Casamentos de príncipes e princesas com pessoas sem ‘sangue azul’ se tornaram mais comuns no século 20. Confira exemplos famosos em dez países. A princesa Mako acena de dentro de um carro após deixar sua casa para se casar
Kyodo via Reuters
A princesa Mako, do Japão, deixou oficialmente de pertencer à família real japonesa nesta terça-feira (26) ao casar com o plebeu Kei Komuro.
Komuro é advogado, assim como a sobrinha do imperador Naruhito, e os dois jovens de 30 anos se conheceram na universidade, há dez anos, quando estudavam direito.
Assim como Komuro, outros plebeus e plebeias se casaram com membros de famílias reais em diversos países (principalmente a partir do século 20).
Da atriz Meghan Markle à engenheira Salma Bennani, relembre casos em mais de 10 países:
Japão
Plebeias se tornaram (relativamente) bem-vindas na família imperial japonesa a partir do século 20 — mas plebeus, não (como aconteceu novamente com a princesa Mako e Kei Komuro).
Em 1959, contrariando a vontade de sua família, o então príncipe Akihito se casou com a “não nobre” Michiko Shōda, que havia conhecido dois anos antes jogando tênis. Juntos, eles tiveram três filhos.
A princesa Masako acena durante desfile a caminho do Palácio Imperial após seu casamento com o príncipe herdeiro Naruhito, em 9 de junho de 1993
John Pryke/Reuters
Já como imperador, Akihito viu seus passos serem repetidos por seu filho mais velho e sucessor, Naruhito.
Em 1993, o príncipe se casou com a plebeia Masako Owada, uma diplomata formada em Harvard que abandonou a carreira após anos de insistência e três pedidos de casamento. Em 2019, eles se tornaram os novos imperador e imperatriz do Japão.
Rússia
Rebecca Bettarini, filha de um diplomata, se casou no dia 1º com o Grão-Duque Gueorgui Mikhailovich Romanov, herdeiro do último czar da Rússia, que foi executado com sua família por bolcheviques na Revolução Russa em 1918.
O Grão-Duque George Mikhailovich Romanov e Victoria Romanovna Bettarini trocam alianças durante a cerimônia de casamento na Catedral de Santo Isaac, em São Petersburgo, na Rússia, em 1º de outubro de 2021
Anton Vaganov/Reuters
Embora a Rússia não seja uma monarquia, foi o primeiro “casamento real” do país em mais de um século. Mil e quinhentas pessoas foram convidadas para o casamento, entre elas a rainha Sofia, da Espanha, e o rei deposto da Bulgária, Simeón II, e sua esposa, Margarita.
O casal se conheceu em Bruxelas, capital da Bélgica, e para poder se casar Rebecca se converteu para a religião ortodoxa e foi rebatizada como Victoria Romanovna.
Reino Unido
A atriz Meghan Markle se casou com o Príncipe Harry, do Reino Unido, em maio de 2018 uma cerimônia que uniu tradição e modernidade na Capela de São Jorge, no castelo de Windsor.
Markle é mais uma na longa lista de plebeus e plebeias na família real britânica — que em geral costumam ser bem aceitos, com duas notórias exceções no século 20:
Meghan Markle no altar
Reprodução/TV Globo
Wallis Simpson, por quem o rei Edward VIII abdicou da coroa em 1936, e o oficial Peter Townsend, considerado o grande amor da princesa Margaret, irmã da rainha Elizabeth II.
O grande “problema” dos dois não foi a falta de nobreza, mas sim o fato de serem divorciados (Meghan também é, mas os tempos mudaram). Contra Simpson pesavam também acusações de espionagem em tempos pré-II Guerra Mundial e de ter outros amantes além do rei.
A princesa Margaret, no final, conseguiu se casar com um plebeu, o fotógrafo David Armstrong-Jones, e os filhos da rainha Elizabeth II também não tiveram problemas para subir ao altar com plebeus.
A exceção talvez seja a confusa história de Charles e Camilla, que chegaram a namorar na década de 1970, mas se separaram de forma não muito clara, e casaram com outros pares – ela com Andrew Parker Bowles e ele com a descendente de uma família nobre, Diana Spencer. Os dois só se casaram em 2005, oito anos após a morte da princesa Diana.
