Foram 141 votos a favor, 5 contra e 35 abstenções. Texto não tem força de lei, funciona como uma recomendação da ONU e revela como a comunidade internacional vê a invasão. Assembleia Geral da ONU sobre invasão da Ucrânia
Reuters/Carlo Allegri
Após três dias de discursos de mais de cem de países no Fórum da Assembleia Geral das Nações Unidas para defender a paz e a segurança, nesta quarta-feira (2) foi aprovada uma resolução contra a invasão russa da Ucrânia.
Foram 141 votos a favor, 5 contra e 35 abstenções.
O texto “deplora nos mais fortes termos a agressão da Rússia contra a Ucrânia”. Ela é não vinculante, o que significa que, a partir dela, os países não são obrigados a fazer nada. Sua importância, portanto, é política: mostra como a maioria dos países vê a invasão promovida por Moscou.
Boa parte da comunidade internacional acusa a Rússia de Vladimir Putin de violar o artigo 2 da Carta das Nações Unidas, que pede aos seus membros para não recorrer a ameaças ou à força para solucionar conflitos.
O texto, promovido pelos países europeus e Ucrânia, e apoiado por cerca de cem países de todas as regiões do mundo, sofreu inúmeras alterações nos últimos dias para chegar a um acordo mínimo aceitável para os mais relutantes.
A resolução deixou de “condenar”, como estava inicialmente previsto, para “deplorar nos mais fortes termos a agressão da Rússia contra a Ucrânia”.
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Praticamente todos os oradores na Assembleia condenaram a guerra, a insegurança e o risco de escalada do conflito armado em um mundo que começava a se recuperar dos estragos devastadores da pandemia de Covid-19, como demonstra a escalada de preços das matérias-primas, principalmente do gás e petróleo, ou a queda das bolsas de valores.
Sem mencionar a iminente crise humanitária que já levou centenas de milhares de cranianos a deixar o país em busca de um lugar seguro e causou dezenas de mortes de civis.
A Rússia sustenta que sua invasão é “legítima defesa”. “Não foi a Rússia que iniciou esta guerra. Essas operações militares foram iniciadas pela Ucrânia contra os habitantes de Donbas (a região separatista no leste do país) e contra todos aqueles que não concordavam com ela”, defendeu como um mantra o embaixador russo Vassily Nebenzia, no fórum internacional em Nova York.
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“Não há nada a ganhar” com uma nova Guerra Fria, alertou o embaixador da China na ONU, Zhang Jun, depois de lembrar que a “mentalidade” desta época “baseada no confronto de blocos deve ser abandonada”. Aliada da Rússia, a China se absteve de votar uma resolução semelhante no Conselho de Segurança na sexta-feira passada.
Outros países como Cuba, Venezuela, Nicarágua, Síria e Coreia do Norte denunciaram no fórum da ONU os “duplos padrões” dos Estados Unidos e dos europeus, que não hesitaram em invadir países como Iraque, Afeganistão, Líbia ou Síria.
Aos olhos dos aliados latino-americanos, esse conflito foi causado pela expansão da OTAN para os antigos países satélites da extinta União Soviética, cuja área de influência Putin quer restaurar.
A vice-presidente e chanceler da Colômbia, Marta Lucía Ramírez, além de pedir à Rússia “responsabilidade” pelas consequências econômicas, humanitárias e jurídicas de sua ação, lembrou que o mundo “não quer e não aceitará” um retorno aos impérios.
Um dos últimos que falaram nesta quarta-feira foram os Estados Unidos que, como os europeus, adotaram uma enxurrada de sanções destinadas a isolar a Rússia e sufocar sua economia para que não possa financiar a guerra.
O presidente americano Joe Biden disse na terça-feira em seu discurso anual sobre o Estado da União que Putin subestimou a resposta dos países ocidentais com sua decisão de invadir a Ucrânia.
“Ele rejeitou as tentativas de diplomacia. Ele pensou que o Ocidente e a Otan não responderiam. E ele pensou que poderia nos dividir internamente. Putin estava errado. Estávamos prontos”, disse Biden.
Fonte: G1 Mundo
