Bebê Jhon chegou a ser entubado, mas o estado de saúde se agravou e ele não resistiu. Gestante mora em Araguatins e precisou ir até o Hospital de Augustinópolis duas vezes para dar à luz. Mulheres com gravidez de risco reclamam de atendimento no Bico do Papagaio
Um bebê morreu um dia depois de nascer, no Hospital Regional de Augustinópolis, região do Bico do Papagaio. Angustiados, os pais, que moram em Araguatins, dizem que o menino não resistiu após complicações no parto. Eles alegam que a cirurgia demorou a ser feita, o que pode ter interferido no estado de saúde da criança.
Quando a secretária, Jaciara Costa, entrou em trabalho de parto, procurou atendimento no Hospital Municipal de Araguatins. Como o local não tem maternidade, a gestante foi transferida para Augustinópolis, a 35 km de distância.
Depois do primeiro exame feito no local, a equipe de saúde disse que ela poderia voltar para casa e esperar o momento do nascimento. Dias depois, quando a grávida retornou a Augustinópolis para dar à luz, houve complicações.
“Quando foi na segunda vez que eu tive que retornar, possivelmente já era para ter tido um atendimento para o meu filho nascer. Daí, ele começou a ter complicações porque tinha passado da hora, eu já estava com infecções se eu já cheguei lá com 38.5ºC de febre”, disse a secretária.
Jaciara e Jhonatan se emocionam ao mostrar roupinhas de bebê, que morreu um dia após o parto, no Tocantins
Reprodução/TV Anhanguera
Além de toda a situação, o marido Jhonatan Torres Fernandes conta que não foi autorizado a acompanhar a esposa durante a internação.
“Eu achei que faltou mais empatia, um atendimento mais humano, deixar a minha mulher meio que jogada, sentada. Eu só falo porque ela me conta, eles me impediram de entrar. A gente pedia informações e eles falavam: ‘Está tudo bem’. Ou às vezes sumiam para dentro do hospital e não voltavam com informações”.
Depois do nascimento, o bebê precisou ser entubado. O estado de saúde se agravou e a equipe decidiu que o recém-nascido seria transferido novamente. Dessa vez, para Araguaína, a 250 km de distância. Mas, Jhon morreu antes que a viagem acontecesse.
O Hospital Regional de Augustinópolis é considerado pela Secretaria de Saúde a referência para os municípios do Bico do Papagaio. Mesmo assim, quando há casos complexos, envolvendo gestantes e bebês, os pacientes são encaminhados para Araguaína.
A Secretaria Estadual da Saúde disse que atualmente, o Hospital Regional de Augustinópolis tem uma maternidade que. em casos de risco, as grávidas são encaminhadas ao Hospital e Maternidade Dom Orione, que fica em Araguaína.
Secretária lamenta morte do filho, um dia após o nascimento, no Tocantins
Reprodução/TV Anhanguera
Disse ainda que o Hospital de Augustinópolis passa por obras para ampliação da maternidade, que deve chegar a 46 leitos, mas a secretaria não deu um prazo para a conclusão dessa ampliação.
Sobre o caso da Jaciara, a secretaria disse que a direção do hospital negou que tenha impedido a entrada do marido para acompanhá-la no parto e informou ainda que abriu sindicância para investigar como foi o atendimento da Jaciara e que, ao final desse processo, se for necessário, vai tomar as medidas cabíveis.
Por causa da situação, algumas gestantes preferem buscar atendimento fora da rede pública do Tocantins. Uma moradora de Araguatins conta que preferiu levar a filha para Imperatriz (MA), para o parto.
“Lá não tinha estrutura, não tem uma UTI e nem tinha médico. O médico tinha entrado com atestado, levei ela para Imperatriz, no Hospital Materno de Imperatriz Materno e Infantil. E lá teve todo o atendimento que uma grávida precisa”.
Na casa da Jaciara e do Jhonatam, a bolsa com as roupinhas do bebê continua arrumada. O quarto também segue decorado, do mesmo jeitinho que os pais deixaram para esperar o filho. Agora, eles tentam superar a dor da perda.
“Todos os dias eu choro um pouquinho, eu estou aqui com minha mãe e meu esposo, todos os dias é um consolo. Eu tenho Deus no meu coração e acredito que Deus, a cada dia, está me confortando. Mas isso para mim ainda é difícil de engolir, a situação que eu passei”, relatou Jaciara.
“É até difícil para falar porque a gente prepara tudo, faz novos planos. Chegar e lidar com todo o enxoval preparado e não ter o filho com a gente é muito doloroso. A gente acredita que se tivesse sido feito todo os procedimentos da forma que deveria ser feito, hoje a gente estaria com o Jhon. A gente acredita nisso”, finalizou Jhonatan.
Veja mais notícias da região no g1 Tocantins.
Fonte: G1 Tocantins
