ANTES e DEPOIS: Como 2022 mudou para sempre a vida dos ucranianos

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Guerra na Ucrânia: veja antes e depois de ataques
Escolas
Segundo um site do governo da Ucrânia, 342 instituições de ensino foram totalmente destruídas, sendo que outras 2.485 sofreram algum tipo de dano com a guerra. Entre esses locais estão escolas de educação básica, universidades, creches e orfanatos.
Isso impacta hoje na educação de 5,7 milhões de crianças em idade escolar, segundo levantamento da Unicef, que estima ainda que cerca de quase 4 milhões se refugiaram em outras cidades ou países e precisavam seguir com sua educação de alguma forma.
Algumas escolas voltaram às aulas presenciais em setembro, mas muitas adotaram principalmente a modalidade à distância, segundo um levantamento do Banco Mundial. Isso porque seus prédios foram destruídos ou não possuem abrigo antibomba, uma exigência para que elas possam receber os alunos.
Produção de alimentos
Uma fazenda da indústria de laticínios Agromol, em Shestakove, foi alvo de um ataque russo e perdeu 6 dos seus 20 galpões usados para criação de vacas, segundo o Centro para Estratégias e Estudos Internacionais (CSIS, na sigla em inglês). A empresa estima que mais de 2 mil cabeças de gado morreram com o bombardeio.
Esse é apenas um dos muitos exemplos de impactos da guerra na produção de alimentos na Ucrânia.
De acordo com dados divulgados em 2020 pelo Departamento de Comércio dos Estados Unidos, a exportação de grãos ucranianos foi responsável por mais de 9% do PIB do país naquele ano. As terras usadas para cultivo ocupavam 70% do território ucraniano.
Atingir diretamente a produção agropecuária do país tem como objetivo usar a “fome como arma de guerra”, segundo o presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky. Ele acusa a Rússia de deliberadamente agravar a segurança alimentar internacional atacando fazendas e atrapalhando o transporte de grãos.
Com a ajuda da Turquia e da ONU, os dois países em conflito assinaram em julho um acordo para exportação de grãos pelo Mar Negro, que chegou a ser cancelado em outubro após um ataque da Ucrânia na Crimeia e depois retomado em novembro.
Na prática, o abastecimento de supermercados, por exemplo, está bastante comprometido, principalmente em regiões de conflito. O brasileiro Saviano Abreu, funcionário da ONU que está na Ucrânia, contou ao g1 que muitos moradores dessas regiões possuem acesso apenas ao que é produzido localmente, o que é não é suficiente.
Mortes
Infraestrutura
No começo da guerra, além de alvos militares, a Rússia atingiu estruturas de transporte, como pontes e estações de trem, aparentemente como uma forma de atrapalhar a movimentação de tropas ucranianas, mas impactando diretamente na vida de civis, muitos dos quais queriam fugir de regiões de conflito.
Um estudo da Escola de Economia de Kiev de agosto levantou os danos causados a estruturas civis pela guerra. A publicação aponta que cerca de 400 empresas, 18 aeroportos civis, 50 shopping centers, 2 mil lojas e 500 edifícios administrativos foram danificados, destruídos ou apreendidos.
Um levantamento do Banco Mundial de setembro, o mais recente, aponta que serão necessários US$ 350 bilhões para reconstruir a Ucrânia, mas certamente os danos ficaram ainda maiores desde então.
Nos últimos meses, as tropas russas passaram a focar seus ataques na infraestrutura energética. Frequentemente grande parte do país têm sofrido com apagões de energia.
Essa estrutura que está sendo alvo de bombardeios é fundamental para que os aquecedores funcionem corretamente, principalmente agora com a proximidade do inverno rigoroso em todo o país. A energia elétrica também é importante para o funcionamento das bombas que levam água para as casas.
Em Odessa, por exemplo, a administração regional disse que pode levar de dois a três meses para que a energia seja restabelecida. Os moradores foram aconselhados a deixar a cidade, se possível, mas a situação não é muito diferente no resto do país.
Apagões regulares e cortes de energia estão afetando quase todos na Ucrânia. Segundo um levantamento da ONU, cerca de 50% da infraestrutura energética do país foi destruída por ataques russos.
Refugiados
Os dados mais recentes da Agência da ONU para Refugiados apontam que aproximadamente 7,8 milhões de ucranianos estão fora do país. Além desses, outros 6,5 milhões são considerados refugiados internos, ou seja, tiveram que abandonar suas casas, mas continuam dentro da Ucrânia.
Isso quer dizer que um terço de toda a população ucraniana não vive atualmente na própria casa. Algumas regiões, como Kherson, foram liberadas pelas tropas russas, mas o governo local ainda não permitiu o retorno de refugiados, pois a cidade não está em condições de receber de volta seus moradores.
A ONU estima que 90% dos refugiados sejam mulheres e crianças. Os homens adultos foram proibidos de deixar o país assim que a Rússia começou os ataques.
Uma dessas pessoas é Valeria Okorokova, de 21 anos, que chegou ao Brasil no fim do mês de maio. Ela morava na cidade de Dobropolye, região de Donetsk. O pai de Valeria foi chamado para a frente da guerra, assim, ela, a mãe e a irmã, de 17 anos, foram forçadas a deixar o país. Você pode ver mais detalhes da história dela na reportagem de Talissa Medeiros, do g1.
Por mais que a situação de refugiado seja difícil, uma pesquisa feita pelo governo alemão com ucranianos mostrou que grande parte se sente bem-vinda na Alemanha. Cerca de 37% disseram que pretendem fixar moradia permanentemente por lá. A Polônia e a Alemanha foram os países que mais receberam ucranianos fugindo da invasão russa.
Segundo a ONU, o movimento de volta ao país, que eles chamam de movimento pendular, ganhou força entre março e abril, quando os ataques estavam mais concentrados no leste da Ucrânia. Só que esse fluxo diminuiu quando as tropas russas passaram a atingir a infraestrutura energética do país, causando apagões em grande parte do país.
Habitação
São mais de 17 milhões de ucranianos que precisam de ajuda humanitária, segundo o Escritório das Nações Unidas para a Coordenação de Assuntos Humanitários.
Entre os maiores desafios atuais está o de preparar a população para enfrentar o inverno rigoroso na Ucrânia. “Seja pela falta de água, de eletricidade, de gás ou simplesmente porque não tem portas, não tem janelas ou não tem parte do teto porque foram destruídos”, explica Saviano Abreu.
Grupos humanitários estão ajudando a consertar telhados e janelas danificados, distribuir colchões, cobertores e roupas quentes, ou a preparar abrigos onde as pessoas possam ficar aquecidas.
No final de novembro, um comunicado do serviço de emergência da Ucrânia apontou que em 24 horas foram mais de 100 incêndios em casas. Os moradores tentavam se aquecer usando o que tinham a disposição, sejam geradores de emergência, cilindros de gás ou velas. Nesse dia, nove pessoas morreram nos incêndios.
Antes e depois: lojas e casas são destruídas pela guerra na cidade de Bucha, Ucrânia

Fonte: G1 Mundo