A moradora de Palmas Thaynara Vitorino Borba e a cantora Marília Mendonça se conheceram na adolescência, quando tinham 15 anos. Thaynara (no canto direito, ao lado de Marília) mostra registro da turma em colégio de Goiânia
Arquivo Pessoal
A moradora de Palmas, Thaynara Vitorino Borba, de 26, lembra que tinha 15 anos quando conheceu e se tornou amiga da cantora Marília Mendonça, no Colégio Estadual José Alves de Assis, em Goiânia (GO). Na época, a sertaneja que também tinha 15 anos já mostrava talento e impressionava a todos pela potência da voz e a criatividade nas composições. A cantora ‘rainha da sofrência’ morreu na última sexta-feira (5), em um acidente de avião. Outras quatro pessoas que estavam na aeronave também morreram
Em entrevista ao g1, Thaynara lembrou das histórias, os concursos de música, os primeiros vídeos gravados pelas amigas para tentar emplacar Marília no mundo artístico, além das fotos tiradas pela turma do 1º ano do ensino médio da escola.
Ela, que também é cantora, disse que em 2011 chegou a levar uma baita bronca da mãe ao ligar várias vezes para a TV na tentativa de marcar uma entrevista para Marília.
“Minha mãe estava me lembrando esses dias. Em Goiânia, tinha o quadro ‘Frutos da Terra’. Eu postei um vídeo da Marília no Facebook e um cinegrafista viu e falou para tentarmos colocar o vídeo nesse quadro. Ele me passou o telefone da televisão e eu usei o telefone fixo da minha casa para ligar em todos os ramais da empresa”.
A jovem lembra que no fim do mês, a família se surpreendeu com o valor da conta de telefone.
“O pessoal da TV me perguntava se ela tinha música antiga, aqueles modões que falavam da natureza, dos animais. E eu falava que tinha. Desligava o telefone e ligara para a Marília para perguntar. Passei o dia inteiro ligando. Chegou a conta de telefone e veio muito cara porque eu tinha ligado para celular também. Minha mãe perguntou e eu falei que não tinha sido eu. Ela pegou um dos números de celulares que estavam na conta e quando ligou, a Marília Mendonça atendeu: ‘Fala, Thaynara Borba’. Levei bronca, mas pelo menos eu tentei”, conta sorrindo.
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Dois dias após o acidente com a cantora, Thaynara ainda tenta entender o porquê da morte tão precoce. “É estranho. De uma forma muito precoce, nunca estamos preparados para a morte, ela tinha muito para viver, um filho pequeno pra criar, ficamos sem entender os propósitos de Deus”.
A foto (acima) ficou como lembrança da época em que a “rainha da sofrência” dava os primeiros passos na música. O registro foi feito em uma padaria que ficava perto do colégio.
Thaynara Vitorino tinha 15 anos quando conheceu Marília
Arquivo Pessoal
“A gente tinha uma turma boa na escola, todo mundo tocava e cantava. A gente ia com violão quase todos os dias! Era o terror dos professores”, brincou.
Após a morte, ficaram as lembranças de um tempo que não volta mais. A moradora de Palmas, que também é cantora, disse que ela e outra amiga chamada Morgana gravaram os primeiros vídeos de Marília, no parque Cascavel, em Goiânia. “Eram vídeos bem caseiros”, relembra. O objetivo era colocar na internet e, quem sabe, chamar a atenção de produtores musicais”.
Thaynara, uma das incentivadoras de Marília, conta também que ia para lojas de departamento, em um shopping de Goiânia, junto outras meninas da turma, para ajudar Marilia a escolher roupas para os pequenos shows.
“As pessoas que estavam perto acreditavam mais nela do que ela mesma. Quando conheci a Marília, tinha 4 ou 5 meses que o pai dela tinha falecido. Ela contou que o último pedido do pai era para ela não parar de cantar. Ela tinha isso como responsabilidade. O pai sempre incentivou demais. Em alguns momentos, quando ela se sentia cansada, ela olhava e falava: ‘foi para isso que eu nasci. A mãe também não deixava ela se desviar do foco”.
Esse começo e principalmente a genialidade com que Marília compunha as músicas ficou na memória.
“A gente tinha essa turma da escola, as primeiras composições mais sofridas da Marília foram histórias de sofrimento da Árina com o namorado, que também era amigo da Marília. A Árina entregava os textos para ela desabafando e a Marília fazia aquele texto virar música. Ela escutava histórias dos outros como se ela estivesse vivendo aquilo”.
Ela também recorda que Marília sempre vencia os concursos de música na escola. “A Marília sempre teve musicalidade forte, as composições nunca foram compatíveis com a idade, ela sempre foi muito a frente do seu tempo”.
Dois anos depois, as duas perderam o contato. Thaynara conta que Marília começou a ganhar dinheiro com a música e se mudou de casa e também de escola.
“Ela ouvia produtores dizendo que nunca ia virar, porque era mulher, porque não estava dentro dos padrões de beleza, mas todo mundo teve que engolir. A gente tentava enfiar ela em tudo quanto é shows e eventos. Ainda bem que ela caiu nas mãos dos produtores de verdade que a levaram ao sucesso”.
Amigos de adolescência de Marília Mendonça em parque de Goiânia
Arquivo Pessoal
O acidente
A cantora Marília Mendonça, de 26 anos, e mais quatro pessoas morreram na tarde desta sexta-feira (5) após a queda de um avião de pequeno porte perto de uma cachoeira na serra de Caratinga, interior de Minas Gerais.
Marília Mendonça nasceu em Cristianópolis (GO) em 22 de julho de 1995. Entre os seus grandes sucessos, que a colocaram como uma das cantoras mais ouvidas do país, estão “Infiel”, “De quem é a culpa?” e “Eu sei de cor”. Ela deixa um filho, Léo, que completa dois anos em dezembro.
A aeronave era um bimotor Beech Aircraft, da PEC Táxi Aéreo, de Goiás, prefixo PT-ONJ, com capacidade para seis passageiros. Segundo a Anac, o avião está em situação regular e tem autorização para fazer táxi aéreo.
A Companhia Energética de Minas Gerais (Cemig) disse que a aeronave atingiu um cabo de uma torre de distribuição da empresa antes de cair em uma cachoeira a 2 quilômetros da pista onde faria o pouso. A Aeronáutica ainda apura diversas hipóteses para o acidente.
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Fonte: G1 Tocantins
