Governo proibiu manifestações de rua que estavam marcadas para esta segunda-feira e o presidente Miguel Díaz-Canel disse que o governo está em alerta para ‘defender a revolução’. Prédio onde vive Yunior Garcia, um dos líderes das manifestações em Cuba, é coberto com uma bandeira do país, em 14 de novembro de 2021
Alexandre Meneghini/Reuters
Grupos de oposição em Cuba marcaram uma passeata nesta segunda-feira (15) para pedir mais liberdade política e a liberação de ativistas que foram presos depois de protestos em julho.
Foram convocados atos políticos em Havana e outras seis cidades. Os manifestantes combinaram que vão usar roupas brancas nos protestos.
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O governo proibiu a manifestação desta segunda-feira, dizendo que o ato é parte de uma campanha de desestabilização política pelos Estados Unidos.
As manifestações de julho foram as maiores em décadas. Os protestos ocorreram como resposta a uma crise econômica, com falta de bens básicos. Os cubanos também protestaram contra as restrições impostas pelo governo para conter a Covid-19. Os grupos de ativistas afirmam que mais de mil pessoas foram presas após aqueles protestos, e centenas delas ainda estão presas.
Governo cassou credencial de jornalistas
O governo cubano retirou as credenciais de cinco jornalistas da agência EFE, da Espanha, mas depois devolveu duas delas.
Três editores, um fotógrafo e um cinegrafista foram chamados pelo governo cubano para serem informados da decisão de terem suas credenciais retiradas.
Gabriela Cañas, a presidente da EFE, afirmou que a decisão de devolver duas credenciais é insuficiente, e pediu para o governo devolver as outras três.
A EFE afirmou que o governo cubano não apresentou nenhuma razão para cassar as credenciais.
EUA diz que Cuba tenta intimidar manifestação
Antony Blinken, o secretário de Estado dos Estados Unidos, criticou a proibição da manifestação pelo regime cubano –ele afirmou que são táticas de intimidação do governo cubano antes do protesto.
O ministro de Relações Exteriores de Cuba, Bruno Rodríguez, respondeu dizendo que os EUA devem ficar de fora dos assuntos cubanos.
Data da manifestação
O grupo Arquipélago, que lidera a manifestação, pediu autorização para realizar protestos em várias províncias no dia 20 de novembro.
O governo cubano anunciou então exercícios militares e um “Dia da Defesa Nacional” para a mesma data. Yunior García, o líder do Arquipélago, alterou a data para esta segunda-feira (15).
“Nos negaram a autorização e, ao nos mantermos firmes na demanda pelo reconhecimento do direito de marchar, que é um direito humano e constitucional, essa campanha contra nós se acentuou”, disse García em entrevista à BBC.
O presidente cubano, Miguel Díaz-Canel, garantiu em rede nacional que estão “alertas” e “preparados” para “defender a revolução”.
Yunior Garcia é líder de um grupo chamado Arquipélago, que organiza as manifestações em Cuba
Alexandre Meneghini
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Fonte: G1 Mundo
