Procedimento não é feito no Tocantins e mãe cobra uma reposta do governo. Menino passa os dias tendo febre e até convulsões. Justiça determina realização de cirurgias neurológicas no Tocantins
O pequeno Kayque tem 1 ano e seis meses de vida e está há quase um mês internado na ala infantil do Hospital Geral de Palmas (HGP). A mãe conta que ele passou por um procedimento, mas continua com cistos na cabeça. Agora ele está aguardando uma cirurgia neurológica que não é feita no Tocantins.
“O neném fez a cirurgia, colocou a DVP [dispositivo usado para aliviar a pressão] do lado esquerdo, mas a DVP só vai resolver o problema do líquido acumulado na cabeça dele. Eu quero que tire os cisto porque acaba o problema. Quero uma resposta para tirar isso e a gente ir embora”, disse a dona de casa Dandaria Alves.
A mãe ainda conta que a situação dele está cada vez pior. O menino passa os dias tendo febre e até convulsões. Ele chegou a ser avaliado por três médicos diferentes, mas até agora nem cirurgia e nem transferência foram marcados. “Eu ouvi uma conversa que disse que era para dar alta, mas eu vou recusar porque não tem condições de eu voltar para casa com ele daquele jeito”, lamentou a mãe.
A Justiça determinou que o governo do estado precisa regularizar imediatamente o serviços de neurocirurgia na rede pública estadual. Segundo a decisão todos os pacientes internados na ala neurológica há pelo menos 30 dias precisam passar pelo procedimento.
Bebê aguarda cirurgia na rede pública do Tocantins
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A decisão foi proferida em uma ação conjunta entre Defensoria Publica e Ministério Público do estado. “Tem falta de profissionais, não temos cirurgiões em número adequado, não tem leito de UTI que garanta que essas cirurgias sejam realizadas”, disse o defensor Arthur Luiz Pádua.
As cirurgias devem ser feitas primeiro nos pacientes mais graves e o estado tem 30 dias para provar que cumpriu a determinação. A decisão também prevê que todos os meios técnicos sejam garantidos, inclusive leitos de UTI.
“Não houve um aumento extraordinário nesse serviço da neurocirurgia. Então, neste momento o juiz determina que se garanta os leitos de UTI de retaguarda para os pacientes que precisam do acesso a essa cirurgia e que se estabeleçam quais são as outras necessidades e sejam garantidas de maneira permanente”, disse a promotora Araína D’alessandro.
Quem espera pela solução cobra seus direitos. “Eu quero resposta para que eu possa levar ele para casa e ter certeza de que não vai brincar e de repente bate a cabeça e morre. É isso que eu quero”, disse a mãe.
O que diz a secretaria
A Secretaria de Estado da Saúde afirmou que o Kayque vem recebendo cuidados da equipe multiprofissional do Hospital Geral de Palmas e o procedimento que ele precisa não é feito nas unidades hospitalares do Tocantins.
Também afirmou que o pedido de tratamento foi solicitado e está regulado no núcleo interno, aguardando a transferência do paciente para realização do procedimento.
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Fonte: G1 Tocantins