Princesa Diana e príncipe Charles no Palácio de Buckingham em junho de 1981
Reuters
A segunda filha da rainha, Anne, se casou duas vezes, em 1973 e 1992, ambas com plebeus militares: o tenente Mark Phillips, de quem se divorciou, e o comandante da Marinha Real Timothy Laurence.
Os dois filhos de Anne, Peter e Zara, também se casaram com plebeus: uma consultora de gestão e um jogador de rúgbi, respectivamente em 2008 e 2011.
O terceiro filho de Elizabeth II, Andrew, se casou em 1986 com Sarah Ferguson, que trabalhava como relações públicas. Os dois se divorciaram, mas mantêm relação de amizade.
O casal teve duas filhas, Beatrice e Eugenie (que se casou também em 2018, mas com Jack Brooksbank, um descendente de uma linhagem de barões).
Em janeiro de 1999, o último filho de Elizabeth também se casou com uma plebeia: Edward se tornou marido da relações-públicas Sophie Rhys-Jones, com quem tem um casal de filhos.
A última plebeia a chamar atenção ao se unir à família real britânica foi Kate Middleton, que se casou com o príncipe William, irmão de Harry e terceiro na linha de sucessão ao trono (veja no infográfico abaixo). Desde a cerimônia, em abril de 2011, eles já tiveram três filhos: George, Charlotte e Louis.
Casamento de Kate Middleton e príncipe William em 2011
Justin Tallis/Pool via AFP
Árvore genealógica da família real britânica
Arte G1
Mônaco
Talvez a mais famosa plebeia a entrar para uma família real, a atriz americana Grace Kelly se casou em 1956 com o príncipe Rainier III e com ele teve três filhos (todos também envolvidos com plebeus posteriormente).
A filha mais velha, Caroline, se casou três vezes. As duas primeiras foram com não nobres: o banqueiro francês Phillipe Junot, de quem se separou e conseguiu ter a união anulada pelo Vaticano, e com o industrial italiano Stefano Casiraghi, de quem ficou viúva. Atualmente ela é casada com o príncipe Ernst August de Hanover.
A irmã mais nova, Stéphanie, teve uma vida mais atribulada: casou-se com seu guarda-costas Daniel Ducruet, depois de já ter dois filhos com ele, divorciou-se, teve uma filha de quem nunca revelou publicamente a paternidade, viveu sem se casar com um domador de elefantes e depois se casou com o acrobata português Adans Lopes Perez, de quem também se divorciou.
Grace Kelly em foto de 1955
Domínio público
Já o filho do meio de Grace Kelly, o atual príncipe de Mônaco, Albert II, foi o último a se casar — e também escolheu uma plebleia. Em 2011, ele se casou com a ex-nadadora olímpica sul-africana Charlene Wittstock, com quem se relacionava havia dez anos.
Os dois tiveram um casal de gêmeos em 2014, mas Albert também já reconheceu dois outros filhos, um nascido em 1992 e outro em 2005, com diferentes mulheres (dos Estados Unidos e do Togo).
O príncipe Albert II de Mônaco e a princesa Charlene deixam o palácio após a cerimônia de seu casamento, em 2 de julho de 2011
Benoit Tessier/Reuters
Espanha
A atual rainha da Espanha é a primeira plebeia a ocupar o posto na história do país. Letizia Ortiz Rocasolano era jornalista e apresentava um telejornal antes de se casar com o futuro rei Felipe VI em 2004, em Madri, dez anos antes de ele ser coroado.
O rei Felipe VI da Espanha e a rainha Letizia no Palácio Zarzuela, em Madri, em 25 de abril de 2018
Pierre-Philippe Marcou/AFP
Suécia
Casar com um plebeu se tornou praticamente uma tradição na família real sueca. Fluente em seis idiomas, a plebeia Silvia Renate Sommerlath trabalhava como intérprete nas Olimpíadas de 1972, na Alemanha, quando conheceu o rei Carl XVI Gustaf, com quem se casou quatro anos depois.
Mais tarde, os três filhos do casal real também se apaixonaram por pares fora da nobreza.
Em 2010, a princesa Victoria se casou com Daniel Westling, que deixou de ser seu personal trainer e se tornou o príncipe Daniel, duque de Västergötland.
Em 2013, a princesa Madeleine, que viveu por um tempo em Nova York, casou-se com o economista britânico Christopher O’Neill, que trabalhava em Wall Street.
