Neste período, o governador falou para se defender apenas uma vez e ainda não apresentou recurso na Justiça. Enquanto isso, Wanderlei Barbosa fez alterações em quase todo o primeiro escalão do governo e exonerou aliados de Carlesse. Mauro Carlesse continua afastado do cargo de governador do Tocantins
Esequias Araújo/Governo do Tocantins
O afastamento do governador do Tocantins, Mauro Carlesse (PSL), está completando um mês neste sábado (20). A determinação do Superior Tribunal de Justiça é de que ele ficará pelo menos mais cinco meses longe do Palácio Araguaia, a sede do Poder Executivo, onde está proibido de entrar. Nestes 31 dias, o governo tocantinense ganhou uma cara quase completamente nova.
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Carlesse tem evitado aparecer em público e até o momento falou sobre as acusações de recebimento de propina e interferência em investigações policiais apenas uma vez. Em um vídeo de um minuto e vinte segundos publicado dois dias após as operações simultâneas da Polícia Federal, ele garantiu ser inocente e previu um retorno ‘breve’ ao cargo. Esta foi a última manifestação dele na internet.
O silêncio em público também se reflete nos bastidores. Até o momento, não há registro de qualquer recurso apresentado pela defesa do governador afastado nem no próprio STJ e nem no Supremo Tribunal Federal, que seria a corte superior neste caso.
Polícia Federal cumpre mandados na casa do governador do Tocantins
Ana Paula Rehbein/TV Anhanguera
Carlesse foi afastado por causa de duas investigações que correram de forma paralela. Uma apura um suposto esquema de pagamento de propina relacionado ao plano de saúde dos servidores públicos, o antigo Plansaúde e atual Servir. Os investigadores acreditam que mais de R$ 40 milhões podem ter sido desviados.
A segunda investigação é sobre interferência na Polícia Civil. Carlesse teria afastado delegados que investigavam aliados políticos e o próprio governo em supostos esquemas de corrupção e criado até novas leis para evitar que políticos fossem criticados publicamente por autoridades policiais.
Reforma administrativa
Enquanto Carlesse está focado em lidar com os efeitos judiciais do afastamento, o vice, Wanderlei Barbosa, que está o comando do estado, se movimenta para dar ao governo uma cara própria.
Inicialmente Wanderlei disse que não faria movimentos bruscos, mas logo em seguida teve que lidar com o pedido de demissão coletiva de vários aliados de Mauro Carlesse. O governador em exercício aproveitou então para realizar uma reforma administrativa ampla, que ainda não terminou, e que deixou poucos nomes da antiga gestão no primeiro escalão.
No meio desse processo, Wanderlei rompeu de vez com Carlesse e declarou publicamente que a relação dos dois está ‘arranhada’. Desde antes do terremoto político causado pelo afastamento, o vice vinha tentando se viabilizar como candidato ao governo nas eleições de 2022 e viu as próprias chances de concorrer melhorarem bastante por conta das circunstâncias.
Nesta sexta-feira (19), Wanderlei decretou ainda que seja realizada uma inspeção em todos os órgãos da administração direta e indireta do Poder Executivo para apurar as irregularidades apontadas pelo STJ.
Wanderlei Barbosa durante coletiva de imprenssa
Stefani Cavalcante/g1
Poder Legislativo
Se no Poder Executivo a movimentação foi intensa, do outro lado da Praça dos Girassóis, na Assembleia Legislativa, a sensação do cidadão é de que nada mudou. Os deputados estaduais, com poucas exceções, se calaram completamente sobre as investigações da polícia e preferiram ficar longe dos holofotes.
Neste um mês houve apenas uma tentativa, encabeçada pelo deputado Júnio Geo (PROS), de abrir uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para tratar do caso. Somente um integrante da AL além de Geo, Elenil da Penha (MDB), se dispôs a assinar. Os demais, preferiram não ter as digitais no assunto caso Carlesse consiga reverter o afastamento na Justiça.
Mas se publicamente quase não se ouve barulho vindo do Legislativo, nos bastidores a movimentação é intensa. Wanderlei Barbosa tem se reunido com deputados estaduais praticamente todos os dias.
A maior parte da base aliada de Carlesse parece ter aderido ao novo gestor quase que por gravidade. Muitos deles apareceram com o governador em exercício pouco mais de 24 horas depois do afastamento de Carlesse, logo no primeiro pronunciamento de Wanderlei ao Estado. Eles também têm o acompanhado em agendas públicas por todo o estado.
Em Brasília, os congressistas tocantinenses na Câmara e no Senado observam à distância. Desafetos de Carlesse, como Kátia Abreu e Vicentinho Júnior, comentaram as acusações nas redes sociais. Vicentinho inclusive acusou o governador de pressionar deputados estaduais para que não haja andamento em um processo de impeachment que foi protocolado por um sindicato, mas não obteve nenhuma resposta do presidente da AL, Antônio Andrade.
Reflexos para a população
Logo que assumiu, Wanderlei Barbosa precisou administrar uma crise na Secretaria de Segurança Pública. É que junto com Carlesse, o STJ afastou praticamente toda a cúpula da SSP, porque os integrantes também são investigados na operação. Por dias a Polícia Civil ficou sem um comando claro.
O governador em exercício resolveu a questão nomeando novos integrantes que já tinham experiência em gestão e chamando inclusive servidores que, segundo a Polícia Federal, foram perseguidos por Carlesse para integrar a nova cúpula.
Mas não foi apenas na Polícia Civil que Wanderlei Barbosa teve trabalho. No dia 9 de novembro policiais penais fizeram uma manifestação em frente ao Palácio Araguaia para pedir a estruturação de um plano de carreira e um estatuto. O governo prometeu atender as demandas no mesmo dia.
Portões do pronto-socorro foram fechados
Wesley Murici/TV Anhanguera
Na saúde foi que Wanderlei Barbosa enfrentou o que foi a crise mais séria, e com mais reflexos para a população, da gestão dele até aqui. No último fim de semana o Hospital Geral de Palmas (HGP) fechou os portões por não ter como atender mais pacientes. Cerca de 90 pessoas já estavam internadas no corredor da unidade.
O episódio causou consternação nas famílias de pacientes que ficaram ser ter para onde ir. A repercussão negativa foi tanta que o próprio governador em exercício convocou coletiva para falar sobre o tema. Dando a entender que não tinha sido avisado pela própria equipe sobre a decisão de fechar o portão do HGP, Wanderlei Barbosa disse que o hospital teria que reabrir as portas.
A determinação foi cumprida e desde então os gestores municipais de saúde e o comando da SES tentam encontrar um meio termo e criar um plano de ação para resolver o problema de falta de leitos nos hospitais do interior.
Além de todos estes problemas, o governo ainda tenta resolver de vez a questão da concessão do Jalapão. A população da região continua questionando o projeto, tentando entender que eventuais benefícios poderá ter com a medida. Equipes foram enviadas até a região para tentar explicar os pontos mais polêmicos e as audiências públicas foram marcadas para o fim de novembro e começo de dezembro, após a Secretaria de Parcerias e Investimentos mudar alguns trechos da proposta.
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Fonte: G1 Tocantins
