenixville, em abril de 2021. Danilo esfaqueou a vítima na frente dos dois filhos e foi preso horas depois do crime.
Ele fugiu no dia 31 de agosto, passou 14 dias longe da presídio, até ser capturado pela polícia da Pensilvânia (EUA) na última quarta-feira (13).
Montagem mostra Danilo Cavalcanti antes de fugir de presídio na Pensilvânia e após ser capturado, em 13 de setembro de 2023.
Chester County Prison via AP e Pennsylvania State Police/Reuters
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Os crimes começaram cedo
É na cidade de Paraíso, a 60 km de Palmas, que Danilo vivia com a mãe e os irmãos. “Era difícil você passar um mês para Danilo não passar na delegacia, uma vez, duas vezes. Ele era realmente conhecido no meio policial”, relata o agente Adriano.
Os primeiros registros na polícia começaram quando ele tinha 14 anos de idade.
“Ele cometia pequenos furtos ali na vizinhança. E aí esses pequenos furtos foram se tornando mais violentos. Começou a andar armado com arma branca, com faca, depois com arma de fogo. Inclusive, ele chegou a em 2006, numa tentativa de cometer um roubo, tentou matar a vítima, inclusive, esfaqueando ela lá em Paraíso”, contou o agente.
Na época, como ainda era menor de idade e não poderia ser preso, Danilo foi internado no Centro Socioeducativo de Palmas para menores infratores. Em julho de 2006, após dois meses no local, ele aproveitou uma confusão entre os internos e conseguiu escalar um muro de 4,5 metros. Foi a primeira fuga.
O adolescente foi a pé até a rodovia que liga Palmas a Paraíso, um trajeto de 60 quilômetros. No dia seguinte, faltavam 20 km para Danilo chegar à cidade, quando o agente da Polícia Civil do Tocantins, Marcelo de Oliveira Melo, viu Danilo enquanto passava de carro pela rodovia.
“Na hora que eu desci da viatura, ele se evadiu para o mato. Aí eu gritei: ‘Danilo, para! Polícia. Ele simulou uma arma de fogo direcionada a mim. Nesse momento, eu na minha defesa, efetuei um disparo que acabou acertando o Danilo”.
O menor foi levado para um hospital e três horas depois já estava em outro centro para menores infratores.
“Apesar dele ser um menor, ele já nessa época ele já era um cara que inspirava muita periculosidade. Era um cara muito perigoso”, enfatizou o agente.
Homicídio em Figueirópolis
Danilo Sousa (à esq.) e Valter Júnior (à dir.)
Foto: Chester County Government e Arquivo Pessoal
Nos anos seguintes, Danilo continuou cometendo crimes. Em 2017, quando já era maior de idade, teria matado o próprio amigo a tiros em Figueirópolis. Valter Júnior tinha 20 anos e estava em uma lanchonete, quando foi surpreendido.
“Ele teria matado Valter Júnior por causa de uma dívida que o Valter Júnior teria com ele acerca de um conserto de um veículo”, relatou o promotor de Justiça, Rafael Alamy.
Na época, foi expedido um mandado de prisão, que nunca chegou a ser cumprido. Isso porque em janeiro de 2018, Danilo fugiu para os Estados Unidos.
Após seis anos, o caso nunca foi a julgamento. Em nota, o Tribunal de Justiça do Tocantins informou que segue tomando todas as medidas que cabem à Justiça no caso do réu. Disse que foi marcada uma audiência de instrução e julgamento do acusado para o dia 11 de outubro, às 16h, horário de Brasília.
“Com a captura de Danilo Sousa já foi determinada a expedição de nova carta rogatória solicitando o apoio da Justiça americana para o interrogatório por videoconferência na referida data e horário. Não sendo possível no período indicado, se solicita desde já que a autoridade americana marque o dia e hora para interrogatório do acusado por videoconferência através do Sistema de videoconferência do TJTO ou Google Meet”, disse o órgão.
Com relação a inserção do mandado de prisão no Banco Nacional de Mandado de Prisão, o Grupo de Monitoramento e Fiscalização do Sistema Carcerário (GMF), órgão ligado à Presidência do Tribunal de Justiça do Tocantins, já prestou informações ao Conselho Nacional de Justiça (CNJ) e comunicou a Corregedoria Geral da Justiça do Tocantins a quem compete apurar possível falha funcional.
Condenação nos EUA
Danilo Sousa Cavalcante não aceitava o fim do relacionamento com Débora Evangelista Brandão
Montagem/g1
Danilo é natural do Maranhão. Mudou para o Tocantins com parentes e chegou trabalhar como lavrador. Débora Brandão, ex-companheira do foragido, é do mesmo estado. Ela vivia regularmente no estado norte-americano da Pensilvânia, onde eles se conheceram. Ele estava ilegal nos EUA.
Débora foi esfaqueada 38 vezes por Danilo na frente dos dois filhos no dia 18 de abril de 2021. Segundo as investigações, ele não aceitava o fim do relacionamento e desde 2020, ameaçava a vítima.
Danilo foi preso quando estava no estado da Virgínia, uma hora depois de matar Débora. A condenação aconteceu uma semana antes da fuga da prisão no Condado de Chester, em West Chester.
A empresária Silvia Brandão, irmã da Débora que mora em São Luís (MA), falou da tristeza que o assassinato da irmã deixou na família.
“Nossa vida até hoje tem um vazio muito grande. Nós não estamos completos mais, e minha mãe… Uma mãe perder um filho não tem dor maior, né? Então nossa família está assim, tentando se reconstruir novamente, se reestruturar, mas incompletos. Ela faz muita falta, é uma dor imensa”, lamentou.
Os filhos de Débora, que na época do crime tinham 4 e sete anos, hoje são criados pro Sara Brandão, outra irmã da vítima, que ainda mora com as crianças nos EUA.
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Fonte: G1 Tocantins