Alemã do Estado Islâmico é condenada a 10 anos por deixar criança morrer de sede

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Uma alemã mantinha uma menina em condições semelhantes às de escrava no Iraque. A garota urinou em um colchão, e seu castigo foi ser amarrada a uma janela do lado de fora da casa, a uma temperatura de quase 50°C. A menina morreu de sede. Uma estudante iraquiana passa por uma parede de escola coberta com desenhos mostrando como militantes do Estado Islâmico executaram seus prisioneiros, em Mossul, no Iraque, em 2018
Ari Jalal/Reuters
A Justiça da Alemanha condenou a 10 anos de prisão uma alemã que integrou o grupo extremista Estado Islâmico por deixar uma menina morrer de sede.
A mulher, Jennifer Wenisch, de 30 anos, recebeu a pena nesta segunda-feira (25).
Wenisch é acusada de crimes de guerra e assassinatos. Ela poderia ter sido condenada à prisão perpétua.
A menina que morreu quando estava sob sua guarda era da etnia yazidis, uma minoria curda perseguida por extremistas do Iraque e da Síria.
Veja abaixo um vídeo de 2015 sobre a perseguição aos yazidis pelo Estado Islâmico.
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A ação da Justiça da Alemanha começou em abril de 2019 e é uma das primeiras no mundo para lidar com os crimes de guerra cometidos contra os yazidis.
Alemã participava de patrulha armada do Estado Islâmico
Wenisch é de Lohne, no noroeste da Alemanha. Ela viajou ao Iraque para se reunir com “os irmãos”, explicou ela à Justiça.
Durante vários meses, ela integrou a polícia de Fallujah e Mossul, onde participava da patrulha armada. Essa força de segurança controlava, sobretudo, o respeito às regras de vestimentas e comportamentos estabelecidas pelos extremistas.
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Segundo a acusação, em 2015, Wenisch e seu então marido, Taha Al-Jumailly, compraram uma menina de cinco anos e sua mãe (ambas da minoria yazidi) que eram prisioneiras do Estado Islâmico, para explotar as duas como escravas.
Após vários abusos, a menina foi castigada por Al-Jumailly, o marido, por ter urinado em um colchão. Na sequência, ela foi amarrada a uma janela do lado de fora da casa, a uma temperatura de quase 50°C. A menina morreu de sede.
A mãe da criança, Nora T., viu-se obrigada a permanecer a serviço do casal.
Acusada de ter permitido a ação do companheiro sem intervir, Jennifer Wenisch declarou na audiência que tinha medo de ser “empurrada, ou trancada”.
Os advogados, assim como os de Taha Al-Jumailly, sugeriram que a menina poderia ter sobrevivido se tivesse sido levada para um hospital em Fallujah.
A versão foi contestada pela mãe da criança, Nora T., que hoje vive em um local não revelado da Alemanha. Testemunha-chave, a sobrevivente foi ouvida durante os julgamentos dos ex-cônjuges.
Presa na Turquia
“[Eu] me tornei um exemplo de tudo que aconteceu sob o Estado Islâmico. É difícil imaginar que isto é possível em um Estado de direito”, afirmou Jennifer, como forma de defesa, durante uma das últimas audiências, relata o jornal “Süddeutsche Zeitung”.
Jennifer Wenisch foi detida pelas forças de segurança turcas em janeiro de 2016, em Ancara, e extraditada mais tarde para a Alemanha.
Ela foi transferida para um centro de detenção apenas em junho de 2018, quando foi detida no momento em que tentava entrar com a filha de dois anos nos territórios ainda controlados pelo Estado Islâmico na Síria.
Durante a tentativa de fuga, a acusada contou ao motorista detalhes sobre sua vida no Iraque.
O motorista era, na realidade, um informante do FBI (a Polícia Federal americana) que dirigia um automóvel equipado com microfones. O Ministério Público da Alemanha utilizou as fitas para fazer a acusação.
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Fonte: G1 Mundo