Em 2015, foi a vez do irmão delas, o príncipe Carl Philip, se casar com a modelo e estrela de reality show Sofia Kristina Hellqvist, com quem teve dois filhos, agraciados com títulos de duques.
O príncipe da Suécia, Carl Philip, casou-se com a ex-modelo e estrela de reality show Sofia Hellqvist, na capela do palácio real em Estocolmo, neste sábado (13)
REUTERS/Pontus Lundahl/TT News Agency
Jordânia
Nascida em Washington, capital dos EUA, Lisa Halaby trabalhava em uma companhia aérea e conheceu o rei Hussein da Jordânia em 1977 no Aeroporto Internacional Rainha Alia — cujo nome homenageia a primeira mulher dele, morta em um acidente de helicóptero.
Os dois se casaram um ano depois. Ela se tornou a rainha Noor da Jordânia, e eles ficaram juntos até a morte de Hussein em 1999.
Quando assumiu o trono, em 1993, o rei Abdullah da Jordânia também tornou rainha uma ex-plebeia. Rania Al-Yassin conheceu o então príncipe durante um jantar de negócios, quando trabalhava na filial da Apple em Amã, e eles também se casaram.
O rei Abdullah e a rainha Rania da Jordânia, em visita aos EUA em 20 de novembro de 2017
Reuters/Yuri Gripas
Marrocos
A engenheira Salma Bennani conheceu o rei Mohammed VI do Marrocos durante uma festa particular em 1999 e o anúncio do noivado chamou atenção porque, antes dela, as mulheres dos reis do país geralmente eram figuras que não apareciam em público.
Os dois se casaram em 2002 e tiveram dois filhos. Bennani, além de ser a primeira esposa de um rei marroquino a receber um título real, teve seu nome alterado para Lalla Salma, se tornando Sua Alteza Real Princesa Lalla Salma.
A princesa do Marrocos, Lalla Salma, chega a jantar de gala na véspera da abdicação da rainha Beatrix da Holanda e da posse de seu sucessor, rei Willem-Alexande, no Rijksmuseum, em Amsterdã, no dia 29 de abril de 2013
Robin Utrecht/Pool via Reuters
Butão
Jetsun Pema estudou relações internacionais, psicologia e história da arte na Regent’s College, em Londres. Também na Inglaterra, o “Rei Dragão”, apelido do rei Jigme Khesar Namgyel Wangchuck, estudou na Universidade de Oxford.
Não se sabe eles se Pema e Wangchuck se conheceram no Reino Unido ou no Butão, mas o “Rei Dragão” anunciou publicamente o noivado em maio de 2011 e os dois se casaram em outubro do mesmo ano, em um evento que teve a maior cobertura de mídia da história do país.
O casal tem um filho, nascido em fevereiro de 2016. Embora fosse oficialmente uma plebeia antes de se casar, Jetsun Pema tem ancestrais relacionados a antigas rainhas consorte do Butão.
O rei do Butão, Jigme Khesar Namgyel Wangchuck, cumprimenta jornalistas após seu casamento com Jetsun na antiga capital Punakha, em 13 de outubro de 2011
Reuters/Adrees Latif
Uganda
Quando a princesa de Uganda Ruth Komuntale frequentava a American University, na capital americana Washington, e começou a namorar o contador Christopher Thomas, que trabalhava em Maryland, ela não revelou imediatamente seu status de nobreza.
Só quando o relacionamento se tornou mais sério é que Thomas descobriu que se tornaria príncipe após o casamento — o que aconteceu em 2012. Mas isso não durou muito, já que os dois se separaram depois de apenas um ano.
Lesoto
Masenate Mohato Seeiso ainda era uma universitária quando conheceu o rei Letsie III em 1996, no mesmo ano em que o pai dele morreu e ele se tornou o único rei solteiro na África.
Os dois se casaram em 2000, em uma cerimônia em um estádio com Nelson Mandela e mais 40 mil pessoas, e ela se tornou a primeira plebeia a virar rainha na história moderna do país.
Os dois têm três filhos, e a rainha Masenate é muito popular por sua atuação com caridade e saúde pública, especialmente no combate à Aids e no trabalho com orfanatos.
O rei do Lesoto, Letsie III e sua noiva, Masenate Mohato Seeiso, acenam para multidão no dia de seu casamento, em 18 de fevereiro de 2000
JN/Reuters
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Fonte: G1 Mundo
