Biden e Putin fazem reunião virtual para discutir situação da Ucrânia

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Washington teme que Moscou esteja preparando uma invasão do território ucraniano. Russos negam e querem garantias de que a Otan não irá se expandir naquela região. O presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, e o presidente da Rússia, Vladimir Putin, posam para foto antes da reunião em Villa la Grange, em Genebra, na Suíça, em 16 de junho de 2021
Denis Balibouse/Reuters
Joe Biden e Vladimir Putin realizam uma cúpula virtual neste momento para falar da escalada das tensões sobre a Ucrânia. O teor exato do que estão falando não está sendo divulgado imediatamente.
Acusada de preparar uma invasão ao país vizinho, a Rússia culpa seus rivais ocidentais de ameaçar sua segurança.
O presidente americano e o seu homólogo russo já conversaram diversas vezes por telefone e se encontraram em junho em Genebra, um encontro que a administração Biden considerou positiva no processo para criar uma relação “estável e previsível”.
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Washington, a Otan e Kiev acusam Moscou de mobilizar tropas na fronteira com a Ucrânia para atacar o país, repetindo o cenário de 2014, quando os russos anexaram a península da Crimeia. Desde então, mais de 13.000 pessoas morreram no conflito.
Vacas pastam perto de um tanque e militares supostamente russos, em frente a uma base militar em Perevalnoye, perto de Simferopol, na Crimeia
Shamil Zhumatov/Reuters
Por outro lado, para Moscou, a presença de países da Otan no Mar do Norte, a vontade da Ucrânia de aderir à Aliança Atlântica e a ambição de Kiev de se armar com o apoio ocidental são ameaças demais à Rússia, embora o Kremlin negue qualquer plano de invadir seu vizinho.
“Nosso presidente (Putin) está pronto para expressar suas preocupações a seu colega americano, ouvir suas preocupações e dar explicações”, declarou o porta-voz da presidência russa, Dmitri Peskov.
“A Rússia nunca teve a intenção de atacar ninguém, mas temos linhas vermelhas”, acrescentou.
Os analistas se mostram divididos: muitos consideram que Vladimir Putin está exagerando, mas poucos descartam por completo a hipótese de um ataque.
Se Moscou passar à ação, um alto funcionário da Casa Branca declarou na segunda-feira que Washington está disposto a responder.
“Estados Unidos responderiam afirmativamente” a um aumento da presença militar de seus aliados da Otan no leste da Europa. E depois reforçaria o apoio ao exército ucraniano.
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Washington pretende adotar sanções econômicas duras ao regime de Putin, mas diferentes das impostas desde 2014 contra a Rússia, que não têm nenhum efeito.
O alto funcionário da Casa Branca, no entanto, deixou claro que no momento Washington descarta uma resposta militar direta, pois não deseja “estar em uma posição em que o uso direto de suas forças” seja o que prevalece em suas avaliações.
Joe Biden, que já chamou Putin de “assassino”, está em uma situação complexa.
Ele precisa administrar a crise ucraniana com tato, se não deseja provocar as críticas de seus aliados tradicionais, já indignados após a retirada do Afeganistão, completamente caótica e sem coordenação entre os países.
Joe Biden comunicará pessoalmente ao presidente ucraniano Volodymyr Zelensky o resultado da reunião com Putin. Na segunda-feira ele conversou com aliados europeus para “coordenar a mensagem” e uma “forte solidariedade transnacional”, segundo a Casa Branca.

Fonte: G1 Mundo